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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Depressão infantil atrapalha rendimento escolar no Brasil - Estou na entrevista!



Segundo especialistas, o diagnóstico é de difícil identificação, já que os sintomas são diferentes de um adulto

Getty Images
Os novos tempos e a vida agitada, além dos transtornos de humor que até então eram característicos de gente grande, afetam não só a classe adulta brasileira como também as crianças. E o pior: a depressão infantil pode comprometer o desenvolvimento dos pequenos. Segundo o psicólogo Marcelo Quirino, o problema é uma categoria de classificação diagnóstica de humor com efeitos cognitivos e comportamentais recentes que alguns psicólogos e psiquiatras estabeleceram como quadro clínico patológico.

“Quando se fala em classificação de humor, na verdade nos referimos a um conjunto estruturado de sinais e sintomas variáveis sobre a vivência emocional, cognitiva, comportamental e social de uma criança”, explica Marcelo. As causas da depressão em crianças não são as mesmas apresentadas em adultos. O psicólogo ressalta que o que se tem observado como fatores producentes é uma infinidade de possibilidades, tais como a qualidade dos vínculos familiares, pais muito distantes afetivamente da criança ou que não oferecem uma figura sólida de identificação psicológica para o filho, além da relação conjugal desestabilizada.

Também fazem parte desse quadro pais com preferências infantis, bullying, modo como a criança lida com a angústia, autoimagem e autoconceito, exclusão social-escolar, relações sociais insatisfatórias, abuso de poder, violência infantil, ciúmes de irmãos e primos, abandono, etc. “O número de respostas possíveis para as causas pode ser tão grande e variado conforme o número de crianças com mal-estar. Cada criança depressiva possui um motivo específico que talvez não sirva para outra, é um sujeito particular e singular”, observa Marcelo Quirino.

Depressão e rendimento escolar

Alguns aspectos devem ser observados quanto ao processo de diagnóstico da depressão, como humor irritado ou depressivo, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, entre muitos outros.  Então, como a escola deve agir nesses casos? Para Níblia Soares, pedagoga e especialista em Psicopedagogia Clínica, uma criança desatenta na escola, apática, ou mesmo hiperativa, merece ser observada com um pouco mais de cuidado.

“Ela pode estar sofrendo de depressão. Os sintomas da depressão em crianças e adolescentes geralmente são diferentes dos sintomas dos adultos”, destaca Níblia. Ainda de acordo com a profissional, as crianças costumam apresentar sintomas somáticos como dor de cabeça ou de barriga. A tristeza pode se apresentar como baixo rendimento escolar e a irritabilidade com alteração do comportamento: teimosia, brigas emcasa e na escola.

Já para o psicólogo Marcelo Quirino, a depressão pode interferir no rendimento escolar de uma criança, através da angústia. Ele diz que psicologicamente a angústia desfoca a capacidade de atenção, que irrompe sobre a percepção cognitiva, interferindo sobre a memória e, por fim, embotando o humor. Socialmente, esse mecanismo psíquico perturba as relações sociais com os atores educacionais e familiares.

Mas como a escola pode ajudar? Níblia Soares conta que a instituição pode auxiliar um aluno, observando atentamente e identificando os sintomas que ele apresenta, chamando os pais, ou até fazendo uma boa entrevista com os mesmos. Persistindo a hipótese da depressão, é preciso encaminhar aos profissionais indicados para diagnosticar e iniciar o tratamento. “O ideal é que seja uma equipe multidisciplinar, formada por psiquiatra infantil, psicólogo e psicopedagogo”, afirma Níblia.

Marcelo Quirino complementa que não dá para saber qual o número de crianças que sofrem de depressão no Brasil. Segundo ele, a depressão infantil, enquanto categoria de diagnóstico compartilhada por um número de profissionais de saúde, é de dificil identificação, pois a sintomatologia é diferente da de um adulto. “A criança, dependendo da fase de desenvolvimento cognitivo e emocional, pode não verbalizar e/ou permitir uma identificação clara de seu quadro subjetivo (que sempre denuncia um contexto)”, aponta.