quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Depressão Infantil

O Transtorno Depressivo Infantil é um transtorno do humor capaz de comprometer o desenvolvimento da criança ou do adolescente e interferir com seu processo de maturidade psicológica e social. São diferentes as manifestações da depressão infantil e dos adultos, possivelmente devido ao processo de desenvolvimento que existem na infância e adolescência.

A depressão foi considerada a principal doença psiquiátrica do século, afetando aproximadamente oito milhões de pessoas só na América do Norte (onde são feitas as principais pesquisas). A morbidade da depressão se reflete no fato de que os adultos deprimidos são 20 vezes mais propensos a morrer de acidentes ou de suicídio do que adultos sem transtorno psiquiátrico.

Tanto os quadros de Distimia quanto de Transtorno Afetivo Bipolar, podem surgir pela primeira vez durante a adolescência e o reconhecimento precoce de um estado depressivo poderá ter profundos efeitos na futura evolução da doença.

Apesar da tamanha importância da Depressão da Infância e Adolescência em relação à qualidade de vida, ao suicídio, às dificuldades na escola, no trabalho e no ajuste pessoal, esse quadro não tem sido devidamente valorizado por familiares e pediatras e nem adequadamente diagnosticado.

Embora na maioria das crianças a sintomatologia da Depressão seja atípica, alguns podem apresentar sintomas clássicos de Depressão, tais como tristeza, ansiedade, expectativa pessimista, mudanças no hábito alimentar e no sono ou, por outro lado, problemas físicos, como dores inespecíficas, fraqueza, tonturas, mal estar geral que não respondem ao tratamento médico habitual.

Na criança e adolescente a Depressão, em sua forma atípica, esconde verdadeiros sentimentos depressivos sob uma máscara de irritabilidade, de agressividade, hiperatividade e rebeldia. As crianças mais novas, devido a falta de habilidade para uma comunicação que demonstre seu verdadeiro estado emocional, também manifestam a Depressão atípica, notadamente com hiperatividade.

A depressão na criança e/ou adolescente pode ter início com perda de interesse pelas atividades que habitualmente eram interessantes, manifestando-se como uma espécie de aborrecimento constante diante dos jogos, brincadeiras, esportes, sair com os amigos, etc, além de apatia, adinamia e redução significativa da atividade. Às vezes pode haver tristeza.

De forma complementar aparece diminuição da atenção e da concentração, perda de confiança em si mesmo, sentimentos de inferioridade e baixa autoestima, idéias de culpa e inutilidade, tendência ao pessimismo, transtornos do sono e da alimentação e, dependendo da gravidade, ideação suicida.

Incidência
O reconhecimento de um quadro depressivo infantil e da adolescência como um transtorno que pode afetar pessoas desse grupo etário, reivindicada há mais de 30 anos pelo IV Congresso de a União de Paidopsiquiatras Europeos, de 1971 em Estocolmo (Annell, 1972), resultou na elaboração de critérios de diagnóstico para esse quadro, denominando-o de Transtorno Depressivo na Infância e Adolescência (DSM-IV, 1994).

Os dados de prevalência do Transtorno Depressivo na Infância e Adolescência não são unânimes entre os pesquisadores. Devido à diversidade dos locais onde os estudos são realizados e das populações observadas, vários índices de prevalência têm sido estabelecidos para a depressão na infância. Talvez as dificuldades devam-se às discrepâncias de diagnóstico, já que alguns consideram como Depressão alguns casos atípicos, como por exemplo, a Fobia Escolar, a Hiperatividade, etc.

Estudos norte-americanos revelam uma incidência de depressão em aproximadamente 0,9% entre os pré-escolares; 1,9% nos escolares e 4,7% nos adolescentes (Kashani, 1988 apud Weller, 1991). Mas esses números são demasiadamente otimistas.

Há mais de 30 anos, os estudos de Rutter, Tizarde e Whitmore (1970) começaram a aportar uma prevalência da Depressão Infantil em aproximadamente 1% das crianças de 10 anos. Dezesseis anos depois, Rutter (1986) volta a pesquisar e considera que os quadros depressivos são muito mais freqüentes na adolescência do que na infância. Essas suspeitas foram confirmadas mais tarde por Ciccheti, em 1995. Nesse ano Goodyar situa a prevalência do Transtorno Depressivo na Infância e Adolescência entre o 1,8% e 8,9%.

Embora seja difícil reunir dados sobre a incidência de Depressão Infantil, em recente artigo Jose Luis Pedreira Massa assinala que, na Espanha, a media de transtornos depressivos também pode situar-se em torno de 9% na população geral infantil menor de 12 anos, sendo algo superior na adolescência.

Sintomas
A Depressão Infantil não se traduz, invariavelmente, por tristeza e outros sintomas típicos. A diferença entre os momentos nos quais as crianças podem estar tristes ou aborrecidas com quaisquer fatores vivenciais que as molestem e a Depressão verdadeira está, principalmente, no tempo e na motivação para esse sentimento. A Depressão Infantil tem sido cada vez mais observada devido, em parte, à atualização conceitual e atenção médica crescente sobre esta doença.

Apesar da Depressão, tanto no adulto quanto na criança, ter como modelo de diagnóstico a conhecida constelação de sintomas, decorrentes da tríade sofrimento moral, a inibição psíquica global e no estreitamento do campo vivencial, as diferentes características pessoais e as diferentes situações vivenciais entre o adulto e a criança, farão com que os sintomas secundários decorrentes dos sintomas básicos sejam bem diferentes. O sofrimento moral, por exemplo, responsável pela baixa autoestima, no adulto pode se apresentar como um sentimento de culpa e, na criança, como ciúme patológico do irmão mais novo.

Nas crianças e adolescentes é comum a Depressão ser acompanhada também de sintomas físicos, tais como fatiga, perda de apetite, diminuição da atividade, queixas inespecíficas, tais como cefaléias, lombalgia, dor nas pernas, náuseas, vômitos, cólicas intestinais, vista escura, tonturas, etc. Na esfera do comportamento, a Depressão na Infância e Adolescência pode causar deterioração nas relações com os demais, familiares e colegas, perda de interesse por pessoas e isolamento. As alterações cognitivas da Depressão infantil, principalmente relacionadas à atenção, raciocínio e memória interferem sobremaneira no rendimento escolar.

Os sintomas mais freqüentes da Depressão na Infância e Adolescência costumam ser os seguintes: insônia, choro, baixa concentração, fatiga, irritabilidade, rebeldia, tiques, medos lentidão psicomotora, anorexia, problemas de memória, desesperança, ideações e tentativas de suicídio. A tristeza pode ou não estar presente.

Hoje em dia a ampliação da constelação sintomática atribuída à depressão infantil tem contribuído, sobremaneira, para a elaboração do diagnóstico e, por causa disso, cada vez mais os distúrbios do comportamento da criança estão sendo relacionados a uma maneira depressiva de viver.

A expressão clínica da depressão na infância é bastante variável. Baseando-se nas tabelas para diagnóstico, revistas por José Carlos Martins, podemos compor a seguinte listagem de critérios:
SINAIS E SINTOMAS SUGESTIVOS DE DEPRESSÃO INFANTIL
1- Mudanças de humor significativa
2- Diminuição da atividade e do interesse
3- Queda no rendimento escolar, perda da atenção
4- Distúrbios do sono
5- Aparecimento de condutas agressivas
6- Auto-depreciação
7- Perda de energia física e mental
8- Queixas somáticas
9- Fobia escolar
10- Perda ou aumento de peso
11- Cansaço matinal
12- Aumento da sensibilidade (irritação ou choro fácil)
13- Negativismo e Pessimismo
14- Sentimento de rejeição
15- Idéias mórbidas sobre a vida
16- Enurese e encoprese (urina ou defeca na cama)
17- Condutas anti-sociais e destrutivas
18- Ansiedade e hipocondria
Não é obrigatório que a criança depressiva complete todos os itens da lista acima para se fazer o diagnóstico. Ela deve satisfazer um número suficientemente importante de itens para despertar a necessidade de atenção especializada. Dependendo da intensidade da Depressão, pode haver substancial desinteresse pelas atividades rotineiras, queda no rendimento escolar, diminuição da atenção e hipersensibilidade emocional. Surgem ainda preocupações típicas de adultos, tais como, a respeito da saúde e estabilidade dos pais, medo da separação e da morte e grande ansiedade.

Além disso, tendo em vista a característica atípica da maioria das depressões na infância, alguns autores começam a pensar neste diagnóstico para outras patologias bem definidas, como é o caso do Déficit de Atenção por Hiperatividade, para certos casos de Distúrbios de Conduta (notadamente a rebeldia, oposição e agressividade) e para os Transtorno Fóbico-Ansioso. Supõe-se haver uma íntima relação entre todos esses quadros citados e, principalmente na ansiedade da infância, quer seja como co-morbidade ou como manifestações clínicas atípicas da Depressão Infantil.

Diagnóstico

O Transtorno Depressivo na Infância e Adolescência se caracteriza por uma sintomatologia afetiva de longa duração e está associado a vários outros sinais e sintomas vistos acima, tais como, insônia, irritabilidade, rebeldia, medo, tiques, mudanças nos hábitos alimentares, problemas na escola, na vida social e familiar.

Alguns outros sintomas podem acompanhar o Transtorno Depressivo na infância e adolescência em idade escolar, tais como, apatia, tristeza, agressividade, choro, hiperatividade, queixas físicas, medo à morte nele próprio ou nos familiares, frustração, desespero, distração, baixa autoestima, recusa em ir à escola, problemas de aprendizagem e perder interesse por atividades que antes gostava.

É tão comum o Transtorno Depressivo na Infância e Adolescência, a ponto de alguns autores recomendarem que, sempre que a criança manifestar tais alterações por um tempo prolongado, deve-se considerar a possibilidade desse diagnóstico. Entretanto, é muito importante determinar se esses sintomas estão, de fato, relacionados com um quadro depressivo ou se são parte das ebulições emocionais normais do desenvolvimento.

E, tendo em mente o fato de ser possível que muitos sintomas incluídos na relação apareçam naturalmente como parte das etapas normais de desenvolvimento da infância e adolescência, para se estabelecer um diagnóstico correto de Depressão na criança é necessário avaliar também sua situação familiar, existencial, seu nível de maturidade emocional e, principalmente, sua autoestima. Além das entrevistas com a criança, é muito importante observar sua conduta segundo informações dos pais, professores e outros colegas médicos ou psicólogos, atribuindo pesos adequados a cada uma dessas informações.

O diagnóstico da Depressão na Infância tem sido feito em bases predominantemente clínicas, muitas vezes usando-se os mesmos critérios usados para a Depressão do adulto, apesar do quadro ser algo diferente nas crianças, tanto quanto mais jovem for o paciente.

Examinando-se a criança, nem sempre encontramos os sintomas claros e francos que descrevem seu estado emocional interno. Um esforço de bom senso e perspicácia deve ser dedicado ao exame clínico, buscando aumentar a possibilidade da criança menor ser compreendida quanto aos seus sentimentos, apesar de tais sentimentos serem de difícil identificação. Em muitos casos, observamos apenas uma maior sensibilidade emocional, choro fácil, inquietação, rebeldia e irritabilidade.

As mudanças de comportamento na criança são de extrema importância, tão mais importante quanto mais súbitas forem. Assim, crianças anteriormente bem adaptadas socialmente, passam a apresentar condutas irritáveis, destrutivas, agressivas, com a violação de regras sociais anteriormente aceitas, oposição à autoridade, preocupações e questionamentos de adultos. Esses comportamentos podem ser decorrentes de alterações depressivas. Quando essas alterações não são graves o suficiente para serem consideradas Episódios Depressivos podemos chamá-las de Disforias.

As Disforias, que são alterações do humor, são encontradas comumente no cotidiano e não têm, obrigatoriamente, uma conotação de doença. Tratam-se de respostas afetivas aos eventos diários, caracterizando-se pela brevidade do quadro emocional sem comprometimento das condutas adaptativas, sociais, escolares e familiares. Na realidade as Disforias seriam apenas momentos de tristeza, angústia e abatimento moral que surgem em decorrência da problemática existencial normal e cotidiana, tais como as correções dos pais, desinteligências com irmãos, aborrecimentos na escola, etc.

A diferenças entre as Disforias e a Depressão seria em relação à evolução benigna das Disforias, o que não acontece quando há importante componente depressivo. A recuperação das vivências traumáticas e estressoras é mais demorada e sempre há algum prejuízo da adaptação. Grosso modo, podemos dizer que as Disforias são mais ou menos fisiológicas na lide com as adversidades diárias, enquanto a Depressão seria uma maneira patológica de reagir à vida.

Os quadros que se apresentam como Fobia Escolar, caracterizada pela evitação da escola, por dores inespecíficas, febre sem causa aparente, e outros sintomas obscuros para fugir das aulas, podem refletir altos índices de ansiedade e depressão. Deve-se avaliar a presença de baixa autoestima, perda de prazer e, muitas vezes, até ideação suicida. Podem ser encontradas também, nesses casos, expectativas negativas e pessimistas da vida mas, como a criança tem grandes dificuldades para expressar esses aspectos vivenciais de sua vida ou de seu mundo, essa investigação tem sido muito difícil.

Os sintomas físicos e somatizados também podem ocorrer na criança depressiva. Cerca de 30% dos pacientes deprimidos apresenta diminuição de apetite e 30% refere aumento, principalmente nas meninas. Insônia inicial (dificuldade para começar a dormir) também esta freqüentemente presente (60%) e, um pouco menos freqüente, a clássica insônia terminal, que é caracterizada pelo despertar muito cedo.

Na fase pré-verbal a criança deprimida pode manifestar o humor rebaixado através de expressões mímicas e do comportamento. A inquietação, o retraimento social, choro freqüente, recusa alimentar, apatia e alterações do sono podem ser indícios de Depressão nesta fase.

Na fase pré-escolar as crianças podem somatizar o transtorno afetivo, o qual se manifestará através de dor abdominal, falta do ganho de peso, retardo no desenvolvimento físico esperado para a idade, além da fisionomia triste, irritabilidade, alteração do apetite, hiperatividade e medo inespecíficos.

Dos 2-3 anos até a idade escolar a Depressão Infantil pode se manifestar ainda com quadro de Ansiedade de Separação, onde existe sólida aderência da criança à figura de maior contacto (normalmente a mãe), ou até sinais sugestivos de regressão psicoemocional, como trejeitos mais atrasados da linguagem, encoprese e enurese.

Na fase escolar, o cansaço, a dificuldade de concentração, as alterações da memória, a astenia e adinamia são as complicações da Depressão Infantil que comprometem muito o rendimentos escolar e aprendizagem (veja Dificuldades Escolares). Essa confrontação continuada com o fracasso acaba fazendo com que o nível de autoestima também se comprometa, podendo levar a criança a apresentar desde isolamento social até Transtornos de Conduta (pseudo Transtorno de Conduta, na realidade).

Para essas alterações afetivas possíveis na primeira infância a Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou uma série de critérios de observação. Foi um grande passo na descrição das manifestações de transtornos psicológicos nesta faixa etária, dividindo-os em duas categorias: 
1. Reação de Abandono (ou de Dor e Aflição Prolongadas), que é específica das situações onde falta a figura materna ou de um cuidador afetivamente adequado, e
2. Depressão da Infância Precoce. 
A socialização da criança em idade escolar com Depressão Infantil pode estar comprometida e se manifesta através do isolamento social, das dificuldades de relação interpessoal, com sintomas de alteração afetiva (irritabilidade). Na primeira infância, entretanto, se detectam estas alterações quando o lactente é pouco comunicativo, confundido normalmente com um bebê muito bonzinho ou, por outro lado, podem manifestar a depressão com irritabilidade (bebês irritáveis, com tendência a a hiperexcitabilidade), ou ainda, com aversão à estranhos (bebês que estranham demasiado as mínimas mudanças em seu entorno).

O bebê afetivamente sensível pode ter dificuldades em relação ao apego. O apego é um impulso primário como parte de um processo de seleção natural, portanto, inato. Existem importantes diferenças individuais no estabelecimento das condutas de apego e na elaboração dos vínculos. O apego é uma resposta de busca de proteção necessária à sobrevivência da espécie.

A afetividade normal se relaciona com um apego seguro, desde a lactância até três anos e meio mas, certos padrões inseguros de apego podem ocorrer quando existe alguma tendência depressiva. O padrão de apego desenvolvido desde tenra idade será uma das molas mestras para futuros sentimentos de conforto e segurança determinados pelas relações posteriores.

Quando os lactentes são separados bruscamente de sua figura de apego, como é o caso de uma hospitalização precoce, ou mesmo um abandono, suas reações tendem a seguir um padrão semelhante ao processo de luto do adulto. Assim, em uma primeira fase, o lactente bruscamente separado pode manifestar ira e desespero.

Na segunda fase dessa separação a criança tende a ficar apática, quase imóvel. É a fase de desapego ou indiferença. Nessa etapa a criança não manifesta mais emoções diante do reencontro com a figura com a qual antes era apegado. Essa experiência de perda não se relaciona com as necessidades de alimento, mas de calor, carinho ou contacto.

Dois fatores têm especial significado para estabelecer as características da separação: o temperamento da criança e as características pessoais da figura materna. Quanto mais sensível afetivamente for a criança, maiores os prejuízos futuros que a separação ou abandono proporcionarão. Veja abaixo a sucessão de acontecimentos de Dor e Aflição que podem ocorrer durante a separação ou abandono.
Reação de Dor e Aflição Prolongadas:
Este estado pode se manifestar por qualquer etapa da seqüência: protesto, desespero e desinteresse.
1. A criança chora, chama e busca ao progenitor ausente, recusando quaisquer tentativas de consolo por outras pessoas.
2. Retraimento emocional que se manifesta por letargia, expressão facial de tristeza e falta de interesse nas atividades apropriadas para a idade.
3. Desorganização dos horários de comer e dormir.
4. Regressão ou perda de hábitos já adquiridos, como por exemplo, fazer xixi e/ou coco na roupa (ou cama), falar como se fosse mais novo.
5. Desinteresse paradoxal, que se manifesta por indiferença às recordações da figura cuidadora (fotografia ou menção do nome), ou mesmo uma espécie de "ouvido seletivo", que parece não reconhecer essas pessoas.
6. Como comportamento alternativo, a criança pode mostrar-se exatamente ao contrário das características acima; torna-se extremamente sensível a qualquer recordação do(a) cuidador(a), apresentando mal estar agudo diante de qualquer estímulo que lembre da pessoa.
Luto da Criança

Para entender o impacto que causa na criança a perda por morte de uma figura de forte apego afetivo (mãe, pai, irmãos), é preciso entender a teoria do apego, inicialmente pesquisada por Bowlby.

Segundo maravilhoso trabalho de Cecília Casali Oliveira, existem 3 fases do luto, assim caracterizadas:

Busca ou protesto - o intenso desejo de recuperação da pessoa amada e perdida, que leva a comportamentos de busca inócua, produz uma forte reação de protesto pela impossibilidade de se alcançar o objetivo desejado.

Desespero e desorganização - o conflito permanente entre o desejo e sua frustração, leva ao desespero, pois não se abdica do vínculo estabelecido com facilidade e sem sofrimento. O pensamento, constantemente concentrado nessa tarefa, deixa pouca possibilidade para dedicar-se a outras atividades, revelando o quanto é importante o trabalho de busca de uma resolução para o conflito; o mundo parece estar fora de contexto para o enlutado, tanto quanto este parece estar fora de contexto para o mundo.

Recuperação e restituição - o conflito pode ser solucionado a partir de uma nova construção do vínculo com o falecido, o que preserva a relação em um outro patamar; o sofrimento diminui gradualmente, permitindo um retorno da atenção para o mundo e trazendo a possibilidade do estabelecimento de novas relações."veja o site

Ainda de acordo com Cecília Casali Oliveira, "Stroebe, Stroebe e Hansson (1993) apresentam um levantamento das respostas emocionais esperadas no processo normal de enlutamento. Acrescentam que, em casos de luto complicado, esses aspectos podem apresentar-se com intensidade ou duração alteradas, apontando para a impossibilidade de se caminhar dentro do processo esperado e constituindo-se um indicativo da não resolução do luto.
1) Choque, entorpecimento e dificuldade de acreditar na realidade;
2) Pesar e tristeza, acompanhados por dor mental e sofrimento, com choro e lamentação;
3) Senso de perda devido ao reconhecimento da ausência e da impossibilidade de recuperação;
4) Raiva é comum e pode se voltar contra a pessoa falecida, familiares, médicos, amigos e mesmo contra o próprio ego;
5) Culpa e arrependimento, que aparecem sob as formas: culpa por sobreviver, pela responsabilidade da morte ou pelo sofrimento que ela trouxe e, ainda, pela deslealdade do falecido;
6) Ansiedade e receios que aparecem sob a forma de insegurança, medos ou crises de angústia;
7) Imagens repetitivas da pessoa falecida próxima da morte, da doença, com caráter intrusivo e fora de controle;
8) Desorganização mental apresentando graus variados de distração, confusão, esquecimento ou falta de coerência;
9) Sobrecarga de tarefas e dificuldades para sua realização, que trazem a sensação de estar perdendo o controle, de desamparo e de sentir-se incapaz de enfrentar a realidade;
10) Alívio, especialmente após doença longa e sofrida, pelo término do sofrimento;
11) Solidão, que se expressa como sentir-se só mesmo quando em grupo e com picos de sentimentos intensos de isolamento;
12) Sentimentos positivos também aparecem, a intervalos, em meio ao pesar.
Depressão da Infância Precoce:
1. Estado de ânimo deprimido ou irritável
2. Interesse e prazer diminuídos nas atividades apropriadas para seu desenvolvimento,
3. Capacidade reduzida para protestar,
4. Repertório diminuído de interações sociais e de iniciativas.
5. Perturbações no sono e/ou na alimentação,
6. Perda de peso.
7. Sintomas presentes durante um período de pelo menos duas semanas
Em crianças no final da 2a infância (dos 6 aos 12 anos), podemos encontrar quadros de base depressiva mais típicas, mas nem sempre. Quando a depressão é muito grave, o que felizmente não é tão comum, sintomas francamente psicóticos também podem aparecer, tais como idéias delirantes, alucinações, e severo prejuízo das atividades sócio-familiares, incluindo a escola. As idéias suicidas também não são raras, embora dificilmente antes dos 10 anos de idade.

Dentro da Depressão Infantil atípica, a mais comum, podemos ainda encontrar crianças erroneamente tomadas por delinqüentes e, não raro, crianças que chegam de fato ao suicídio. Tendo em vista a elevada incidência da Depressão Infantil registrada por inúmeros autores, será lícito e sensato pensar sempre na possibilidade depressiva diante de qualquer criança problemática.

Suicídio

No adolescente a relação depressão-suícidio é bastante significativa. A grande maioria dos adolescentes suicidas (94%) apresenta problemas psiquiátricos, sendo a Depressão o mais importante deles (51%). O suicídio de adolescentes é, atualmente, o responsável mais importante que doenças cardiovasculares ou o câncer pelas mortes de jovens de 15 a 19 anos .

Em nosso meio, Friedrich (1989) observa a ocorrência de alterações emocionais merecedoras de tratamento médico em dois terços da população estudada, e sem relações diretas com nível intelectual e sócio-cultural dos pacientes. Concomitantemente, refere que a tentativa familiar de negar o fato como o principal responsável pelas dificuldades de atendimento do paciente em questão. Assim, reforça-se mais uma vez a necessidade de um diagnóstico fidedigno da depressão na criança e no adolescente.

A taxa do suicídio para adolescentes aumentou mais do que 200% na última década. Os estudos recentes mostram que mais de 20% dos adolescentes na população geral tenha problemas emocionais e um terço dos adolescentes que procuram clínicas psiquiátricas sofrem de depressão. A grande maioria das depressões em adolescentes pode ser muito bem controlada ambulatorialmente e com a sustentação da família com muito sucesso .

Os atos suicidas geralmente estão associados com uma crise depressiva aguda e significativa na vida do adolescente. É importante reforçar que a crise pode parecer insignificante aos adultos ao redor, mas é sempre muito significativa ao adolescente. A perda de um namoro, de uma nota na escola ou a constatação de uma crítica pejorativa adulto significativo, especialmente o pai ou um professor, pode precipitar um ato suicida no paciente depressivo.

Para referir:
Ballone, GJ - Depressão Infantil - in. PsiqWeb, Internet, disponível emwww.psiqweb.med.br, revisto em 2004. 

Importância do melhor amigo para a criança


Manter amizades não é só benéfico para os adultos. Desde a fase inicial de vida, o estabelecimento de vínculos afetivos assume importância. Segundo os especialistas, é a partir dos 6 anos de idade que a criança consegue "eleger" um amigo, seja por meio de uma brincadeira ou de um jogo que possibilite uma identificação entre as mesmas faixas etárias.
"Com o passar do tempo, conviver com amigos traz, de forma expressa, a possibilidade de desenvolvimento da diferença entre certo e errado, a possibilidade de aprender a ganhar e a perder, a aceitar diferenças e a seguir regras, pois toda boa convivência está sujeita a elas", afirma a especialista em psicologia clínica na abordagem Gestáltica, Claudia Marinho.
Como aponta, a percepção do melhor amigo pode surgir aos 3 ou 4 anos, mas a "memória afetiva" só será registrada a partir dos 5. "Em torno dos 4 anos de idade a criança compartilha seu mundo interno com um colega, mas somente após os cinco anos é que essas crianças têm a capacidade para reter essas memórias e lembrar com carinho dos amigos que fizeram nessa época", ressalta Claudia.
Com o passar dos anos, o vínculo de amizade tende a aumentar. "A partir dos 10 anos, esse vínculo surge quando a criança está em busca de modelos para o desenvolvimento de sua identidade. Antes disso, ela elege seu melhor amigo para brincar", explica a educadora e mediadora de conflitos, Suely Buriasco.
Na próxima página confira os benefícios que a amizade traz para a vida da criança.

Além de saudável, o estabelecimento de vínculos afetivos possibilita a convivência com regras e limites necessários à vida em sociedade. Ao ver seu comportamento espelhado nas reações do outro, a criança tem condições de conhecer vários modelos de relação e se atentar à noção de limite.
As crianças com a mesma idade têm facilidade na convivência por estabelecerem a mesma linguagem e vestirem-se de formas semelhantes. "Permite a todos os envolvidos uma melhor estruturação de seus processos de diferenciação que, por consequência, influenciarão na construção de um 'eu' mais saudável", afirma a psicóloga Claudia Marinho.
Estabelecer vínculos afetivos fora da esfera familiar é mais desafiador para a criança, já que permite a ela sair da "zona de conforto" e lidar com outros ambientes. Segundo a psicóloga Lilian Lerner Castro, firmar vínculos de amizade é um processo que depende do amadurecimento cognitivo. "A criança precisa se ater a regras e aprender a lidar em sociedade quando se depara com os amigos".
Ao enfrentar situações novas, os amigos funcionam como referenciais, sendo importantes para dar apoio em uma situação em que o outro se sentiu inseguro. O fazer parte de um grupo e o sentir-se aceita pelas pessoas da mesma idade fornecem a base de toda a estrutura emocional da vida daquela criança.
"Existem alguns estudos que falam das consequências da falta desse vínculo na primeira infância - inclusive com crianças que vão cedo para a creche - e que fazem correlações desta até mesmo com dificuldades de aprendizado", afirma Claudia Marinho.
amizade predileta costuma levar a trocas positivas e, segundo Suely Buriasco, os momentos de afetividade vividos por meio da amizade são fundamentais para a formação de personalidades "sadias" e capazes de aprender. "Sem essa consciência, a criança enfrenta grandes dificuldades de socialização. Se a criança é tímida e o amigo não, ela passa a ficar mais expansiva. Se um é estudioso, o outro pode se interessar mais pelos estudos".
A troca de hábitos culturais da família de cada um também irá possibilitar o desenvolvimento de ambos. Os amigos passam a descobrir e praticar valores de um bom relacionamento, como fidelidade, cooperação, solidariedade e respeito ao outro.
Os pais exercem papel fundamental no estímulo de vínculos afetivos. Confira a seguir.

Os pais precisam dar um espaço para que as crianças estabeleçam suas relações, sem, no entanto, deixar de determinar limites e regras. Para a educadora Suely Buriasco, o ideal é sempre os pais estabelecerem elos de cumplicidade com os filhos sem ser invasivos. "Para isso, é preciso que aceitem que existe um mundo entre o filho e o amigo do qual os pais não fazem parte. Essa atitude pode fazer dos pais parceiros confiáveis para dividir as partes boas e os conflitos que surgirem dessa amizade".
A família pode propiciar que o filho vivencie outras realidades, estimulando-o a convidar os amigos para brincar em casa. "Eles devem procurar atividades coletivas como um esporte, por exemplo, e atividades que sejam feitas em grupo", sugere Lilian Lerner Castro, principalmente para as crianças mais tímidas.
Para a psicóloga Claudia Marinho, os exemplos são a melhor forma de mostrar para a criança com dificuldades em relacionar-se que estabelecer amizade pode ser prazeroso. "Interaja com seu semelhante de maneira cordial e estará dando ao seu pequeno uma boa noção de que o outro pode ser muito bom".
Se a criança demonstrar dificuldade em fazer amizades, as especialistas recomendam o respeito. "Respeite a maneira de ser de seu filho, mas procure conversar com ele e descobrir se tem alguma coisa errada. Procurar ajuda especializada em casos extremos é uma saída", frisa Claudia.Suely afirma que propiciar diferentes momentos da rotina familiar interagindo com outras famílias com filhos é interessante para a criança sentir-se mais segura. Desta forma, os pais devem propor atividades em que as crianças tenham que trocar seus conhecimentos, buscar ajuda de outras e esforçar-se em serem compreendidas.
De acordo com a educadora, é importante que os pais não transformem essa preocupação em "neura", muito menos que forcem qualquer situação. "Nesse caso, o efeito será totalmente contrário ao desejado, ou seja, o filho poderá intimidar-se, tornando-se ainda mais introvertido".
Por Priscila Caldeira - Equipe BBel 

Psicanálise

Psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da 


psiquê humana independente da psicologia, embora também 


inserido nesta desenvolvido por Sigmund Freud, médico

 neurologista vienense nascido em 1856 que se propõe à 


compreensão e análise do homem

 compreendido enquanto sujeito do inconsciente e abrange três 


áreas: um método de investigação da mente e seu funcionamento; 


um sistema teórico sobre a vivência e o

 comportamento humano; um método de tratamento psicoterapêutico. Essencialmente é

, assim, uma teoria da personalidade e um procedimento de psicoterapia; a psicanálise,

 contudo, influenciou muitas outras correntes de pensamento e disciplinas das diversas

 ciências humanas, gerando uma base teórica para uma forma de compreensão da ética, da

 moralidade e da cultura humana.Importante ainda é observar que em linguagem comum, o

 termo psicanálise é muitas vezes usado como sinônimo de psicoterapia ou mesmo de

 psicologia. Em linguagem mais própria, no entanto, psicologia refere-se à ciência que estuda

 o comportamento e os processos mentais, psicoterapia ao uso clínico do conhecimento

 obtido por ela - ou seja, ao trabalho terapêutico baseado no corpo teórico da psicologia como

 um todo - e psicanálise refere-se à forma de psicoterapia baseada nas teorias oriundas do

 trabalho de Sigmund Freud; psicanálise é, assim, um termo mais específico, sendo uma entre

muitas outras formas de psicoterapia.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Freud além da alma


freudalemdaalma Análise do Filme: Freud Além da AlmaO filme Freud além da alma , retrata os momentos difíceis que Freud viveu no início de sua carreira de médico. É mostrado as descobertas de Freud com as próprias experiências pessoais do psicanalista e a teoria que desenvolveu sobre o Complexo de Édipo.
Sigmund Freud começa o filme internando uma pessoa com histeria,(doença emocional psíquica) sem a concordância dos outros médicos. A histeria é uma psiconeurose cujos conflitos emocionais inconscientes surgem na forma dissociação mental ou como sintomas físicos. Na verdade, os sintomas histéricos podem se manifestar em homens e mulheres. Charcot, neurologista francês, que emprega a hipnose para estudar a histeria, demonstrou que idéias mórbidas podiam produzir manifestações físicas. Freud, em colaboração com Breuer, começou a pesquisar os mecanismos psíquicos da histeria e postulou em sua teoria que essa neurose era causada por lembranças reprimidas, Freud ganhou uma bolsa para estudar com Charcot em Paris. Logo na primeira oportunidade Freud vê Charcot fazer um teste com dois histéricos, onde através da hipnose ele faz com que os histéricos eliminem seus problemas causados por traumas e depois faz eles terem outros problemas de histeria, apenas dando ordens enquanto os mesmos estavam hipnotizados. Assim chegamos a conclusão que a hipnose, tanto cura como cria sintomas.
Freud diz em palestra que a mente pode ser controlada pelo inconsciente e assim recebe o apoio do doutor Brauer que relata o caso de uma jovem que foi curada completamente através do transe hipnótico. Freud e Brauer conversam com a jovem hipnotizada, que conta relatos ao tempo que teve o trauma, em que seu cãozinho bebia água no copo.Depois de exteriorizar a sua irritação reprimida de nojo através de hipnose, pediu água, ela volta ao normal bebendo água, e podia ter um cão ao seu lado, o qual também tinha trauma por achá-lo temível.
Nesta parte do filme foi retratado o Método Catártico, no qual o paciente é induzido a hipnose, onde havia algo reprimido através da repressão da idéia por ser um evento traumático que inicialmente estava a nível consciente e vai para o inconsciente afetando a vida da pessoa através de um sintoma. Brauer convida Freud para trabalhar ao seu lado e Freud começa a trabalhar com os histéricos.
Freud se assusta com um jovem que diz em hipnose que matara o pai porque amava a própria mãe. Neste caso Freud pede ao jovem para que não se lembre de nada que tinha relatado durante a hipnose por esse caso mexer com ele por ele próprio não saber lidar com isso por ter o mesmo trauma - “O Complexo de Édipo”. Começa a ter sonhos estranhos, aqui começa a pensar no significado dos sonhos para mais tarde criar a Teoria dos Sonhos.
Devido a seu trauma, Freud diz que vai largar a terapia com hipnose, deixar de lado os “Estudos da Histeria. Mayers, doente, pede para que Freud recomece com seu estudo da histeria, diz que viveu uma vida inteira com problemas psicológicos, Devido à conversa com Mayers, Freud volta a ativa e tenta procurar o jovem que amava a mãe e descobre que ele morreu em um hospício”.
Freud cria uma teoria sobre neurose, diz que esta teoria tem haver com todos os casos já tratados e que não era só o dele, esta teoria se baseia que todos os traumas são ligados a sexualidade, Freud pede para que Brauer o leve a uma paciente que segundo Brauer não tinha nenhum problema causado pela sexualidade, Brauer vê que Freud tinha razão e passa a acreditar na “Teoria da sexualidade” como causa da histeria.
A paciente que parecia estar curada volta a ter recaída, ela cria uma gravidez psicológica, Brauer chega da a ordem com ela em transe e sai rápido, Freud não entende e Brauer diz que ela está apaixonada por ele e que não vai continuar o tratamento, pois isso poder acabar com seu casamento, a mulher de Brauer já estava desconfiada. Nesta parte do filme podemos ver como acontece atransferência, que na  teoria psicanalítica é a projeção de sentimentos, conteúdos, em relação a alguma pessoa, no caso o terapeuta, onde o paciente cria fantasias, neste caso específico, a jovem transfere para Brauer a relação que tinha com o pai.
O pai de Freud falece, e Freud não consegue entrar no cemitério, desmaia e tem um sonho amedrontador. Decide voltar ao cemitério novamente não consegue entrar e volta conversando com Brauer, tenta achar a ligação, tenta desvendar o que foi encoberto de pecado que seu pai fizera. Freud começa a tratar a jovem que Brauer descartara. Assim ele mudou de técnica onde as palavras saiam quase que inconscientemente, era o método da Associação livre. Assim, as esperanças antes depositadas no método catártico da hipnose,
Freud tentava buscar saber em que ponto da história daquela jovem o trauma ocorreu, e cada vez mais ele via um trauma na infância, novamente tem o problema da repreensão sexual ter sido na infância. Freud segura uma pulseira da mãe em formato de cobra que o faz sonhar e volta a pensar em quando ele era criança e o que acontecerá para ele ter aquele colapso na frente do cemitério, se lembra dos sonhos e vê a figura da mãe, que o deixou sozinho em uma noite para ir dormir com seu pai, ele ficou frustrado e queria a mãe ali, do lado dele e não com seu pai, teve ciúmes da mãe e se sentiu culpado por achar que desonrou seu pai. A cobra simbolizava a sexualidade. Ela lê o diário que era dos tempos de seu estudo Freud lembra que havia escrito uma vez: “o falso é às vezes a verdade de cabeça para baixo”, ele começa a repensar tudo que havia visto antes, que a pessoa podia mentir ou criar uma situação falsa e no inverso disto estar a realidade, quando a jovem dizia que seu pai a molestou, na verdade ela queria possuir seu próprio pai, seria uma fantasia que ela levou com ela para fase adulta sem saber administrar e que se tornou um trauma, então Freud começa a mudar sua teoria, pois em sua investigação na prática clinica sobre as neuroses, descobriu que a grande maioria de pensamentos e desejos reprimidos referiam-se de conflito de ordem sexual, localizados nos primeiros anos de vida. As descobertas colocam a sexualidade no centro da vida psíquica e é desenvolvido o segundo conceito mais importante da teoria psicanalítica: a sexualidade infantil, que são: 1. A função sexual existe desde o princípio de vida, logo após o nascimento e não só a partir da puberdade como afirmavam as idéias dominantes. 2. O período da sexualidade é longo e complexo até chegar a sexualidade adulta, onde as funções de reprodução e de obtenção de prazer podem estar associadas, tanto no homem como na mulher. 3. A libido, nas palavras de Freud, é a “energia dos instintos sexuais e só deles”.
Freud conversa com a mãe da jovem e ele diz que teve vontade de matar a filha, mas só quando ela estava dentro do seu ventre, pois ela era dançarina de cabaré e o seu esposo depois que a engravidou nunca mais a tocou e só saia com as prostitutas. Nota-se que existe uma competição entre mãe e filha pela atenção e cuidados do pai.
Conversando com Brauer, que acha muito difícil por na cabeça dos outros médicos a idéia de que a teoria seria invertida, do sexualismo adulto se tornar o sexualismo infantil, e Brauer pede para Freud retirar este capitulo do livro, Freud não se entrega e diz que vai seguir sozinho de agora em diante e que vai expor a teoria da sexualidade na infância ao conselho de médicos.
No conselho, Freud começa a expor, frisando como “A Idade da Inocência”, que a criança não tem consciência sexual. Neste momento todos os médicos começam a ironizar as suas palavras e alguns médicos se retiram do recinto. Freud continua a falar mesmo assim, diz que a criança tem um desejo, a mãe, e tem um concorrente, o pai, a criança passa a se ver de frente com um rival, o desejo da criança passa a ser corroído, se transformando em ódio e amor, cita Édipo, que matou o pai e casou-se com a mãe, foi punido (reprimido) e ficou vagando pela vida sem um lar. Sobre o Complexo de Édipo, Freud explica aos médicos que o amor de uma filha pelo pai é o máximo em erotismo infantil, que cada ser humano tem este desafio, de se confrontar com o seu complexo e de supera-lo, se conseguir superar se torna um ser humano completo, Nesta fala de Freud podemos perceber o conceito das fases do desenvolvimento sexual, que são as seguintes:
Fase oral a zona de erotização é a boca e o prazer ainda está ligado à ingestão de alimentos e à excitação dos lábios e da cavidade bucal. Objetivo sexual consiste na incorporação do objeto.
Fase anal a zona de erotização é o ânus e o modo de relação do objeto é de “ativo” e “passivo”.Este controle é uma nova fonte de prazer. Acontece entre 2 e 5 anos o complexo de Édipo, e é em torno dele que ocorre a estruturação da personalidade do indivíduo.
Fase fálica – a zona de erotização é o órgão sexual. Apresenta um objeto sexual e alguma convergência dos impulsos sexuais sobre esse objeto. No caso do menino, a fase fálica se caracteriza por um interesse que ele tem pelo próprio pênis em contraposição à descoberta da ausência de pênis na menina. Na menina esta constatação determina o surgimento da “inveja do pênis” e o conseqüente ressentimento para com a mãe “porque esta não lhe deu um pênis, o que será compensado com o desejo de Ter um filho”.
Fase Genital – Na adolescência é atingida a última fase quando o objeto de erotização não está mais no próprio corpo, mas em um objeto – o outro. Neste momento meninos e meninas estão conscientes de suas identidades sexuais distintas e começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades. Um médico que faz parte do conselho pergunta a Brauer, que também faz parte de tal, se ele concordava com Freud e Brauer após ter defendido o amigo, dizendo que ele é um dos melhores no meio médico para estes assuntos, diz que jamais poderia concordar com tal teoria de Freud, a “Sexualidade Infantil” não existe.
Freud caminha lentamente e consegue ultrapassar os muros do cemitério, onde caminha até a lapide de seu pai.
O filme termina deixando uma pergunta que foi escrita no templo de Delfos, a mais de dois mil anos atrás, lá estava escrito:“Conheça a Si Próprio”,

O QUE É A PSICANÁLISE


Psicanálise é um procedimento para investigação dos processos mentais, e um método terapêutico baseado nesta investigação, destinado ao tratamento dos distúrbios psíquicos, bem como do sofrimento que acompanha esses distúrbios. É também um processo de desenvolvimento para mentes livres de maiores dificuldades, que muito se beneficiam dessa forma de terapia. É ainda, um conjunto de informações psicológicas obtidas através de uma prática clínica intensa, que possui um corpo teórico bastante abrangente, e que leva a uma compreensão profunda do mundo mental das pessoas. Para a psicanálise, boa parte das motivações que geram as emoções e os comportamentos das pessoas é determinada por fatores inconscientes que não podem ser acessados voluntariamente, e que influenciam decisivamente suas vidas. O tratamento analítico tem por objetivo ampliar a compreensão do paciente sobre suas próprias atitudes, levando a escolhas conscientes, a uma melhor condução da vida e a uma diminuição do sofrimento psíquico.


Vale a pena visitar

http://escolafreudianabhiepsi.blogspot.com/

terça-feira, 13 de setembro de 2011

"Toda vez que uma criança abre seu coração para mim e 


compartilha essa assombrosa sabedoria geralmente mantida 


oculta, eu sinto uma profunda reverência. As crianças com 


quem trabalhei talvez não saibam, mas elas me ensinaram 


muita coisa a respeito de mim mesma." Violet Oaklander

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA HEBIATRIA PARA PAIS DE ADOLESCENTES


A palavra hebiatria vem de Hebe, deusa da beleza e da juventude.

A hebiatria é o estudo do adolescente e compreende o período de transição entre a infância e a idade adulta que vai 10 a 20 anos podendo chegar até 24 anos como é chamado adolescência tardia.

É uma fase de grande instabilidade emocional nos jovens, um período de turbulência gerando quase sempre conflitos entre pais e filhos.

Nesta fase encontramos uma série de transformações biológicas e psicosociais. É necessário o acompanhamento para melhor orientação aos adolescentes e aos pais que necessitam compreender estas mudanças.

A orientação aos pais é fundamental para colaboração de limites em um jovem que se acha dono da verdade. Neste acompanhamento vamos orientando sobre a síndrome do adolescente normal, onde vamos identificando:

• A busca da identidade adulta;
• A separação progressiva dos pais;
• A tendência grupal;
• A necessidade de intelectualizar e fantasiar;
• A crise religiosa;
• A evolução sexual;
• A atitude reivindicatória;
• As contradições nas manifestações de conduta;
• Flutuações de humor;
• Etc.

Drª. Isabel Cristina Miranda de SouzaHebiatra
Imagem: Getty Images

sábado, 3 de setembro de 2011

Navio


"Chega ao colégio e – surpresa! –pedem-lhe que faça um navio. A coisa que ele mais gosta: desenhar. Faz um navio lindo, redondo como a lua, cheio de árvores no interior e com dois bichos nadando – elefantes, diz ele. A professora olha a obra de arte, pergunta o que é e recebe a resposta: “Um navio!” Carinhosamente, a professora vai até o quadro e desenha um navio clássico, com velas, proa e popa, um digno navio de adulto, e diz: “João Paulo, isso é um navio, e elefante não nada!” 
João Paulo havia feito um navio original, diferente dos outros, lindo, nunca feito por alguém. Havia criado o primeiro navio redondo, e a professora, que seguramente não havia lido O Pequeno Príncipe, deu-lhe uma boa lição de como as pessoas devem ser bitoladas desde criancinhas (p. 175)."
texto do Dr Antônio Márcio Lisboa
fonte: http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/4708/1/2009_TaicydeAvilaFigueiredo.pdf
 
http://maternarconsciente.blogspot.com/

Neurônios programados para imitar



Temos a tendência a reproduzir, ainda que internamente, os gestos de outra pessoa; quando isso não é possível, mecanismos neurológicos específicos são acionados


Os neurônios-espelho são células cerebrais especializadas que nos permitem simular internamente as ações de outras pessoas e até perceber o que o outro pensa e sente – e nos identificar com esse sentimento. Embora estejam presentes em várias espécies (foram descobertas em macacos Rhesus), nos humanos essas estruturas celulares possibilitam o acesso à cultura, comportamentos empáticos e o desenvolvimento da linguagem. Quando vemos alguém levantando o braço, por exemplo, os neurônios-espelho ativam áreas do córtex motor (correspondentes a esse membro) e fazem com que o cérebro “ensaie” internamente a repetição dos movimentos alheios. Mas o que acontece ao observarmos uma pessoa em posições que não conseguimos reproduzir? Para investigar essa questão, a psicóloga e neurocientista Emily Cross, do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e do Cérebro, na Alemanha, e sua equipe analisaram o funcionamento cerebral de 18 voluntários. Eles foram submetidos a exames de ressonância magnética funcional (fMRI), enquanto eram mostradas fotografias de uma contorcionista em posições comuns (esticando-se para o lado, por exemplo) e em gestos mais complexos (como deitar de bruços com os dedos do pé tocando a testa). Os resultados mostraram que as duas situa-ções acionam o sistema de neurônios-espelho. No segundo caso, porém, mais uma região foi ativada: a área extraestriada (EBA, na sigla em inglês), relacionada ao sistema -visual e conhecida por reagir fortemente a imagens de membros humanos.


Os pesquisadores acreditam que em princípio todos os movimentos são “copiados” pelos neurônios-espelho. No entanto, quando o grau de dificuldade das posturas aumenta, a EBA é ativada, para indicar se aquela ação poderá ou não ser imitada. “Ao vermos alguém dançar no palco nosso cérebro se imagina realizando a mesma proeza, até que o bailarino faz uma pirueta difícil e ficamos impressionados, sem entender como aquele salto foi possível”, afirma Emily.
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/neuronios_programados_para_imitar.html