Vale a pena divulgar...
O Projeto Bom Começo, fruto da parceria entre a Fundação Hospital de Olhos e a Universidade Federal de Minas Gerais, foi ganhador do Prêmio Top Socioambiental ADVBMG, que visa evidenciar as organizações que demonstram na prática uma efetiva preocupação com o desenvolvimento igualitário, cultural e ambiental do Brasil.
Desde 2006, milhares de crianças de todo o país vêm sendo beneficiadas pelo Projeto, que ao tornar possível a identificação e o acompanhamento dos casos de Distúrbios de Aprendizagem Relacionados à Visão em crianças e adolescentes ainda em sala de aula, como a Síndrome de Irlen e a Dislexia, permite o efetivo aprendizado nas escolas seja da rede pública ou privada. Sempre voltado para a saúde visual e o seu impacto na educação, o Projeto Bom Começo já capacitou mais de 1.300 profissionais, de 20 estados brasileiros, a lidarem com os déficits visuais que prejudicam principalmente a leitura e a escrita e vem crescendo cada dia mais.
O Prêmio será consolidado no dia 30 de junho, no Centro Mineiro de Referência em Resíduos – CMRR, em Belo Horizonte e segundo a presidente da ADVBMG, Gisele Lisboa, esta é a oportunidade de prestigiar e apoiar empresas que são referência em excelência de gestão empresarial e ainda possuem projetos inovadores com caráter social. “Como não poderia deixar de ser, o Projeto Bom Começo é merecedor deste prêmio não só por sua relevância e pioneirismo, mas também por não ser exclusivo a uma parcela da sociedade, beneficia a todos, não só em Minas Gerais, mas crianças de todo o Brasil”, explica. Para a presidente, o voto unânime dos jures é sinal da grandeza do trabalho desenvolvido pela Fundação em parceria com a UFMG e que “o Projeto serve como estímulo aos outros trabalhos socioambientais desenvolvidos no país”, completa.
A Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil de Minas Gerais (ADVB MG) objetiva fomentar as relações de negócios e promover a capacitação, relacionamento e reconhecimento à excelência da gestão empresarial. Em quase três anos de atuação no estado, a entidade já promoveu e participou de encontros essências à visibilidade e evolução do cenário econômico mineiro.
http://www.dislexiadeleitura.com.br/noticias.php?codigo=145
Sobre Psicopedagogia Clínica e áreas afins. Troca de informações sobre temas relacionados. Divulgação de textos, congressos, sites e blogs. Para profissionais, famílias e estudantes. Meramente informativo. Textos e informações que não são de autoria própria têm os créditos devidamente mencionados e endereços divulgados. Agendamentos para Avaliação Psicopedagógica (crianças - jovens - adultos) - Intervenções - Supervisão de casos: niblia@ig.com.br
terça-feira, 31 de maio de 2011
Crianças do Canadá receberão atenção especial em sala de aula
O Projeto Bom Começo - Programa de Acompanhamento da Saúde na Escola (PBC) -, desenvolvido por meio de uma parceria entre a Fundação Hospital de Olhos e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi um dos vencedores do edital Martha Piper Research, que prevê a implantação do projeto no Canadá com financiamento da Universidade de British Columbia. Visando promover o efetivo aprendizado nas salas de aulas, o Projeto Bom Começo possibilita a identificação e o acompanhamento de crianças com distúrbios visuais, evitando que estes lhes prejudiquem o desempenho escolar e o desenvolvimento de tarefas diárias.
Com o financiamento, as tecnologias desenvolvidas através da parceria com a UFMG serão compartilhadas com a instituição canadense responsável pela implementação do projeto na província de British Columbia.
“Fornecendo a tecnologia para implantação do projeto, será possível identificar e monitorar os problemas que tornam a leitura mais lenta e segmentada, que comprometem a velocidade de cognição, memorização e desenvolvimento educacional das crianças”, destaca o oftalmologista e presidente da Fundação Hospital de Olhos, Dr. Ricardo Guimarães.
Cerca de 200 crianças do ensino infantil receberão o projeto piloto, que sendo bem sucedido, poderá ser expandido para toda a província canadense. Segundo Guimarães, o diagnóstico precoce destes problemas possibilita maior estruturação de estratégias compensatórias, com sensibilidade e atendimento multidisciplinar. “Quando uma criança é identificada com algum destes transtornos, na idade de 5 a 6 anos, o prognóstico é mais favorável e o processo de reabilitação é rápido”, avalia.
Vale destacar que a extensão do Projeto Bom Começo ao Canadá foi possível através de uma parceria firmada com a entidade canadense HELP - Human Early Learning Partnership - que compartilha com a Fundação Hospital de Olhos o desejo de reduzir a vulnerabilidade das crianças em fase escolar, aumentando consideravelmente suas chances de sucesso durante toda a vida adulta.
Bom Começo
Iniciado em 2006, o projeto da Fundação Hospital de Olhos em parceria com a UFMG já alcançou grande repercussão, em 20 estados brasileiros. Mais de 1300 profissionais da saúde e educação participaram de cursos ministrados pela instituição e estão aptos a identificar e abordar os distúrbios de aprendizagem relacionados à visão. O objetivo é potencializar a educação de crianças e jovens ao mostrar a importância da avaliação da saúde ocular e do processamento cerebral da visão
http://www.dislexiadeleitura.com.br/noticias.php?codigo=144
VII CURSO DE FÉRIAS DE NEUROPSICOLOGIA: DIAGNÓSTICO NEUROPSICOLÓGICO DOS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM
MODULO TEÓRICO
11 a 15 de julho, das 08:00 às 12:00 horas
COORDENADOR DOCENTE/PALESTRANTE
Prof. Dr. Vitor Geraldi Haase
Professor Adjunto do Departamento de Psicologia – UFMG
Coordenador do Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento – UFMG
Ênfase na prática clínica
MÓDULO PRÁTICO (OPCIONAL)
12 e 14 de julho, das 14:00 às 18:00 horas
COORDENADORA DISCENTE/ PALESTRANTE
Lívia de Fátima Silva Oliveira
Bacharel em Psicologia – UFMG
Pesquisadora do Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento – UFMG
O curso tem como objetivo habilitar os profissionais para que sejam capazes de identificar os transtornosespecíficos de aprendizagem, através de um exame neuropsicológico inicial
domingo, 29 de maio de 2011
Critérios para passagem a Associado Titular da ABPP
I. Ser associado contribuinte da ABPp há pelo menos 3 (três) anos consecutivos e estar em dia com o pagamento da anuidade;
II. Apresentar certificado de Curso de Especialização em Psicopedagogia;
III. Comprovar o exercício efetivo de atendimento psicopedagógico, em consultório ou instituição, pelo período de 5 (cinco) anos, no mínimo;
IV. Redigir e ler a Comissão de Reconhecimento, um Memorial descrevendo sua trajetória profissional;
V. Apresentar Curriculum Vitae Comprovado, xerocado de maneira cronológica;
VI. Apresentar atestado de Supervisão com psicopedagogo de, no mínimo, 5 (cinco) anos;
VII. Apresentar Atestado de Terapia pessoal de, no mínimo 3 (três) anos;
VIII. Comprovar a participação, como congressista, em pelo menos um Congresso de âmbito Nacional e outro regional promovido pela ABPp;
IX. Contribuições do Associado Titular: além da anuidade como associado contribuinte, o associado titular deverá pagar para a ABPp Nacional a anuidade referente à sua titularidade com vencimento em maio de cada ano.
ABPP SP
terça-feira, 24 de maio de 2011
O que é discalculia?
Um grande número de crianças, adolescentes e adultos têm atitudes negativas em relação à matemática. Em muitos casos as atitudes negativas podem estar relacionadas à fobia ou ansiedade matemática, podendo, inclusive, ser atribuídas a experiências traumáticas com a aprendizagem desta matéria.
Uma parcela significativa de crianças em idade escolar apresenta, entretanto, dificuldades persistentes na aprendizagem da matemática. Quando as dificuldades persistentes na aprendizagem da matemática não podem ser atribuidas a fatores extrínsecos, tais como déficits intelectuais, neuromotores ou neurossensoriais, nem a dificuldades emocionais, falta de estimulação ou experiências educacionais inadequadas, é realizado o diagnóstico de transtorno específico de aprendizagem da matemática (CID-010 F81.2) ou discalculia do desenvolvimento.
A discalculia do desenvolvimento compromete cerca de 3% a 6% da população em idade escolar, sendo diagnosticada com base em uma avaliação neuropsicológica criteriosa que exclui a influência primária de fatores extrínsecos. Além da exclusão da influência primária de outras causas, o diagnóstico de discalculia do desenvolvimento exige que o déficit seja grave e persistente.
A gravidade pode ser avaliada por meio de teste padronizados de desempenho escolar, tais como o TDE (Teste de Desempenho Escolar). Diversos critérios podem ser adotados. Geralmente o desempenho deve situar-se abaixo do percentil 5 ou deve haver uma discrepância de dois anos entre o nível de desempenho da criança e a série escolar que ela freqüente. Um outro critério freqüentemente adotado, é que haja uma discrepância de 1 a 2 desvios-padrões entre o desempenho em matemática e a inteligência da criança.
A persistência das dificuldades é caracterizada pela sua observação em dois momentos distintos com um intervalo de pelo menos um ano, ou então, pela ausência de resposta satisfatória a intervenções psicopedagógicas bem planejadas e bem conduzidas.
A discalculia do desenvolvimento deve ser diferenciada de uma outra categoria freqüente utilizada em pesquisas, as dificuldades de aprendizagem em matemática. Muitos pesquisadores investigam o desempenho de crianças com desempenho baixo em matemática, geralmente abaixo do percentil 25 ou até mesmo do percentil 35, sem caracterizar mais precisamente a etiologia e as caracterísitcas cognitivas associadas. Muitas das crianças com dificuldades de aprendizagem da matemática apresentam discalculia, mas nem todas. As pesquisas ainda não identificaram se existem diferenças qualitativas de desempenho aritmético e cognitivo enre as crianças com dificuldades de aprendizagem da matemática e aquelas com discalculia.
A discalculia do desenvolvimento consiste, fundamentalmente em uma dificuldade crônica básica de aprender a aritmetica. Os sintomas geralmente se manifestam já na idade pré-escolar, quando a criança tem dificuldades para aprender a contar, bem como a utilizar outros conceitos numéricos ou relacionados à estimação de quantidades. Além da dificuldade com a contagem a criança pode ter dificuldades com a aprendizagem dos conceitos (quantificadores) de mais e de menos, pouco ou muito, antes e depois, com a aquisição das noções de tempo e, muitas vezes, também com as noções de espaço.
Uma das características principais dos individuos com discalculia é a dificuldade de aprender a tabuada. Algumas crianças simplesmente têm muita dificuldade para memorizar os fatos aritméticos. Estas crianças persistem contando nos dedos, mesmo quando isto não é funcional. Quase todas as crianças aprendem a contar nos dedos. Mas, depois de um certo tempo, a contagem nos dedos é indicativa de dificuldades.
A aritmética é uma área do conhecimento organizada hierarquicamente. A aquisição de novos conhecimentos em aritmética depende da consolidação de conceitos e procedimentos previamente adquiridos. As dificuldades na aquisição dos princípoios da contagem retardam a intuição das operações aritméticas elementares. A adição é inferida a partir da contagem. A adição corresponde a contar dois conjuntos em seqüência. As outras operações são todas derivadas da adição. A multiplicação consiste em uma adição repetida, enquanto a subtração corresponde ao inverso da adição etc.
A dificuldade na aquisição da tabuada é extremamente incapacitante, muitas vezes impedindo que o indivíduo progrida na aquisição de conceitos e procedimentos mais complexos tais como o valor posiciconal, essencial à aquisição do sistema arábico, ou os algoritmos de cálculo no sistema arábico.
Os dados de pesquisa indicam que a discalculia do desenvolvimento é uma característica intrínseca ao indivíduo e não resultado da ação de outros fatores. Mesmo em famílias vivendo sob condições de privação cultural, econômica e afetiva é possível identificar algumas crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem da aritmética enquanto seus irmãos têm um desempenho adequado. Estudos com gêmeos também mostra que a herdabilidade da habilidade aritmética é alta.
Estudos com indivíduos portadores de síndromes neurodesenvolvimentais mostram que o fenótipo de muitas síndromes adquiridas ou genéticas se caracteriza por dificuldades relativamente específicas na aprendizagem da aritmética. A síndrome fetal alcoólica é a principal causa ambiental de discalculia do desenvolvimento. Por outro lado, as dificuldades de aprendizagem da aritmética fazem parte do fenótipo de diversas doenaçs genéticas, tais como hidrocefalia congênica precocemente tratada, síndrome de Williams, síndrome do sítio frágil do cromossoma X em meninas, síndrome de Sotos, síndrome de Prader-Willi, bem como as síndromes de Turner e velocardiofacial.
Estudos com neuroimagem estrutural e funcional em indivíduos com síndromes cujo fenótipo se caracteriza por discalculia mostram que as dificuldades de aprendizagem da matemática podem ser atribuídas a alterações na conectividade, estrutura e função de regiões do córtex parietal, bilateralmente. As lesões destas áreas do córtex parietal, principalmente o sulco intraprarietal bilateralmente,mas também o giro angular esquerdo, são responsáveis pelo surgimento de acalculia em adultos com lesão cerebral. Ou seja, pela perda da habilidade de processar números e calcular.
Os estudos de neuroimagem funcional em crianças com discalculia do desenvolvimento não-assocaida a síndromes também mostram alterações funcionais em áreas do córtex parietal e suas conexões. Os dados neuropsicológicos, neurocognitivos, a associação com síndromes genéticas e os estudos da herdabilidade das habilidades aritméticas indicam, portanto, que a discalculia do desenvolvimento é uma entidade neurobiologicamente baseada e de origem genética e não uma conseqüência exclusiva da experiência de vida.
A influência de fatores genéticos não exclui a importância de fatores ambientais, tais como a estimulação pela família, a qualidade da educação ou a atitude do indivíduo em relação à matemática. Nos casos de discalculia associada a síndrome a importãncia dos fatores ambientais é menor. Nos casos de discalculia não associados a síndromes, cresce a importância dos fatores experienciais.
Na psicologia e medicina contemporâneas se trabalha com um modelo etiológico denominado epigenético. Ou seja, as características fenotípicas individuais, inclusive suas personalidade e habilidades cognitivas, são o produto de um complexo processo de interação entre influências genética e ambientais. No caso de síndromes genéticas, geralmente são envolvidos um número relativamente reduzido de genes, de um até cerca de três ou quatro dezenas.
No caso de discalculia não relacionada a síndromes o número de genes envolvivos é muito maior, da ordem de até uma ou duas centenas. Os efeitos de cada um dos genes envolvidos é peqeno, mas os efeitos vão se adicionando ou, até mesmo, interagindo de formas complexas. No caso da discalculia não-relacionada a síndromes a iinfluência da experiência de vida é maior. As influências genéticas podem ser concebidas como fatores de risco que tornam ou indivíduo mais vulnerável a ter uma dificuldade de aprendiazagem. A interação entre os genes e o ambiente atua de forma probabilística na determinação do desfecho final. O fato de um indivíduo ser mais vulnerável a uma dada condição ou comportamento não implica em um determinismo absoluto, apenas em risco. O ambiente pode atuar de diversas formas para reduzir ou amplificar as dificuldades.
O diagnóstico de discalculia do desenvolvimento é extremamente importante. É apenas através do diagnóstico correto que se torna possivel planejar e implementar as intervenções necessárias para prevenir ou minorar as conseqüências negativas da dificuldade em matemática.
A discalculia do desenvolvimento se associa a diversas conseqüências negativas a longo prazo. Os adolescentes com discalculia persistente apresentam maior freqüencia de transtornos externalizantes (hiperatividade, comportamento antisocial) ou internalizantes (sintomas de ansiedade, depressão, baixa auto-estima) de comportamento.
A dificuldade crônica de aprendizagem desmotiva o indivíduo e contribui para que ele abane precocemente a escola, reduzindo assim sua qualificação acadêmica e profissional. Em adultos jovens foi observado que as dificuldades persistentes com a matemática são preditivas de menor renda e maior probabilidade de desemprego, mesmo quando a habilidade de leitura é estatisticamente controlada.
Os dados de pesquisa disponíveis indicam, portanto, que a discalculia do desenvolvimento é um transtorno que compromete uma parecela expressiva da população em desenvolvimento e economicamente ativa, revestindo-se de enorme potencial para prejudicar o desenvolvimento, bem-estar e realização pessoal.
A fisiopatologia, ou mecanismos pelos quais as disfunções neuromaturativas predispõem o indivíduo a ter dificuldades de aprendizagem da matemáica são o foco de intensas pesquisas no momento. Os dados de pesquisa mostram que a discalculia do desenvolvimento é uma entidade heterogênea, associando-se comorbidamente a uma série de outros transtornos, com diversos mecanismos cognitivos implicados.
Cerca de dois terços das crianças com discalculia apresenta comorbidades, ou seja, a presença simultânea de outras condições neurodesenvolvimentais. As principais comorbidades são com o transtorno do déficit de atenção por hiperatividae (TDAH) e com as dificuldades de aprendizagem da leitura e esrita (dislexia e disgrafia do desenvolvimento). A comorbidade com TDAH indica que déficits nas funções executivas e na memória de trabalho podem ser implicados nas dificuldades. Por outro lado, a associação com dislexia sugere que, em parte, as dificuldades podem ser atribuiveis a deficits no processamento fonológico, principalmente consciência fonêmica.
A discalculia do desenvolvimento tem também uma relação estreita com o transtorno não-verbal de aprendizagem (TNVA). O TNVA compromete cerca de 1% da população em idade escolar e consiste de dificuldades crônicas de aprendizagem caracterizadas por alterações na coordenação motora e processos somatosensoriais, dificuldades visoespaciais e discalculia. As dificuldades no TNVA são atribuíveis a um déficit na capacidade do indivíduo fazer inferências não-verbais que compromete seu desenvolvimento em diversos domínios. Comprometimentos secundários são observados também na área da percepção e auto-regulação emocional e do comportamento e cognição social, constituindo um fator de risco para desadaptação social, incapacidade. O TNVA caracteriza o fenótipo cognitivo das divesas síndromes que incluem a discalculia entre os seus sintomas.
O estudo das comorbidades indica que dificuldades com o controle executivo, memoria de trabalho, habilidades fonológicas e visoespaciasi são todos fatores cognitivos relevantes para a compreensão dos mecanismos cognitivos subjacentes à discalculia. Álém destes mecanismos tradiconalmente identificados, uma hipótese contemporânea é que a discalculia do desenvolvimento pode ser parcialmente ou ao menos em alguns casos atribúivel a um dérficit em um sistema primitivo e não-simbólico de representação de magnitudes (vide post abaixo sobre modelos cognitivos). A pesquisa sobre os mecanismos cognitivos na discalculia é uma questão complexa, desafiadora e extreamente relevante do ponto de vistá prático.
A relevância clínica, educacional e social da discalculia indica que mais pesquisas são necessárias para identificar suas causas, desenvolver métodos de diagnóstico e reconhecimento precoce e, principalmente, programas eficientes de intervenção para reverter ou minorar as dificuldades ou seu impacto.
O desenvolvimento de métodos de diagnóstico e intervenção eficazes requer uma estreita colaboração entre profissionais de saúde e educadores. As pesquisas sobre diagnóstico e intervenção podem se beneficiar da caracterização dos mecanismos cognitivos e genético-moleculares subjacentes às dificuldades.
Vitor Haase - UFMG
segunda-feira, 23 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Curso de Neuropsicologia aplicada à aprendizagem
04 de junho de 2011
Profª Cristina M. C. Dias
CREFONO 1- 0553-RJ
CREFONO 1- 0553-RJ
• Mestre em Linguistica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro
• Fonoaudióloga com especialização na área de Linguagem e Aprendizagem
• Docente em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de educação e saúde
• Fonoaudióloga com especialização na área de Linguagem e Aprendizagem
• Docente em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de educação e saúde
OBJETIVO
O curso tem por objetivo promover a atualização de profissionais que pretendam aprofundar os seus estudos na área neuropsicológica, para que possam discutir e formular estratégias que potencializem as funções neurocognitivas e facilitem o processo de aprendizagem.
PÚBLICO ALVO
Fonoaudiólogos, pedagogos, psicólogos e docentes na área da saúde e educação.
PROGRAMA
1. Introdução à Neuropsicologia de Luria e Vygotsky;
2. Funções Mentais Superiores e o desenvolvimento da aprendizagem;
3. Transtornos relacionados a aprendizagem;
4. Estratégias que podem potencializar as funções neuropsicológicas da aprendizagem, na prática cínica e educacional.
2. Funções Mentais Superiores e o desenvolvimento da aprendizagem;
3. Transtornos relacionados a aprendizagem;
4. Estratégias que podem potencializar as funções neuropsicológicas da aprendizagem, na prática cínica e educacional.
DATAS - HORÁRIOS – LOCAL
04 de junho de 2011 - 08 às 17h
Local: Auditório do Hospital Belo Horizonte
Local: Auditório do Hospital Belo Horizonte
INVESTIMENTO
a) Profissionais: à vista: R$ 120,00 à prazo: R$ 140,00 (2 x R$ 70,00)
b) Estudantes: à vista: R$ 90,00 à prazo: R$110,00 (2 x R$ 55,00)
b) Estudantes: à vista: R$ 90,00 à prazo: R$110,00 (2 x R$ 55,00)
INSCRIÇÃO
Fazer depósito na conta FONOHOSP - Banco do Brasil - Agência: 3609-9 Conta Corrente: 18451-9 e enviar ficha de inscrição (dados pessoais, email e tel fixo e cel) juntamente com o comprovante de depósito enviar para o telfax (31) 34497981
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Letras Espelhadas
Espelhar letras e números é comum no início da alfabetização.
Pesquisando sobre o assunto podemos ajudar os alunos a superar suas dificuldades.
Algumas trocas fazem parte, já que as crianças estão sistematizando suas hipóteses de escrita, porém alguns alunos espelham palavras e frases inteiras. Esta pode ser uma característica de DISGRAFIA. Mas isso não significa que as crianças que espelham letras e números sejam disgráficos! Os especialistas não consideram o ‘espelhamento’ um problema de aprendizagem, dependendo da idade da criança.
A disgrafia típica seria a escrita em espelho, ou escrita espelhada. A criança que escreve em espelho não tem uma representação estável dos traços componentes dos grafemas e possui apenas parte da informação, por isso, produz uma confusão e uma escrita em espelho.
Algumas trocas fazem parte, já que as crianças estão sistematizando suas hipóteses de escrita, porém alguns alunos espelham palavras e frases inteiras. Esta pode ser uma característica de DISGRAFIA. Mas isso não significa que as crianças que espelham letras e números sejam disgráficos! Os especialistas não consideram o ‘espelhamento’ um problema de aprendizagem, dependendo da idade da criança.
A disgrafia típica seria a escrita em espelho, ou escrita espelhada. A criança que escreve em espelho não tem uma representação estável dos traços componentes dos grafemas e possui apenas parte da informação, por isso, produz uma confusão e uma escrita em espelho.
Algumas das possíveis causas são:
-déficit no domínio da ação;
-da motricidade;
-da organização temporo-espacial;
-dominância manual;
-distúrbios de atenção;
-da memória.
As maiores dificuldades são situar as diversas partes de seu corpo, umas em relação às outras, as noções de alto, baixo, frente, atrás e sobretudo, direita e esquerda. Cada letra é percebida isolada e corretamente, mas as relações que a criança estabelece entre elas não são estáveis, dependem do sentido de deslocamento do seu olhar, esquerda-direita, ou vice-versa.
O motivo mais comum para as crianças em fase de alfabetização escreverem espelhado relaciona-se à imaturidade dos neurônios, que ainda não permite à criança um domínio completo de posições e direções espaciais. A lateralidade também pode estar indefinida, impossibilitando o aluno de transferir as noções de direita e esquerda para algo externo a si próprio, no caso, a folha de papel.
A construção da escrita é um dos últimos processos de aprendizagem e um dos mais complexos a ser adquirido pelo homem.
Fonte:artigo escrito por Sintian Schimidt.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Algumas perguntas e respostas... DISLEXIA
O que é a Dislexia?
A Dislexia se caracteriza por problemas na leitura. Quando a pessoa lê, ela pode não entender bem os códigos da escrita. A leitura pode ser lenta, silabada e a pessoa pode ter dificuldades em reconhecer até mesmo as palavras mais familiares.
A Dislexia é inesperada pois não tem uma causa evidente. A pessoa tem inteligência normal e condições adequadas em seu meio e em seu ensino, não apresenta doenças neurológicas ou psiquiátricas e não tem alterações significativas auditivas e visuais.
A dislexia é uma doença?
A dislexia não é considerada uma doença. Pessoas com dislexia apresentam um funcionamento peculiar do cérebro para os processamentos lingüísticos relacionados à leitura. O disléxico tem dificuldade para associar o símbolo gráfico, as letras, com o som que elas representam, e organizá-los, mentalmente, numa seqüência temporal . É uma dificuldade de linguagem inesperada, pois não está relacionada a problemas visuais, auditivos, lesões neurológicas,retardo, problemas psicológicos e sócio culturais.
Toda pessoa disléxica tem sempre problemas na leitura?
O que caracteriza a dislexia é a dificuldade para decodificar os símbolos escritos e reconhecer imediatamente as palavras, tendo como conseqüência dificuldades na compreensão dos textos.
A Dislexia se caracteriza por problemas na leitura. Quando a pessoa lê, ela pode não entender bem os códigos da escrita. A leitura pode ser lenta, silabada e a pessoa pode ter dificuldades em reconhecer até mesmo as palavras mais familiares.
A Dislexia é inesperada pois não tem uma causa evidente. A pessoa tem inteligência normal e condições adequadas em seu meio e em seu ensino, não apresenta doenças neurológicas ou psiquiátricas e não tem alterações significativas auditivas e visuais.
A dislexia é uma doença?
A dislexia não é considerada uma doença. Pessoas com dislexia apresentam um funcionamento peculiar do cérebro para os processamentos lingüísticos relacionados à leitura. O disléxico tem dificuldade para associar o símbolo gráfico, as letras, com o som que elas representam, e organizá-los, mentalmente, numa seqüência temporal . É uma dificuldade de linguagem inesperada, pois não está relacionada a problemas visuais, auditivos, lesões neurológicas,retardo, problemas psicológicos e sócio culturais.
Toda pessoa disléxica tem sempre problemas na leitura?
O que caracteriza a dislexia é a dificuldade para decodificar os símbolos escritos e reconhecer imediatamente as palavras, tendo como conseqüência dificuldades na compreensão dos textos.
Com que idade pode ser feito um diagnóstico de dislexia? Quais profissionais fazem esse diagnóstico?Podemos suspeitar a presença da dislexia desde cedo, principalmente na época da alfabetização, quando a leitura e escrita são formalmente apresentadas à criança. Um diagnóstico mais preciso é feito a partir da 2ª série, após dois anos de aprendizagem da leitura. Mas havendo sinais de dificuldades nas áreas de linguagem, um atendimento adequado deve ser iniciado antes mesmo da alfabetização.
Os profissionais que podem realizar este diagnóstico são fonoaudiólogos trabalhando junto aos psicólogos especializados no assunto. Quando necessário, podem ser solicitados exames complementares (neurológico, neuropsicológico, processamento auditivo central, neuroftalmológico)
Existem sintomas antes da idade escolar?
Alguns sintomas podem ser observados desde cedo, como dificuldades para se expressar oralmente, dificuldades em identificar rimas e sons nas palavras, compreender o que é falado, dificuldades na orientação de espaço e tempo.
Quais são os direitos de um aluno disléxico perante a lei?
Todas as crianças tem direito fundamental a educação. Verifique no site http://portal.mec.gov.br as páginas abaixo que você poderá ter informações dos direitos de alunos com necessidades especiais.
Parecer CNE/CEB nº 17/2001, aprovado em 3 de julho de 2001 - Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
Resolução CNE/CEB nº 2/2001, de 11 de setembro de 2001 - Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
A dislexia pode ser encontrada também no adulto?
A dislexia é um transtorno de linguagem que perdura ao longo da vida, se nasce disléxico. Mediante um grande esforço, adultos podem ter aprendido a conviver com suas dificuldades, e se tiverem feito um tratamento adequado, terão desenvolvido estratégias que compensarão estas dificuldades, facilitando-lhes a vida acadêmica.
Os profissionais que podem realizar este diagnóstico são fonoaudiólogos trabalhando junto aos psicólogos especializados no assunto. Quando necessário, podem ser solicitados exames complementares (neurológico, neuropsicológico, processamento auditivo central, neuroftalmológico)
Existem sintomas antes da idade escolar?
Alguns sintomas podem ser observados desde cedo, como dificuldades para se expressar oralmente, dificuldades em identificar rimas e sons nas palavras, compreender o que é falado, dificuldades na orientação de espaço e tempo.
Quais são os direitos de um aluno disléxico perante a lei?
Todas as crianças tem direito fundamental a educação. Verifique no site http://portal.mec.gov.br as páginas abaixo que você poderá ter informações dos direitos de alunos com necessidades especiais.
Parecer CNE/CEB nº 17/2001, aprovado em 3 de julho de 2001 - Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
Resolução CNE/CEB nº 2/2001, de 11 de setembro de 2001 - Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
A dislexia pode ser encontrada também no adulto?
A dislexia é um transtorno de linguagem que perdura ao longo da vida, se nasce disléxico. Mediante um grande esforço, adultos podem ter aprendido a conviver com suas dificuldades, e se tiverem feito um tratamento adequado, terão desenvolvido estratégias que compensarão estas dificuldades, facilitando-lhes a vida acadêmica.
A intervenção terapêutica adequada para o desenvolvimento de estratégias de leitura, realizadas com a ajuda do fonoaudiólogo especializado, são essenciais para o êxito da aprendizagem.
A família tem um papel de grande importância, assim como a escola. Ambos devem conhecer as características do disléxico, respeitando os seus limites e valorizando muito seu potencial.
A criança disléxica pode freqüentar uma escola normal?
E uma escola bilíngüe?
A criança disléxica deve freqüentar a escola regular. É importante que a equipe escolar conheça os aspectos característicos da dislexia, o funcionamento leitor do disléxico e esteja pronta e disponível para atender estas necessidades especiais. A escola bilíngüe não é indicada para uma criança com dificuldades de linguagem, pois ela deverá lidar com vários idiomas simultaneamente, com diferentes estruturas fonéticas e gramaticais, o que tornará mais complexa a aprendizagem da língua escrita.
Como identificar a diferença entre uma criança má alfabetizada ou com dificuldades na aprendizagem e uma criança disléxica?
A criança má alfabetizada, consegue vencer suas dificuldades, até ficarem totalmente superadas. A criança disléxica tem sinais que a acompanharão por toda a vida. Há possibilidade de realizar este diagnóstico diferencial utilizando-se avaliações específicas.
A dislexia é hereditária?
A dislexia de desenvolvimento, aquela que nasce conosco, com freqüência aparece em outros casos familiares. As causas genéticas e distúrbios neuroquímicos estão sendo estudados pelas ciências neurocognitivas.
A dislexia de desenvolvimento, aquela que nasce conosco, com freqüência aparece em outros casos familiares. As causas genéticas e distúrbios neuroquímicos estão sendo estudados pelas ciências neurocognitivas.
A dislexia pode ser adquirida?
Se uma pessoa tiver um traumatismo craniano, doenças neurológicas graves ou problemas emocionais severos, ela poderá apresentar um grande transtorno em sua aprendizagem e conseqüentemente na leitura, mas com causa evidente.
É uma dislexia com história clínica diferente da dislexia de desenvolvimento, que nasce com a pessoa e sem motivo aparente.
Se uma pessoa tiver um traumatismo craniano, doenças neurológicas graves ou problemas emocionais severos, ela poderá apresentar um grande transtorno em sua aprendizagem e conseqüentemente na leitura, mas com causa evidente.
É uma dislexia com história clínica diferente da dislexia de desenvolvimento, que nasce com a pessoa e sem motivo aparente.
domingo, 15 de maio de 2011
Janeiro
Queridas leitoras e queridos leitores, sugiro que leiam os posts do mês de janeiro - são 42 - enquanto não faço novas publicações. Basta clicar...
Obrigada pelas visitas, mensagens e contatos.
Na medida do possível estou respondendo cada e-mail.
Abraços em todos!
Obrigada pelas visitas, mensagens e contatos.
Na medida do possível estou respondendo cada e-mail.
Abraços em todos!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Pesquisadores estão fazendo progressos em direção ao diagnóstico precoce e o tratamento de dificuldades de aprendizagem
Um pouco controverso, mas vamos pensar?
Tocar piano, para quem começou agora a aprender o instrumento, é uma tarefa intimidante: aprender o movimento certo dos dedos, a forma correta de usar pedal, ler as notas e continuar no ritmo. Para uma criança com problemas de leitura, compreender uma simples palavra pode ser tão desafiador quanto isso.
“As pessoas não entendem que ler é uma habilidade complexa”, diz G. Reid Lyon, líder em pesquisas de políticas educacionais na Universidade Southern Methodist e de pesquisas sobre cognição e neurociência na Universidade do Texas, nos EUA.
As dificuldades de aprendizado podem se manifestar de várias formas, desde uma incapacidade em se compreender números ou textos. Mas as dificuldades de leitura são, de longe, as mais comuns. “Representam cerca de 80% a 90% das dificuldades de aprendizagem”, diz Lyon.
Na última década, os pesquisadores desenvolveram técnicas capazes de detectar estas dificuldades cada vez mais cedo – inclusive na infância – e a criação de intervenções que minimizem seus impactos.
O cérebro do bebê
Por definição, crianças com estas dificuldades não sofrem de problemas intelectuais, sensoriais ou distúrbios emocionais. Elas geralmente têm capacidades normais ou até acima da média em algumas áreas acadêmicas e cognitivas.
Quanto mais cedo se identificar dificuldades de aprendizado em uma criança, melhor. De acordo com Lyon, 17% das crianças que não conseguem melhorar sua leitura até os 9 anos permanecem com esta dificuldade pelo resto da vida. “No entanto, grande parte das intervenções é iniciada após dois ou três anos de alfabetização”, diz o psicólogo Dennis Molfese, da Universidade de Nebraska, nos EUA. “Ou seja, a intervenção tem início quando a dificuldade já está completamente estabelecida”, acrescenta.
Segundo Molfese, nos EUA os programas de intervenção demoraram a serem validados e as escolas ainda oferecem resistência em adotá-los. “Quando uma criança apresenta dificuldades de leitura, a probabilidade de ela permanecer com o problema é grande”, diz.
Iniciar tardiamente o tratamento tem se mostrado pouco eficaz. As crianças não conseguem atingir os níveis de compreensão e leitura que um leitor sem dificuldades consegue, chegando a 80% ou 85% do considerado padrão. “O tratamento funciona até certo ponto, mas a maioria das crianças nunca chegará aos níveis de leitura desejados, podendo nunca desenvolver prazer pela leitura”, diz.
Para resolver esse dilema, Molfese e sua esposa, Victoria Molfese, psicóloga do desenvolvimento especializada em educação infantil na Universidade de Nebraska, desenvolveram um método para identificar em recém-nascidos o risco de desenvolver dificuldades de leitura com uma precisão impressionante.
Em 1985, a dupla publicou no periódico Infant Behavior and Development, que eles haviam identificado padrões das ondas cerebrais infantis que tinham relação com as diferenças nas habilidades de linguagem e tamanho do vocabulário, quando estas crianças atingissem 3 anos de idade. Ao longo dos anos, eles expandiram este trabalho. Em um estudo publicado em 2000, no periódico Brain and Language, eles relataram que podiam prever com 80% de precisão se recém-nascidos poderiam apresentar problemas significativos de leitura aos 8 anos. “Agora, nossa precisão é de até cerca de 99%”, diz Dennis Molfese.
Segundo Molfese, o exame é relativamente simples. São afixados eletrodos no couro cabeludo do bebê para registrar suas ondas cerebrais enquanto ouvem sons de sílabas diferentes, como “ba” e “ga”. Na maioria dos recém-nascidos, há um aumento acentuado na atividade cerebral que ocorre cerca de um quarto de segundo depois de ouvir os sons. “Nos bebês em risco, há um atraso nesta resposta com cerca de mais de um quarto de segundo. É muito fácil ver nos registros de ondas cerebrais”, diz. Os bebês conseguem ouvir normalmente, mas o cérebro processa o som mais lentamente.
O casal espera usar estas descobertas para desenvolver intervenções precoces que possam minimizar ou mesmo prevenir distúrbios de aprendizagem. “Sabemos que a plasticidade do cérebro pode ocorrer nos primeiros anos de vida”, diz Dennis Molfese. “Por que não ‘reprogramar’ logo o cérebro?”.
Para chegar a este ponto, em parceria com pesquisadores da Finlândia, eles estão desenvolvendo um jogo de computador que apresenta os símbolos gráficos com diversos sons. Para jogar, as crianças precisam classificar os símbolos e os sons conforme eles aparecem. Pode-se ainda ajustar as configurações de modo que a diferença entre dois sons se torne cada vez mais ambígua, ajudando a criança a gradualmente conseguir distinguir entre sons similares. “O jogo foi originalmente desenvolvido para as crianças da pré-escola, mas esperamos que possa ser adaptado para crianças ainda menores”, diz Victoria Molfese.
Intervenções efetivas
Enquanto as estratégias de intervenção para bebês e crianças pequenas ainda estão em fase de testes, abordagens que visam a crianças com idade pré-escolar e no jardim de infância começam a ser postas em prática. No entanto, o tema ainda gera dúvidas entre professores e psicólogos. Afinal, qual deve ser o foco deste tratamento?
Durante o Painel Nacional de Alfabetização, convocado em 2009 pelo Instituto Nacional de Alfabetização, apoiado pelo Departamento de Educação dos EUA, do qual Victoria participou, se chegou à conclusão de que as habilidades críticas são a escrita, o conhecimento do alfabeto, as tarefas de nomeação rápida e processamento fonológico (a capacidade de dividir as palavras em sons e sílabas).
Segundo o psicólogo Jack Fletcher, da Universidade de Houston, nos EUA, estas abordagens podem ser extremamente eficazes. “Temos muitas evidências. Muitos estudos de neuroimagem mostram que, se as crianças passam por intervenções eficazes, há uma mudança no funcionamento do cérebro para a leitura”, diz ele.
Resultados
Mesmo com todos estes avanços, os pesquisadores lembram que não há cura para todas as dificuldades de aprendizagem, já que existem níveis diferentes de dificuldades. “Crianças com dificuldade leve podem ter uma recuperação total, com a intervenção adequada. Mesmo em níveis mais graves, o reconhecimento precoce pode ajudar a garantir que as crianças recebam as ferramentas necessárias para gerenciar suas dificuldades”, diz Lyon.
E apesar das evidências de que a intervenção precoce é efetiva, pouco tem sido feito nas escolas, onde o diagnóstico continua sendo tardio. “A tendência é postergar o diagnóstico à espera do fracasso das crianças”, diz Fletcher.
Para Molfese, é necessário haver uma mudança de paradigmas dentro da psicologia como um todo para que se passe a considerar a prevenção nestes casos. Molfese concorda. “A maioria dos Estados realiza testes em recém-nascidos para problemas de audição e para algumas doenças genéticas. Adicionar cinco minutos de teste de ondas cerebrais para avaliar o risco de dificuldades de aprendizagem é fácil e relativamente barato”, diz.
Após três décadas de pesquisa, Victoria está esperançosa, mas sabe que ainda falta um longo caminho a percorrer. “Temos pelo menos mais 30 anos de pesquisas pela frente”, conclui.
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Créditos: este material aparece originalmente em inglês como Catching reading problems early. Copyright © 2010 da American Psychological Association (APA). Traduzido e reproduzido com permissão. A APA não é responsável pela exatidão desta tradução. Esta tradução não pode ser reproduzida ou, ainda, distribuída sem permissão prévia por escrito da APA.
http://oqueeutenho.uol.com.br/portal/2011/04/08
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