Também fazem parte desse quadro pais com preferências infantis, bullying, modo como a criança lida com a angústia, autoimagem e autoconceito, exclusão social-escolar, relações sociais insatisfatórias, abuso de poder, violência infantil, ciúmes de irmãos e primos, abandono, etc. “O número de respostas possíveis para as causas pode ser tão grande e variado conforme o número de crianças com mal-estar. Cada criança depressiva possui um motivo específico que talvez não sirva para outra, é um sujeito particular e singular”, observa Marcelo Quirino.
Depressão e rendimento escolar
Alguns aspectos devem ser observados quanto ao processo de diagnóstico da depressão, como humor irritado ou depressivo, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, entre muitos outros. Então, como a escola deve agir nesses casos? Para Níblia Soares, pedagoga e especialista em Psicopedagogia Clínica, uma criança desatenta na escola, apática, ou mesmo hiperativa, merece ser observada com um pouco mais de cuidado.
Já para o psicólogo Marcelo Quirino, a depressão pode interferir no rendimento escolar de uma criança, através da angústia. Ele diz que psicologicamente a angústia desfoca a capacidade de atenção, que irrompe sobre a percepção cognitiva, interferindo sobre a memória e, por fim, embotando o humor. Socialmente, esse mecanismo psíquico perturba as relações sociais com os atores educacionais e familiares.
Mas como a escola pode ajudar? Níblia Soares conta que a instituição pode auxiliar um aluno, observando atentamente e identificando os sintomas que ele apresenta, chamando os pais, ou até fazendo uma boa entrevista com os mesmos. Persistindo a hipótese da depressão, é preciso encaminhar aos profissionais indicados para diagnosticar e iniciar o tratamento. “O ideal é que seja uma equipe multidisciplinar, formada por psiquiatra infantil, psicólogo e psicopedagogo”, afirma Níblia.
Marcelo Quirino complementa que não dá para saber qual o número de crianças que sofrem de depressão no Brasil. Segundo ele, a depressão infantil, enquanto categoria de diagnóstico compartilhada por um número de profissionais de saúde, é de dificil identificação, pois a sintomatologia é diferente da de um adulto. “A criança, dependendo da fase de desenvolvimento cognitivo e emocional, pode não verbalizar e/ou permitir uma identificação clara de seu quadro subjetivo (que sempre denuncia um contexto)”, aponta.