sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Considerações sobre o luto e a morte na perspectiva infantil

O homem costuma apresentar medo diante de situações desconhecidas, e a morte apesar de sabidamente inevitável é um evento que desperta angústia Em nossa sociedade não são poucas as tentativas de afasta-la e esquece-la.
O desconforto quando se trata de morte é bem visível, a busca pela “eterna juventude” e a crença em nossa imortalidade pessoal nos afasta ainda mais de qualquer referência a terminalidade ou qualquer coisa que a ela remeta.
Serão demonstradas aqui as mudanças constatadas no enfrentamento da morte desde a Idade Média, denominada por Philippe Áries (1977) de “morte domada” até o morrer contemporâneo: a “morte invertida”. O modo como a criança introjeta as situações a ela relacionadas bem como seu processo de enfrentamento e luto.
A morte tem tido diferentes representações a cada época, sendo assim, os medos e angústias referentes a ela vêm mudando também. Como afirma Kovács ao citar Philippe Áries:
A morte era esperada no leito, numa espécie de cerimônia pública organizada pelo próprio moribundo. Todos podiam entrar no quarto, parentes, amigos, vizinhos, e, inclusive, as crianças. Os rituais de morte eram cumpridos com manifestações de tristeza e dor, que eram aceitas pelos membros daquela comunidade. O maior temor era morrer repentinamente e sem as homenagens cabidas. (1977, p. 67)
Era um evento a ser compartilhado e havia uma familiaridade com a finitude, embora essa mesma ainda fosse acompanhada do medo dos mortos. A “morte domada”, como assim a denominou Ariés era aceita como parte indissociável da vida e eventualmente até desejada. Fazendo um apanhado do “morrer” atual pode-se verificar a inversão de valores que ocorreu desde então. Kovács (1992, p.47) cita Ariés:
O século XX traz a morte que se esconde, a morte vergonhosa, como fora o sexo na era vitoriana. A morte não pertence mais à pessoa, tira-se sua responsabilidade e depois sua consciência. A sociedade atual expulsou a morte para proteger a vida. Não há mais sinais de que uma morte ocorreu. O grande valor do século é o de dar a impressão que “nada mudou”, a morte não deve ser percebida. A morte boa atual é a que era mais temida na Antiguidade, a morte repentina, não percebida. A morte “boa” é aquela que não se sabe se o sujeito morreu ou não.
Dona Morte, a Turma da Mônica de Maurício de Sousa - divulgaçãoO “lugar de morrer” foi transferido para o hospital tirando-o do alcance dos olhos da sociedade, incluindo-se ai as crianças. Dentro dos hospitais o rastro da morte é silenciado de tal forma que tudo o que se quer após uma ocasião a ela ligada é esquecer e fingir que nada aconteceu.
A criança em processo de formação de significações não tem acesso a vivências que permitam uma devida elaboração de seus conceitos de morte, de perda e de dor já que situações referentes a isso são sempre evitadas e disfarçadas. Elas encontram, portanto o pacto de silêncio que a sociedade constitui em torno de assuntos considerados desagradáveis. Como a criança é o reflexo dessa sociedade, a menos que seja trabalhada também terá dificuldades para lidar com a finitude.
Com a “invenção da infância” (ARIÈS, 1977), surgiu uma tendência a separar o mundo dos adultos do mundo das crianças. A infância como a conhecemos tem sua gênese na tomada do poder pela burguesia simbolizada pela revolução francesa.
Os valores burgueses repassados em doutrina ideologicas implícitas pelas escolas, a diminuição do número de filhos e a nuclearização da família em torno dos mesmos, como conseqüência da urbanização, deu origem a infância como a conhecemos hoje: um templo isolado onde qualquer evidência da realidade considerada dura demais é logo afastada. Áries aponta que
Na Idade Média a educação das crianças era garantida pela aprendizagem junto aos adultos e a partir de sete anos, as crianças viviam com uma outra família que não a sua. Dessa época em diante ao contrário a educação passou a ser fornecida cada vez mais pela escola. A escola deixou de ser reservada aos clérigos para se tornar o instrumento normal da iniciação social. (1981, p. 84)
Apresentou-se nesse novo contexto a necessidade de isolar a juventude do “mundo sujo dos adultos” mantendo-os na inocência primitiva. A concentração da família em torno das crianças ficou em evidência bem como o sentimento de infância. Devido a essa proteção da qual se passou a fazer uso, as crianças tornam-se ainda mais suscetíveis ao sofrimento e medo diante da morte visto que são resguardadas de qualquer contato prévio com assuntos que a ela fazem referencias, que são “assunto de gente grande”.
Antes ela adquiria seu conhecimento para lidar com o mundo bem como seus valores morais pelo contato direto com os adultos, do cotidiano com a família e dos espaços coletivos da sociedade, tinha consciência do “morrer” e ao longo do seu desenvolvimento cognitivo elaborava esse conceitos com base em experiências concretas.
Para a sociedade moderna contemporânea, a morte está sendo transformada numa representação externa a nosso eu (e pouco importa aqui que esta seja uma representação banalizada ou não). Nas sociedades pré-modernas, as pessoas sofriam, sentiam e refletiam sobre a própria morte, na ocasião da morte dos outros; então todo mundo tinha intimidade com a morte, ninguém precisava de uma representação simbólica para saber de que se tratava. (LEIS, 1999)
Sendo assim, a partir do contato direto com a experiência alheia podia-se vir a elaborar a sua própria. Não era muito difícil, por exemplo, que crianças fossem levadas ao leito de morte ou fossem a enterros, situações que atualmente não são muito comuns. Hoje apesar de ter contato com ela em desenhos, filmes violentos ou noticiários de jornal não realiza essa realidade como próxima, ela se limita à fantasia televisiva.
As crianças constroem seu conceito de morte juntamente com o desenvolvimento cognitivo. Ao longo desse processo vão introjetam características que parecem ser inerentes à morte. São três dimensões indissociáveis: Irreversibilidade, não-funcionalidade e universalidade (TORRES, 1999).
A irreversibilidade segundo Torres (1999) diz respeito à compreensão de que o corpo físico não pode viver depois da morte, ou seja, uma vez que se morre não se pode voltar a viver. A não-funcionalidade corresponderia ao entendimento de que todas as funções definidoras da vida cessam com a morte. A universalidade refere-se à compreensão de que tudo o que é vivo morre.
Torres (1980) apud Nagy (1948), defende que a criança de até cinco anos não entende a irreversibilidade da morte e a tem como temporária. Não possui a noção de não-funcionalidade também atribuindo vida e consciência ao morto. Nessa fase o animismo infantil (que dá vida ao sol, aos brinquedos, etc...) acaba por impossibilitar a compreensão da morte de fato.
A Morte de Clotilde de VauxNo período que vai de três a cinco anos, segundo Vendruscolo (2005), quando frente à situações de morte já ocorrem questionamentos e devido a seu egocentrismo podem inclusive associar algum ato seu como causador da morte da qual teriam sido responsáveis de alguma forma. Nesse período a diferenciação entre vivos e mortos se dá basicamente pelo padrão de mobilidade. O que “se move” está vivo, o que “não se move” está morto.
Existe muita correlação entre o sono e morte nessa fase, tanto que alguns eufemismos utilizados para comunicar a morte de alguém para a criança como “vovô está dormindo”, por exemplo, podem confundi-la e eventualmente deixá-la com medo de dormir ou mesmo podem levá-la a querer “dormir” para encontrar quem morreu. Ainda não há a noção de “irreversibilidade”.
Sobre a criança de cinco a nove anos, Nagy (1948) citado por Torres (1999) afirma que ela já a entende como irreversível mas não como inevitável tendo uma forte tendência a personificá-la. Acima de nove anos há o entendimento da morte como cessação das atividades do corpo e como inevitável. Através da compreensão dessa universalidade começa a entender que ela mesma está suscetível.
A perda de algo seja real ou simbolicamente leva sempre a um processo de elaboração dessa perda, processo esse chamado luto, o qual pode dar-se sob diferentes formas e intensidade.
Ao se falar de morte, inevitavelmente, o tema nos conduz ao processo do luto, que se refere ao conjunto de reações diante de uma perda. Lembramos que existem mortes e processos de luto por ausências, separações e vivência de desamparo. O processo de luto se dará diferentemente. Quanto maior o investimento afetivo, tanto maior a energia necessária para o desligamento. (TEIXEIRA,2003)
Observa-se que o impacto mediante situações que envolvam perdas como morte ou doença dos pais e mesmo a criança que se encontra doente é maior, embora dependendo do estágio cognitivo e histórico de vida possa manifestar-se de diferentes formas.
Mesmo diante da reação específica que pode vir a ser apresentada notam-se certos padrões comuns de reação descritas por Torres (1999) quando cita Bowlby (1984) se refere à três fases principais do luto infantil.
A primeira fase do “protesto” quando a criança não acredita que a pessoa esteja morta e tenta reavê-la. Ela chora, se agita e a procura nos lugares onde normalmente estaria. Há a fase do desespero e desorganização da personalidade, quando ela começa a aceitar a perda. Embora não tenha sua angustia diminuída a esperança de recuperar o que perdeu se dispersa. De agressiva pode vir a ficar apática e retraída. Na terceira fase, fase da esperança, ela começa a buscar novas relações reorganizando sua vida sem a presença da pessoa morta.
Mentir para a criança ou ocultar-lhe fatos importantes podem, portanto, atrapalhar o seu processo de luto e re-elaboração da afetividade que outrora investia naquela pessoa. Nos casos da criança doente o luto é pelo “corpo” bem como seu cotidiano até então. Sem saber com a clareza adequada ao seu estágio de desenvolvimento o que está acontecendo, o processo de desligamento pelo qual todos nós temos que passar ao perder algo importante fica prejudicado bem como nossa qualidade de vida.
Morrer, envelhecer, ficar doente não são metas de vida, mas tudo o que é vivo está sujeito a perecer. Esse aspecto indissociável de nossa existência é negligenciado e contato com a morte se dá de forma velada e distanciada tanto quanto possível, colocando essa “fatalidade” como uma realidade muito distante e nos dando uma ilusão de imortalidade.
Toda criança absorve os valores que sua cultura pelo contato com as pessoas que a cercam, porém, em relação aos temas que são tabus em nossa sociedade, como a morte e o sexo, por exemplo, ela não encontra esclarecimento suficientes para suas dúvidas. Ela passa por perdas simbólicas, sente frustrações, mas essa perda permanente da qual até os adultos, suas figuras de referência demonstram incômodo ainda se mostra uma incógnita que mais tarde irá lhe trazer a mesma aversão.
É importante conversar abertamente e de forma adequada a seu nível cognitivo não apenas em casos onde ela realmente perde alguém, a consciência sobre a sua própria finitude e a naturalidade diante da morte, dada a sua inevitabilidade devem fazer parte de sua formação.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Obrigada!

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O robô que ajuda a entender o autismo

O robô que ajuda a entender o autismo
O Adroide Bandit capta expressões faciais de crianças com o transtorno e auxilia a criar novas intervenções
 
Reprodução
O acompanhamento do movimento ocular mostram que crianças autistas costumam ter mais interesse por objetos do que por faces humanas. A curiosidade é maior pelas máquinas, segundo especialistas, por causa da previsibilidade de movimento. Com base nesses dados, pesquisadores da Universidade da Califórnia do Sul criaram Bandit – um “garoto-robô” programado para estimular empatia em meninos diagnosticados com o distúrbio.

Com sensores infravermelhos e câmeras no lugar dos olhos, o robô calcula o tipo de abordagem: se a criança se afasta, ele evita movimentos bruscos; se ela se aproxima, inclina levemente a cabeça ou levanta os braços, de forma a incentivá-la a imitar os movimentos.

“Bandit interagiu com 14 autistas com menos de 9 anos. A maioria foi receptiva aos estímulos e revelou curiosidade”, diz a diretora do laboratório, Maja Mataric. Segundo ela, as imagens captadas pelas câmeras-olhos do robô têm ajudado os pesquisadores aidentifi car expressões que demonstram interesse ou mesmo afeto em autistas, o que pode contribuir para elaborar novas intervenções. “Pretendemos aperfeiçoá-lo para interagir com pessoas com Alzheimer e idosos que vivem sozinhos”, diz Maja. Para conferir um vídeo que registra a interação entre Bandit e um pesquisador, basta acessar www.youtube.com/watch?v=H-jmQ69n73s

http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_robo_que_ajuda_a_entender_o_autismo.html

CURSO DE EXTENSÃO UFMG


CURSO DE EXTENSÃOAVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO MULTIPROFISSIONAL NOS TRANSTORNOS DA APRENDIZAGEM E DA ATENÇÃOABRIL A DEZEMBRO DE 2012

Coordenadores
Profa. Dra. Simone Aparecida Capellini (FFC/UNESP)
Dra. Giseli Donadon Germano (Laboratório de Investigação dos Desvios da Aprendizagem/FFC)




Corpo Docente

Profa. Dra. Simone Aparecida Capellini – FFC/UNESP-Marília-SP
Dra. Niura Aparecida de Moura Ribeiro Padula – FM/UNESP-Botucatu – SP
Dra. Giseli Donadon Germano – FFC/UNESP-Marília-SP
Dra. Lara Cristina Antunes dos Santos – FM/UNESP – Botucatu – SP
Ms. Adriana Marques de Oliveira – FFC/UNESP-Marília-SP
Ms. Maria Dalva Lourenceti – FM/UNESP-Botucatu – SP
Ms. Olga Valéria Campana dos Anjos Andrade - FFC/UNESP-Marília-SP
Ms. Andrea Oliveira Batista - FFC/UNESP-Marília-SP
Alessandra Aranda Nicolau – FFC/UNESP-Marília-SP
Maryse Tomoko Matsuzawa Fukuda – FFC/UNESP-Marília-SP
Paola Matiko Martins Okuda – FFC/UNESP-Marília-SP
Ms. Cláudia da Silva – FFC/UNESP-Marília-SP
Ms. Fábio Henrique Pinheiro - FFC/UNESP-Marília-SP
Ms. Maria Nobre Sampaio - FFC/UNESP-Marília-SP
Ms. Vera Lúcia Orlandi Cunha - FFC/UNESP-Marília-SP
Maíra Anelli Martins - FFC/UNESP-Marília-SP
Natália Fusco - FFC/UNESP-Marília-SP
OBS: O corpo docente do curso é formado por alunos do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia e membros integrantes do Grupo de Pesquisa do CNPq “Linguagem, Aprendizagem, Escolaridade” e integrantes do Laboratório de Investigação dos Desvios da Aprendizagem – LIDA/FFC/UNESP


Objetivos
Este curso de extensão tem por objetivo discutir os princípios da avaliação e intervenção multidisciplinar dos transtornos da aprendizagem e os transtornos da atenção em uma perspectiva clínica e educacional, oferecendo assim, suporte técnico-científico para prática profissional clínica e educacional com escolares que apresentam dislexia, transtornos de aprendizagem e transtorno do déficit de atenção em hiperatividade.



Justificativa
Dentre os problemas de aprendizagem, a dislexia, o transtorno de aprendizagem e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade veem despertando o interesse de pesquisadores e profissionais da área da saúde e da educação na busca de proporcionar melhores condições de ensino-aprendizagem para estas populações. Desta forma, criar um espaço por meio de um curso de extensão para que pesquisadores da Universidade e profissionais das áreas da saúde e da educação possam discutir os pressupostos teóricos e as melhores estratégias de avaliação e intervenção no contexto clínico e educacional parece o caminho ideal para melhorar as condições de aprendizagem destas populações. Assim, esta proposta visa propiciar uma relação bidirecional entre Universidade e comunidade de profissionais das áreas da saúde e da educação para melhor compreensão dos transtornos da aprendizagem e da atenção e, assim, melhor a qualidade de vida acadêmica e social destes escolares.


Conteúdo Programático

Módulo 1: Fundamentos neuropsicolinguísticos da aprendizagem – 3 hs (28/04)
Unidade 1: Aspectos neurológicos da aprendizagem
Unidade 2: Aspectos cognitivo-linguísticos da aprendizagem

Módulo 2: Aprendizagem da Leitura e da Escrita – 3 hs (28/04)
Unidade 1: Aprendizagem da leitura e da escrita

Módulo 3: Diagnóstico diferencial dos problemas de aprendizagem – 6 hs (12/05)
Unidade 1: Definição, classificação e etiologia

Módulo 4: Dislexia – 18 hs (19/05, 26/05 e 09/06)
Unidade 1: Avaliação neurológica – 3hs
Unidade 2: Avaliação e intervenção pedagógica – 3hs
Unidade 3: Avaliação e Intervenção fonoaudiológica – 6hs
Unidade 4: Avaliação e intervenção neuropsicológica – 6hs

Módulo 5: Disortografia – 12hs (23/06 e 07/07)
Unidade 1: Avaliação da ortografia – 6hs
Unidade 2: Intervenção com a disortografia – 6hs

Módulo 6: Disgrafia – 6hs (21/07)
Unidade 1: Avaliação e intervenção com a percepção visual- 2hs
Unidade 2: Avaliação e intervenção com a função motora fina- 2hs
Unidade 3: Escalas para avaliação da disgrafia – 2hs

Módulo 7: Discalculia – 6hs (11/08)
Unidade 1: Avaliação e intervenção com a discalculia- 6hs

Módulo 8: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH – 24hs (25/08; 15/09; 29/09 e 20/10)
Unidade 1: Avaliação neurológica – 6hs
Unidade 2: Avaliação e Intervenção fonoaudiológica – 6hs
Unidade 3: Avaliação e intervenção pedagógica – 6hs
Unidade 4: Avaliação e intervenção neuropsicológica – 6hs

Módulo 9: Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação – TDC – 6hs (27/10)
Unidade 1: Avaliação e intervenção – 6hs

Módulo 10: Intervenção precoce com os transtornos de aprendizagem – 18hs (10/11; 24/11 e 08/12)
Unidade 1: Modelo de resposta a intervenção com professores – 6hs
Unidade 2: Modelo de resposta a intervenção comas crianças – 6hs
Unidade 3: Intervenção com habilidades musicais– 6hs

Módulo 11: Avaliações complementares – 6hs (15/12)

Data de Realização
- Abril a Dezembro de 2012
- Aulas aos sábados das 8hs as 14hs
- Carga Horária: 108 horas/aula



Local de Realização
FUNDEPE - Fundação para o Desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Extensão
Av. Vicente Ferreira, 1346 - Cascata
CEP: 17515-000 - Marília/SP
Fone: (14) 3311-9500


Investimento
InscriçãoR$ 77,00
Mensalidade (10x)R$ 252,00
* Documentação poderá ser solicitada.
**Não haverá devolução de taxas no caso de desistência.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Déficit de atenção atinge 10 milhões de brasileiros

Transtorno conjugado com hiperatividade é mais percebido em crianças que em adultos. Elas têm dificuldade de ser concentrar na escola e mantêm constante atitude desafiadora
Uma turma com 20 crianças tem pelo menos uma com TDAH, segundo índices constatados pela Organização Mundial da Saúde e confirmados por pesquisas no Brasil, apontando a doença em cerca de 5% da população
Marcio Maturana

O filho de Jacineide Pereira de Souza aumentava as preocupações da mãe neste período de volta às aulas. Ela mesma conta que, desatento e "respondão", ele nunca fazia o dever de casa e saía de sala a toda hora. Como 10 milhões de brasileiros, o menino tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Repetiu a 5ª série duas vezes, abandonava cursos, não concluía tarefas, não sossegava. Até que Jacineide descobriu que se trata de doença que também atinge seu pai, sua irmã e dois de seus sobrinhos. A herança genética é o principal fator determinante para o TDAH, que não tem cura, mas tem tratamento.

— Hoje é mais fácil identificar esse transtorno, principalmente em meninos. Antes, adultos sofriam acidentes de trânsito frequentes e não sabiam a razão. O diagnóstico muda completamente a vida da pessoa — afirma o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva.

Há três tipos principais de TDAH: com predomínio da desatenção, com predomínio da hiperatividade-impulsividade, e o combinado. A dificuldade em manter a atenção é encontrada nos três casos.

O problema acontece devido a falhas nos neurotransmissores da região frontal do cérebro, e o diagnóstico é feito em entrevista com o médico. Exames são apenas complementares, como explica o psiquiatra Paulo Mattos, autor do livro No Mundo da Lua, sobre déficit de atenção:

— Existem doenças que você tem ou não tem, e isso um exame detecta. É o caso de Aids, câncer ou hepatite. Mas há doenças que você tem quando passa de um certo grau, como diabetes. Por isso, todos apresentamos um ou outro sintoma de TDAH. Eu ficaria preocupado se encontrasse alguém que não tem nenhum sintoma.

Acidentes e perdas

Em adultos, o transtorno parece mais brando porque a pessoa cria mecanismos de defesa, segundo o professor Moacir Alfran, que atende o filho de Jacineide e outros 15 estudantes no Centro de Ensino Fundamental do Bosque, em São Sebastião (DF).

— Por volta dos 18 anos, o portador de TDAH já desenvolveu alguns truques, como conversar escrevendo, mas antigamente até se pensava que essa doença acabava na adolescência — diz Moacir.

A publicitária Ana Clara Rocha, 31 anos, confirma o que Moacir fala sobre truques. Ela conta que só recentemente leu um livro com dicas sobre como conviver com o TDAH, pois recebeu o diagnóstico há apenas dois anos. Mas os truques não resolvem tudo.

— Em 2011 bati o carro seis vezes e perdi quatro celulares. Como a família já me conhece, fico mais desconfortável em novos ambientes, onde logo passo a chamar atenção pelo excesso de movimentos ou por fazer muito barulho. Mas o pior é no trabalho, onde as pessoas têm que falar comigo umas três vezes até eu assimilar. Minha chefe anterior, brincando, deixava um tubo de cola na cadeira como se fosse para me grudar e eu ficar quieta por um tempo.

Ana Clara revela que já passou por crises de síndrome do pânico e de transtorno bipolar. São duas comorbidades, distúrbios associados que são desenvolvidos pela maioria das pessoas que têm TDAH. Muitas vezes elas dificultam o diagnóstico e geralmente exigem medicação própria. Podem ser até mais graves que a doença básica.

TOC e dislexia

Durante a vida de quem tem TDAH, pode haver desaparecimento de algumas comorbidades e surgimento de outras, mas as mais comuns são os transtornos de conduta, de ansiedade, opositivo-desafiador, depressivo e de humor bipolar. Com menos frequência, há também os transtornos obsessivo-compulsivo (TOC), de aprendizagem (dislexia, disfonia, discalculia, disgrafia etc), de tiques, de ciclo do sono e de uso de substâncias químicas. Esse último, aliado ao transtorno de conduta, é um grave risco para adolescentes.

— Sem acompanhamento e longe da escola, quem tem TDAH vira presa fácil das drogas, pois elas mexem com os neurotransmissores. E o traficante adora porque vê a possibilidade de aliciar um cúmplice ativo e sagaz — alerta o professor Moacir.

Por isso, a família, logo que conhece o diagnóstico e inicia o tratamento, deve se informar o máximo para saber a melhor forma de agir, como recomenda Iane Kestelman, presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Ela tem um filho com TDAH e conta que praticamente toda a equipe da associação é composta por portadores da doença, parentes ou médicos e psicólogos voluntários.

O que Iane indica tem dado certo com o filho de Jacineide. Hoje, sob tratamento, ele tem conseguido ótimos resultados na oitava série e conquista medalhas de judô.

Professor Moacir ouve a história de Jacineide, junto com um sobrinho que tem TDAH
http://www.senado.gov.br/noticias/jornal/noticia.asp?codNoticia=114062&dataEdicaoVer=20120207&dataEdicaoAtual=20120207&codEditoria=521&

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

IX Congresso Brasileiro de Psicopedagogia da ABPp

”Diálogos entre Neurociências, Saúde Mental e Educação”


IX Congresso Brasileiro de Psicopedagogia da ABPp – CBPp acontecerá de 5 a 8 a de julho de 2012, em São Paulo, no campus Paraiso-Vergueiro da Universidade Paulista - UNIP. Durante o nosso tradicional evento trianual, estarão reunidos os mais conceituados profissionais da área, incluindo psicopedagogos, educadores, psicólogos, psiquiatras, neurologistas e outros parceiros envolvidos com o processo da aprendizagem, para discutir e apresentar trabalhos teóricos e vivências práticas da atuação psicopedagógica nos diferentes âmbitos. 


http://www.abpp.com.br/apresentacao.htm

X Simpósio Internacional da Associação Brasileira de Dislexia

O X Simpósio Internacional da Associação Brasileira de Dislexia - ABD, com o título “Cérebro Aprendizagem e Cognição ” ocorrerá em 6, 7 e 8 de setembro de 2012 , na cidade de São Paulo

Teremos a presença de profissionais da China, Estados Unidos, Portugal e Índia, além do Brasil, que trarão contribuições significativas sobre a dislexia de cada país, onde há códigos linguísticos diferentes dos nossos, mas ao mesmo tempo, aspectos em comum.

As últimas pesquisas realizadas com disléxicos avaliados na ABD mostrarão a importância dos resultados encontrados, ajudando-os e orientando-os em seus acompanhamentos.

E a Discalculia? E o TDAH? São comorbidades importantes que aparecem ou não com a dislexia?

Será que o tratamento realizado com disléxicos de uma classe menos favorecida tem o mesmo sucesso?

E como sensibilizar nossos disléxicos? Os professores dos disléxicos? Os pais dos disléxicos? Os profissionais que os acompanham? A Arteterapia é um dos caminhos?

Todas estas reflexões poderão ser compartilhadas neste evento.

Por que as crianças estão cada vez mais infelizes?

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/por-que-as-criancas-estao-cada-vez-mais-infelizes


Por que as crianças estão cada vez mais infelizes?

Especialistas em saúde infantil chamam a atenção para uma epidemia silenciosa que afeta a saúde mental das crianças que, ainda pequenas, precisam lidar com as pressões da sociedade moderna


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Não são os adolescentes que não têm limites, são os pais"

Psicoterapeuta e autor fala das principais dificuldades no relacionamento com filhos adolescentes e ensina a evitar erros comuns

Muitos pais apelidam (não tão) carinhosamente de “aborrescência” aquela fase da vida em que, eventualmente, o filho chega da escola e se tranca no quarto até a hora do jantar. O período é complicado e poucos pais sabem como lidar com ele, mas uma coisa é certa: adolescentes ainda precisam dos pais. 


Segundo o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, autor do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? Como construir um projeto de vida juntos” (Editora Integrare), nem tudo que o adolescente faz é por birra ou pura rebeldia. E, antes de culpá-los por um relacionamento distante, os pais também devem notar os próprios erros. Leia entrevista concedida ao Delas.

iG: O que você percebe na relação entre pais e filhos adolescentes hoje em dia que o fez escrever o novo livro? Existem muitas dificuldades? 
Leo Fraiman: Ao longo dos últimos anos venho sentindo, tanto como psicoterapeuta quanto como educador, uma onda de abandono muito grande nas famílias brasileiras. Em nome de ser moderno, de ser amigo do filho, de se estar muito ocupado, os pais acabam largando os filhos precocemente, como se os adolescentes não precisassem mais de cuidados. Mas é durante a adolescência que o cérebro está começando a treinar a capacidade de decisão, de consequência dos atos e, com isso, os pais devem continuar por perto. 

iG: Como os pais de adolescentes costumam agir diante destas dificuldades?
Leo Fraiman: 
Criam-se três papéis comuns: os pais negligentes, os permissivos e os autoritários. Essas características podem trazer muitos danos aos jovens. Vejo que eles não querem crescer e acabam desprezando a própria vida: bebem muito, usam drogas, se tornam promíscuos. Eu já ouvi muitos pais dizerem que os filhos não queriam nada com nada, mas isso acontece porque o filho não se sentia amado e cuidado. E então surgiu a ideia do livro, para reafirmar o significado de “família”: pessoas que querem participar umas das vidas das outras e manterem uma cumplicidade entre elas. 

iG: Há muitas diferenças entre criar um adolescente no mundo de hoje e na geração anterior?
Leo Fraiman: Muitas. Anteriormente os pais tinham respeito por eles mesmos. O que falavam estava falado e ponto final. Hoje os pais não têm limites. Não é o adolescente que não tem limites, são os pais. Eles querem ir à academia, namorar, curtir a vida, cuidar da carreira e, enquanto isso, deixam o filho com o terapeuta, com a babá, com o personal trainer. Ou seja: com ninguém. 

As famílias estão menores, as cidades mais violentas e os adolescentes são criados de uma maneira mais isolada e dentro das redes sociais. Antigamente os filhos tinham que esperar para ganhar presentes, hoje a criança leva um presente para casa ao retornar da padaria com o pai. Vivemos em uma cultura de abandono e imediatismo e é quase como se tivéssemos um padrão adolescente, de que agir como um adolescente é a melhor ideia. O problema em gerar uma cultura em que o melhor é agir como um adolescente é comunicar ao adolescente que ele é o rei do universo – e que crescer é uma porcaria.

O problema em gerar uma cultura em que o melhor é agir como um adolescente é comunicar ao adolescente que ele é o rei do universo – e que crescer é uma porcaria.
iG: E hoje, qual você acha que é o papel ideal dos pais na vida do filho adolescente? 
Leo Fraiman:
 O papel do pai é ser participativo, mas este é o maior desafio também. O pai participativo é aquele que equilibra afeto e firmeza. Sabe dar carinho, elogio e afago, mas ao mesmo tempo sabe manter a palavra e não cai na chantagem emocional do filho. E é esse o pai que não negocia uma boa educação e os cuidados com a saúde. É aquele pai que se esforça para jantar junto, que vai buscar o filho em uma balada – mas em um horário adequado –, que abraça o filho, que vê o boletim e discute o que está sendo aprendido.

iG: Você afirma que o adolescente pode se afastar dos pais por sentir que não é valorizado. Existem outras razões para isso acontecer?
Leo Fraiman:
 A vontade de conviver é natural quando o outro me entende, me respeita e se importa. Quando os filhos sentem que os pais estão em uma relação puramente hierárquica, sempre dizendo que o filho precisa ouvir e se explicar, acaba se afastando. Claro que ele tem esta necessidade natural de conversar, de debater e se posicionar, de confrontar e testar limites, mas os pais devem entender que o comportamento do filho nesta hora não é um problema, mas uma característica. 

iG: Há características comuns dos adolescentes que acabam sendo vistas como rebeldia?
Leo Fraiman:
 Assim como na terceira idade é natural uma pessoa caminhar mais lentamente, durante a adolescência, a impulsividade, o mau humor e a vontade de romper limites também são características naturais. Isso acontece de acordo com mudanças neurológicas, e não porque o filho está fazendo algo contra o pai. Os pais costumam achar que é birra, mas é preciso entender a natureza do adolescente e procurar um papel de cúmplice, e não mais de dono da bola. 
iG: Como lidar com esta natureza do adolescente?
Leo Fraiman: 
Se o pai entende que a irritabilidade de um adolescente é natural, por exemplo, ele não ficará tentando colocar imposições no meio do furacão. O filho, às vezes, vai ficar emburrado e nem toda discussão vai acabar bem. Mas o pai não pode se esquivar. O limite, nesta hora, seria o pai entender que o filho está em uma fase singular, com as emoções à flor da pele, quando tudo é mais intenso, e ser autoritário ou muito permissivo é uma péssima ideia. Ser um pai participativo é, realmente, um grande desafio. Mas é a maior chance que os pais têm de colher o mérito no futuro, com uma família unida, saudável e madura.

iG: Além de serem permissivos, negligentes ou autoritários, que outros erros os pais cometem na criação dos filhos adolescentes? 
Leo Fraiman: 
Comparar um filho com o outro, comparar com a própria adolescência, comparar com o ideal. Dizer: “eu queria que você fosse médico, que você fosse diferente do que você é”. Tentar escolher a profissão do filho, não se interessar pela escola do filho, não comparecer a reuniões e falar mal do marido ou da esposa para ele são todos grandes erros. É preciso lembrar que filho é filho: não é terapeuta, não é amigo, nem padre. É filho. 

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O pai participativo é aquele que equilibra afeto e firmeza. Sabe dar carinho, elogio e afago, mas ao mesmo tempo sabe manter a palavra e não cai na chantagem emocional do filho.
iG: E é possível os pais contornarem estes erros tão comuns? 
Leo Fraiman:
 O pai precisa entender que sempre é possível contornar, mas o filho tende a desconfiar se o pai se manteve distante por tanto tempo e, de repente, age mesmo como se tivesse um filho. Contornar essa situação é um trabalho de meses – não é em uma semana que o pai irá conseguir mudar a credibilidade. O filho irá se abrir quando sentir que, continuamente, os pais têm esse interesse real. Mas não acontecerá em 15 minutos, se até os 15 anos de idade ele sentiu que os pais não se importavam muito. 

iG: Até que ponto os pais podem ajudar o filho adolescente na formação do próprio futuro, sem decidir por ele, nem deixá-lo sozinho?
Leo Fraiman:
 Eles podem ajudar dando menos opinião e mais informação. Debatendo mais, escutando mais, dando ao filho uma noção maior da importância de todas as profissões, mostrando as opções que hoje existem no mundo. Mas ficar dando palpite é uma atitude tola: os pais até então provavelmente não conhecem todas as opções do mercado, não sabem quais são as grandes tendências e, muitas vezes, não conhecem os filhos. Ajudar a escolher o futuro baseado em palpite pode ser muito perigoso. 

iG: Como agem o pai autoritário, o pai permissivo e o pai participativo diante do futuro do filho?
Leo Fraiman: 
Os pais autoritários usualmente colocam regras, dizem “filho meu não vai fazer isso” e adoram levantar o dedo. Os pais permissivos podem acabar deixando o filho solto e aí, quando vê, ele não quer nada. O pai participativo leva o filho às feiras de educação, vê guias de carreira junto com o adolescente, entra em contato com amigos que trabalham em áreas que o filho se interessa. O pai participativo é um co-piloto e nunca tenta ser o comandante.

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