quarta-feira, 6 de julho de 2011

Criança mais segura!! Perguntas e respostas

 Ter vários amigos no MSN, YAHOO MESSENGER, GOOGLE, ICQ, TWITTER, entre outros, significa que sou uma pessoa popular no meio virtual e que posso confiar minhas informações pessoais a todos esses amigos?
Cuidado! Quantidade não é sinônimo de qualidade. Certifique-se com quem está falando. Nunca adicione um suposto amigo, sem antes, realmente procurar informações a respeito de quem ele seja. Pergunte algo que só ele saberia, pois mesmo quando você já o conhece há tempos pode ter outra pessoa usando o perfil ou nome dele, se fazendo passar por ele.

Pessoas mal intencionadas e criminosas podem tentar se aproximar através deste tipo de comunicação, apresentando-se como "amigo", e até mesmo dizendo que possui idade semelhante, para adquirirem confiança das vítimas e praticarem seus crimes.
É legal ter amigos e poder adicioná-los, mas, procure pesquisar antes qual o tipo de amigo que está querendo falar com você. Selecione suas amizades digitais.
O que acontece quando divulgo minhas informações pessoais em sites de relacionamentos, blogs e comunicadores instantâneos?
Todas as pessoas que fazem parte da sua rede de relacionamentos e até mesmo as que não fazem, poderão ter acesso as suas informações, o que permitirá que você possa ser identificado e até mesmo encontrado facilmente. 
Informação é essencial quando se quer praticar um seqüestro por exemplo. Por isso, evite divulgar conteúdos relacionados a rotina, endereço onde mora, endereço onde estuda, renda familiar e outras situações que possam lhe deixar exposto demais.

A Webcam pode colocar em risco a integridade de quem a utiliza?
Sem dúvida alguma. Quando se utiliza a Webcam para falar com pessoa que você não tenha certeza de quem seja, você corre o risco de que façam "print´s" de sua imagem e que as mesmas sejam exibidas em comunicadores ou blogs, com o intuito de tumultuar sua vida. Por isso, evite se "exibir em situações íntimas demais" perante uma webcam. Você nunca sabe onde esta imagem irá parar. O mesmo se aplica ao celular. Seja cuidadoso!

Posso participar de sites de relacionamentos do tipo Orkut, Facebook, MySpace, Linkedin e Twitter?
Sim, claro! Através de redes sociais e comunicadores instantâneos é possível adquirir conhecimentos, fazer amigos, conhecer lugares e culturas diferentes, porém, é necessário ter cautela ao participar desses ambientes eletrônicos. No entanto, sempre observe a idade mínima estabelecida pelo termo de uso do serviço.

Faça bom uso destes ambientes, escolha bem em quais vai participar. Existem muitas comunidades que são criadas para denegrir a imagem de diversas pessoas e empresas. Caso participe de uma comunidade deste tipo, você e seus pais também podem ser responsabilizados. Seus pais acabam tendo que pagar a conta, pois se você é menor de idade, são eles os seus responsáveis legais.
Não participe de comunidades ou blogs relacionados a práticas criminosas ou cujos conteúdos possam de algum modo gerar danos a terceiros.
Posso publicar fotos em sites de relacionamentos?
Pode, mas cuidado principalmente com fotos publicadas em poses sensuais ou em situações constrangedoras. Você poderá ter sua imagem copiada e divulgada por terceiros, tornando-se alvo de humilhações, o que poderá trazer prejuízos irreparáveis a sua reputação. Depois que um conteúdo é colocado na internet, não há mais como tirá-lo totalmente do ar. É difícil o arrependimento digital, e isso pode ficar por anos.

Se alguém usar meu computador ou e-mail para praticar uma ofensa a outra pessoa, eu serei responsável? E meus pais?
Como o computador usado é o seu ou então a mensagem será enviada do seu próprio e-mail, você se torna o primeiro e principal suspeito, e muitas vezes, é difícil provar a inocência nestes casos. Pois a máquina vai testemunhar que foi você, e se sua responsabilidade não for por ação, poderá incorrer por omissão, por ter sido negligente.

Caso você ainda não tenha 18 anos poderá responder criminalmente pelo Ato Infracional praticado (no caso, um ato Infracional contra a honra, similar ao crime de mesmo nome) previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, e seus pais ou responsáveis poderão responder civilmente pelos danos causados, ou seja, terão que pagar a conta do prejuízo.
Não se esqueça de:
·                                 Sempre encerrar a sessão ao terminar de utilizar seus e-mails, sites de relacionamentos, blogs, etc. e,
·                                 Não forneça sua senha para outras pessoas, nem por prova de amor ou amizade.
Proteja sua senha, pois ela é sua identidade digital!
Qual o melhor lugar para instalar o computador?
Depende de qual o grau de cultura de uso seguro do computador os integrantes da família já possuem. Independente de estarmos em uma época mais digital e tecnológica, é natural que o jovem, o adolescente, queira ousar, testar os limites, e caberá sempre aos pais orientar sobre a dose certa conforme a idade. Quando o filho já é mais responsável e respeitador das regras da casa, pode lhe ser dada maior autonomia, devido à confiança que ele já demonstrou. Mas é preciso testar e demonstrar esta confiança. Por isso, se é o primeiro computador da família, ou se quem será seu usuário não está ainda muito bem instruído sobre uso seguro, é preferível que o mesmo seja colocado em um local mais público da casa, e não apenas dentro do quarto isolado, para se ter mais acesso, (ex: sala) para que possa haver um certo controle com relação ao tempo que seu filho permanece no computador e o que ele faz durante esse período.

Não é proibir, mas sim ensinar a usar da forma correta e aprender dentro de casa, com amor e carinho é melhor do que com estranhos, na rua.
Liberdade requer responsabilidade!
Posso fotografar quem eu quiser com a câmera do meu telefone e ainda publicar essas imagens na Internet?
Você não pode fotografar as pessoas sem pedir sua autorização.

Se você tirar fotos ou filmar pessoas sem autorização, estará violando o direito de imagem destas pessoas.
Evite fazer uso de imagens que você não sabe se pode dar problema, por isso, quando há autorização, tem-se a certeza de que não haverá qualquer tipo de transtorno. E mesmo estando autorizado, respeite o limite do bom senso e da boa-fé, não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você, não abuse do direito que lhe foi dado, não ridicularize os outros.
Mas e se eu tirar fotos minhas?
Você pode tirar fotos suas e enviar a seus amigos ou colocá-las na Internet. No entanto, se você é menor de idade, precisará do consentimento dos seus pais, visto que cabe a eles verificar o que é melhor para você, mesmo sendo suas próprias fotos. Muitas vezes uma criança ou jovem não consegue ver o perigo, a conseqüência, o risco, por isso é uma responsabilidade de seus pais, e se os mesmos não são presentes na sua vida digital, podem ser responsabilizados por esta omissão. Na dúvida, pergunte antes para eles, para evitar situações desagradáveis. Compartilhe, consulte seus pais também e não só os buscadores da Internet. Pois são seus pais que estarão ao seu lado para lhe ajudar sempre que precisar.

Posso baixar arquivos em meu computador mesmo sabendo que eles não são autorizados ou não têm origem conhecida?
Cuidado ao pegar conteúdos na internet, especialmente jogos, filmes e músicas. É comum os mesmos não estarem autorizados para cópia gratuita, e cabe ao titular do direito autoral permitir isso, ou não. Se você tiver dúvidas sobre a origem do arquivo, evite-o. O barato pode sair caro. Não é porque está publicado na Internet que está em domínio público (sem ter que ser pago o direito autoral). Imagine se fosse algo seu, você iria gostar que pegassem sem sua autorização? Se puder, verifique junto ao site a origem, envie um email perguntando. Tem muita coisa gratuita boa, sem riscos legais, autorizado, mas também tem muitas ilegais. É bom ter cuidado.

Pirataria e plágio são crimes!
Não pegue ou copie o que não é seu. Violar Direitos Autorais também é crime!
Quando precisar usar o que não é seu, sempre faça a menção de bibliografia, do autor, do site, da data em que estava publicado na web e de todo o material utilizado que não seja de sua autoria.
Se eu encontrar conteúdo ilícito, por algum motivo, em um equipamento, devo denunciar? Como faço isso?
Caso você encontre qualquer tipo de material ilícito (ex: pedofilia, pirataria, material relacionado a tráfico de drogas, etc.) deve denunciar às autoridades para ajudar no combate a criminalidade nos meios virtuais.

Se o material for relacionado a pedofilia ou a qualquer outro crime você deve denunciar em www.safernet.org.br.
É importante você saber que se este material for encontrado na sua máquina você poderá se tornar um suspeito, por isso a denúncia ajuda a demonstrar sua boa-fé, sua intenção em que se pegue o verdadeiro infrator e que você não o está acobertando.
Caso seja um e-mail fraudulento denuncie em crime.internet@dpf.gov.br.
Como eu consigo identificar um e-mail fraudulento?
Não existe uma regra para identificar e-mails fraudulentos, chamados também de phishing scam.

O ideal é adotarmos algumas medidas preventivas, para evitarmos que esse tipo de e-mail seja aberto e que transfira vírus ou capture informações suas (ex: senhas, números de cartão de crédito, outros):
·                                 Só abra e-mails de pessoas conhecidas e confiáveis e mesmo assim, se considerar que pode ter algo estranho, verifique o destinatário do e-mail. Cuidado com anexos, especialmente os executáveis (.exe);
·                                 Evite responder emails que peçam informações suas sem ter certeza da real intenção da solicitação. Em caso de dúvida, entre em contato com o solicitante por outra via (telefone, contato direto no site) para confirmar o pedido;
·                                 Verifique o link do destino, evite sair clicando sem checar antes se o link realmente está remetendo para o endereço que estava escrito no email;
·                                 Não navegue em sites que não sejam confiáveis;
·                                 Já existe vírus para celular assim como abordagem falsa por comunicador instantâneo, logo tenha os mesmos cuidados também nestes ambientes; e
·                                 Mantenha sempre a versão mais atualizada de seu Antivírus.
Já existem programas que são capazes de identificar essas fraudes eletrônicas, se puder, faça uso de um deles.
O que devo fazer se alguém me ameaçar digitalmente?
Você deve imediatamente comunicar a seus pais e/ou professores para que eles possam procurar a Delegacia de Polícia mais próxima e registrarem um Boletim de Ocorrência.

É importante que você tome alguns cuidados para preservar a prova digital:
·         Guarde as imagens da tela ("print-screen") de eventual crime ocorrido;
·          Não apague os arquivos, caso estes tenham algum vestígio de crime digital;
   Você poderá registrar uma Ata Notarial em um Cartório de Notas. A Ata notarial é um documento elaborado pelo Tabelião no qual ele descreve o conteúdo de um site, e-mail, etc. É uma espécie de certidão e é plenamente válida em juízo e,
·        Procure um advogado para lhe orientar sobre o que poderá fazer judicialmente.



Criança mais segura!!

Importante...

http://www.criancamaissegura.com.br/cartilhas.php



terça-feira, 5 de julho de 2011

Palestra 07/07/2011

TEMA: Inclusão e Deficiência

PALESTRANTES: Dr Christovão de Castro Xavier e Dr José Belisário 
DIA: 07/07/2011 (5ª feira)
HORAS: 20h
LOCAL: Associação Médica de Minas Gerais
INSCRIÇÕES: com Selmira, pelo tel: 3247.1647(gratuita)

O Desenvolvimento das habilidades em Matemática e a Discalculia


Nos humanos, a representação interna para quantidades numéricas se desenvolve no primeiro ano de vida, servindo de base, mais tarde, para aquisição de habilidades para o aprendizado dos símbolos numéricos e a realização de cálculos.
Existem hoje fortes evidências de que as crianças já possuem habilidades básicas para o desenvolvimento da matemática. Wynn (1992) demonstrou que crianças podem realizar cálculos simples em torno dos seis meses de idade.
Segundo Lefèvre (1989), Piaget, em 1952, criou a teoria do conceito numérico da criança, demonstrando que no período operatório (6 a 7 anos) a criança desenvolve o pensamento lógico-matemático. Este é o resultado das fases anteriores: período sensório-motor (até 2 anos) e período pré-conceptual intuitivo (2 a 5 anos). Aebli, a partir desses conhecimentos, desenvolveu um modelo didático para o aprendizado da matemática, dividindo-o em quatro passos:
·         O primeiro passo é uma ação que inclui objetivos reais (por exemplo: “Eu tenho 5 maçãs e tiro 3, quantas ficam?”).
·        O segundo passo é uma ilustração simbólica da operação matemática. A representação realística é modificada em uma forma mais abstrata (por exemplo: “Se eu apagar 3 dos 5 círculos desenhados na lousa, quantos ficarão?”).
·         O terceiro passo é a transformação dos símbolos em números, com a vantagem da aplicabilidade universal (por exemplo: “Quanto é 5 menos 3?”).
·        O quarto e último passo é a automatização de resultados conhecidos, por meio da repetição.
Vários estudos deram contribuições importantes para a compreensão do desenvolvimento das habilidades em matemática.
Escala de desenvolvimento de aritmética

Butterworth, 2005
Clique para ver a tabela aumentada


O Cérebro e a Matemática
A fase especulativa
Galeno, no ano de 200 d.C., afirmou que existiam áreas cerebrais especializadas em diversas funções, entretanto, com o domínio romano e o cristianismo tornando-se a religião oficial do Império romano, o pensamento de Santo Agostinho prevaleceu por 1.400 anos, atribuindo essas funções à existência de uma alma imortal.
Segundo Sabbatini (2002), no século XVIII, as funções cerebrais podiam somente ser imaginadas; não existiam métodos comprovadamente científicos, a não ser algumas observações em pacientes com distúrbios neurológicos.
Em 1796, Franz Joseph Gall, um médico austríaco, mostrou a sua teoria localizacionista, afirmando que existiam áreas cerebrais responsáveis para funções especificas e que estas podiam ser percebidas pela palpação de saliências e depressões do crânio.
Estava criada a frenologia (phrenos = mente e logos=estudo) com o trabalho “A anatomia e fisiologia do sistema nervoso em geral e do cérebro em particular”.
Os estudos de Gall foram completados por seu discípulo Johann Spurzheim, que colaborou também na sua divulgação.
A teoria frenológica gerou polêmicas religiosas e cientificas, sendo considerada uma forma de charlatanismo. Historiadores relatam que entre os principais inimigos da frenologia estavam Curvier, representando o Instituto da França, e Napoleão, que ficou insatisfeito com a interpretação de Gall sobre seu mapa, pois este não mostrou algumas de suas qualidades.
É surpreendente que, quase 200 anos após uma das áreas cerebrais envolvidas no cálculo matemático foi confirmada pelos estudos com a tomografia com emissão de pósitrons (PET): esta registrou o envolvimento do córtex pré-frontal do hemisfério dominante durante a realização de cálculos, na localização comparável aquela que Gall e Spurzheim propuseram.
A fase científica
Dois estudos são considerados como os iniciadores desta fase: em 1861, Broca demonstrou a área responsável pela função expressiva da fala e, em 1874, Wernick demonstrou a área cerebral responsável pela sua função perceptiva.
Segundo Hein (2000), em 1908 Lewwandowsky e Stadelmann descreveram um paciente com déficit em adição e subtração, em que foi encontrado um hematoma na região occipital esquerda. Seguiram-se os estudos de Henschen (1919), Berger (1926) e Gerstmann que, em 1927, publicou um artigo com um complexo sintomático: anomia para dedos, desorientação direita-esquerda, disgrafia e discalculia.
Em 1940, o mesmo autor atribui que esses sintomas são conseqüentes à lesão do gyrus angular do hemisfério dominante, hoje denominada síndrome de Gerstmann.
Na criança, tem sido relatados estudos com a denominação de síndrome de Gerstmann do desenvolvimento. Recentemente, Suresh e Sebastian (2000) estudaram 10 crianças com os sintomas da síndrome de Gerstmann: sinais neurológicos sutis, distúrbio de comportamento e distúrbio da linguagem, propondo intervenção cognitiva intensiva com bons resultados.
Em 1961, valiosa contribuição foi dada por Cohn, que desenvolveu o primeiro modelo para a compreensão das desordens em cálculos.
Ainda em 1961, Hécaen e colaboradores descreveram os diversos subtipos de discalculia.
Distribuição hemisférica da habilidade no processamento numérico
Enquanto a representação cerebral para quantidades é conhecida desde 1970, apenas recentemente os estudos neuropsicológicos começaram a investigar a organização cerebral do processamento numérico no cérebro humano.
Em 1984, Gazzaninga e colaboradores estudaram pacientes com lesão de corpo caloso ou seccionado cirurgicamente, mostrando que ambos os hemisférios tem áreas disponíveis para quantidades e cálculos. Mostraram ainda que ambos os hemisférios podem processar números e quantidades, existindo pelo menos duas importantes diferenças entre o hemisfério esquerdo e o direito: 1. os números apresentados ao hemisfério esquerdo podem ser nomeados, enquanto ao direito não; 2. os pacientes podem calcular somente com números apresentados ao hemisfério esquerdo, enquanto fracassam com o direito, mesmo com operações simples. O único cálculo possível com o hemisfério direito é o de aproximação. Não pose pode decidir se 2+2 e igual a 4 ou 5, mas sabe-se que não é 9.
Entre os 6 e 12 anos de idade são necessários os seguintes requisitos para o aprendizado adequado da matemática: a) ter a capacidade de agrupar objetos de 10 em 10; b) ler e escrever de 0 a 99; c) saber a hora; d) resolver problemas com elementos desconhecidos; e) compreender meios e quartos; f)medir objetos; g) nomear o valor do dinheiro; h) medir volume; i) contar de 2 em 2, 5 em 5, 10 em 10; j) compreender números ordinais; l) completar problemas mentais simples; e m) executar operações matemáticas básicas.
A habilidade em matemática de um adulto letrado deve incluir: leitura, escrita, produção e compreensão de números (nos formatos arábicos e palavras numéricas), conversão de números nesses formatos, realização de operações de adição, subtração, multiplicação e divisão, além de resolução de problemas aritméticos.
Imagem cerebral e cálculos
Em 1985, Roland e Friberg foram os primeiros a estudar o fluxo sangüíneo regional durante a execução de cálculos matemáticos, demonstrando que as áreas parietais inferiores e o córtex pré-frontal são ativados neste processo.
Os estudos com tomografia com emissão de pósitrons (PET) também mostram a ativação das mesmas regiões. Estas localizações foram confirmadas usando-se a ressonância magnética funcional (RMf).
Bases Neuropsicológicas
O cálculo é uma função cerebral complexa; em uma operação aritmética simples, vários mecanismos cognitivos são envolvidos, como por exemplo: a) processamento verbal e/ou gráfico da informação; b) percepção; c) reconhecimento e produção de números; d) representação número/símbolo; e) discriminação visoespacial; f) memória de curto e longo prazo; g) raciocínio sintático; e h) atenção.
A seguir, são descritos dois modelos neurocognitivos para explicar o processamento matemático e a discalculia.
Modelo de McCloskey (1985)
O mecanismo de compreensão e produção de números é diferente. Existem dois subsistemas: um para o processamento do sistema numérico arábico (por exemplo, 435) e outro componente para o sistema numérico verbal – formas falada e escrita (por exemplo, quatrocentos e trinta e cinco).
Dentro do mecanismo de compreensão e produção de números nas formas arábica e verbal, distingue-se o componente léxico e o sintático. O processo léxico nos permite compreender e produzir números como elementos individuais (por exemplo, o dígito 3 e a palavra três). O processo sintático, por outro lado, envolve a relação entre os elementos em ordem, para compreender ou produzir um número como um todo.
A compreensão do número arábico 4.759 exige conhecimento do processo léxico para os dígitos 4, 7, 5 e 9 e do processo sintático, que usa a posição dos dígitos para determinar que o número é feito de quatro milhares, sete centos, cinco dezenas e nove unidades; o mesmo processo é usado para os números na forma verbal.
O sistema para cálculo tem três componentes, além do mecanismo de processamento numérico:
1.                             processamento do símbolo operacional (por exemplo, 7);
2.                             lembrança dos fatos aritméticos básicos (por exemplo, 6 x 7 = 42);
3.                             execução do procedimento de cálculo.
Em operações com multiplicações, iniciar com a coluna da direita, escrever a soma dos números abaixo da coluna; quando a soma for maior que nove, lembra de “emprestar”, e assim por diante. Modelo do triplo código de Dehaene e Cohen Em 1996, Dehaene e colaboradores propõem o modelo triplo código e os circuitos cerebrais envolvidos no processamento numérico e nos cálculos.
As informações numéricas podem ser manipuladas no cérebro de três formas: uma representação analógica de quantidade, na qual os números são representados com um formato verbal (por exemplo, trinta e sete), e uma forma visual, na qual o número é representado como uma seqüência de símbolos numéricos (por exemplo, 37).
O processo transcodificador permite que a informação seja modificada de um código para outro. Pode-se converter um número arábico para uma palavra numérica (3 para três) e vice-versa.
Cada tarefa de processamento numérico é baseada em conjuntos fixos de entrada e saída. O modelo postula que a tabuada de multiplicação é memorizada utilizando-se uma associação verbal entre números, representados como se fossem uma seqüência de palavras (por exemplo, três vezes sete igual a vinte e um). A subtração é uma operação em que não se utiliza o aprendizado verbal, baseando-se fortemente na representação quantitativa, e as operações com vários números com freqüência são realizadas usando-se o código arábico visual e a representação espacial de números alinhados.
O modelo de McCloskey não correlaciona as funções cognitivas e as áreas cerebrais envolvidas no processo, o que é feito no modelo de Dehaene e Cohen.
As observações neuropsicológicas são associadas com os circuitos anatômicos para cada função: as áreas occipito-temporais inferiores de ambos os hemisférios estão envolvidas no processo de identificação visual que da origem à forma dos números arábicos; a área perissilviana esquerda esta envolvida na representação verbal dos números; e as áreas parietais inferiores de ambos os hemisférios estão envolvidas na representação analógica quantitativa.
O cérebro e a dificuldades em matemática
O número de pessoas com dificuldades para resolver problemas matemáticos simples, do dia-a-dia, é muito grande. Em 1995, no Brasil, foi feita uma avaliação em matemática nos alunos de quartas e oitavas séries do 1º. Grau. Essa avaliação mostrou um baixo rendimento, com maiores dificuldades em questões relacionadas à aplicação de conceitos e à resolução de problemas.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2001 mostra que o rendimento em matemática caiu em relação às avaliações, nos anos de 1995, 97 e 99, entre os alunos da 4ª. Série.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), no item 315.5, define o transtorno da matemática como: “Uma capacidade para a realização de operações aritméticas (medida por testes padronizados, individualmente administrados, de cálculo e raciocínio matemático) acentuadamente abaixo da esperada para a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade do individuo (critério A). A perturbação na matemática interfere significativamente no rendimento escolar ou em atividades da vida diária que exigem habilidades em matemática (critério B). Em presença de um déficit sensorial, as dificuldades na capacidade matemática excedem aquelas geralmente associadas a estas (critério C). Caso esteja presente uma condição neurológica, outra condição médica geral ou déficit sensorial, isto deve ser codificado no eixo III. Diferentes habilidades podem estar prejudicadas no transtorno da matemática, incluindo habilidades lingüísticas e perceptuais (por exemplo, reconhecer ou ler símbolos numéricos ou aritméticos e agrupar objetos em conjuntos), habilidades de atenção (por exemplo, copiar corretamente números ou cifras, lembrar de somar os números ‘levados’ e observar sinais de operações) e habilidades matemáticas (por exemplo, seguir seqüências de etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação)”.
Em 1991, Segalowitz e colaboradores estudaram a correlação entre o trauma de crânio moderado e a dificuldade no aprendizado de matemática. Esses autores demonstraram que o rendimento piorou após o trauma de crânio.
Em 1993, Gross-Tsur e colaboradores mostraram que há diversas doenças que podem implicar certas dificuldades para a aquisição das habilidades em matemática, sendo, por exemplo, encontradas em crianças com epilepsia, portadoras da síndrome do X frágil, síndrome de Turner e fenilcetonúria tratada, entre outras.
Em 1994, Klebanov e colaboradores avaliaram crianças que nasceram com baixo peso e peso normal, encontrando maior dificuldade no aprendizado de matemática nas de peso abaixo de 1 kg. Este estudo foi confirmado por Isaacs em 2001.
Em 1996, Kopera-Frye e colaboradores estudaram 29 pacientes com síndrome fetal alcoólica, usando testes para avaliar habilidades em matemática, e encontraram comprometimento do processamento numérico.
Em 1997, Alarcon e colaboradores estudaram gêmeos e mostraram que existem fortes indícios de significante fator hereditário nos casos com distúrbios em matemática, existindo necessidade de outros estudos.
Em 1998, Aronson e Hagnerg acompanharam crianças, filhos de mães alcoólatras, e encontraram dificuldade em memória de curto prazo, desorientação espacial e dificuldade em matemática.
A figura abaixo mostra de forma esquematizada as diversas causas de mau rendimento em matemática.

Classificação das dificuldades em matemática. TDAH = transtorno de déficit de atenção/hiperatividade
Acalculia e discalculia do desenvolvimento
Estes são basicamente os dois tipos de anormalidades em matemática. Segundo Rosselli e Ardilla, o termo acalculia foi introduzido por Henschen em 1925, significando a perda da capacidade de executar cálculos e desenvolver o raciocínio aritmético. Em 1961, Hecaen e colaboradores estudaram 183 pacientes com lesões cerebrais e reconheceram três subtipos de acalculia: 1) alexia e agrafia para números, em que existe dificuldade para ler e escrever quantidades, com o comprometimento no hemisfério cerebral esquerdo; 2) acalculia espacial, em que existe dificuldade na orientação espacial, impossibilitando a colocação dos números em posições adequadas para se executar cálculos, com comprometimento do hemisfério direito; 3) anaritmetia, que corresponde à acalculia primária e implica a inabilidade em conduzir operações aritméticas, em conseqüência de lesões em ambos os hemisférios.
Segundo a Academia Americana de Psiquiatria, discalculia do desenvolvimento é uma dificuldade em aprender matemática, com falhas para adquirir proficiência adequada neste domínio cognitivo, a despeito de inteligência domal, oportunidade escolar, estabilidade emocional e motivação necessária. Aproximadamente entre 3 e 6% das crianças tem discalculia do desenvolvimento.
Os sintomas encontrados com mais freqüência são: 1) erro na formação de números, que frequentemente ficam invertidos; 2) dislexia; 3) inabilidade para efetuar somas simples; 4) inabilidade para reconhecer sinais operacionais e para usar separações lineares; 5) dificuldade para ler corretamente o valo de números com multidígitos; 6) memória pobre para fatos numéricos básicos; 7) dificuldade de transportar números para local adequado na realização de cálculos; 8) ordenação e espaçamento inapropriado dos números em multiplicações e divisões.
Existe estreita relação dos sintomas descritos por Cohn e os déficits encontrados por Luria na sua avaliação em pacientes com lesões cerebrais traumáticas.
Em 1983, Mesulan e colaboradores estudaram 14 pacientes com problemas emocionais e de inter-relação pessoal associados com dificuldades de aprendizado, principalmente em matemática.
Em 1991, O’Hare e colaboradores descreveram dois quadros clínicos que dependem do hemisfério comprometido: a) disfunção do hemisfério direito caracterizada por inabilidade em conceituar quantidades numéricas, preservando o reconhecimento e a produção dos símbolos numéricos, podendo haver associação com incoordenação da mão esquerda, dispraxia contrututiva, pobre orientação espacial e perda da melodia normal da fala (disprosódia); b) manifestações em conseqüência do comprometimento do hemisfério esquerdo estão relacionadas à inabilidade para reconhecer e produzir números e símbolos operacionais, preservando o conceito de quantidade numérica. Existe comprometimento em cálculo mental, conseqüente à falta de habilidade em montar seqüências de números, memória auditiva de curto prazo comprometida, podendo apresentar ainda desorientação direita-esquerda, agnosia para dedos e dislexia.
O’Hare e colaboradores ressaltaram ainda a importância prática da distinção entre os dois quadros, pois é diferente a estratégia de reabilitação para cada um. As dificuldades envolvendo o hemisfério cerebral direito exigem o uso de atividades como gráficos e treino de orientação espacial, enquanto as com envolvimento do hemisfério cerebral esquerdo, atividades com reforço verbal. Aconselha-se para a família dos portadores de comprometimento do hemisfério esquerdo a ajuda com o software “Mathstalk”, enquanto o “Mathsmagic” pode ser de maior ajuda para os que tem comprometimento do hemisfério direito; no Brasil existem recursos de mídia que podem ser utilizados.
Existem diversos estudos sobre a utilização de tecnologia de mídia no tratamento das crianças com transtornos em matemática; entretanto, o desempenho é melhor coma interferência direta do professor, pois este oferece melhores condições de ensino. No estudo de Wilson e colaboradores, em 1996, todos os estudantes tiveram melhor rendimento com a assistência direta do professor.
No Brasil, pouco tem sido publicado no meio médico sobre as dificuldades em matemática, mas sabe-se que o problema é grande no meio de dados do SAEB e da UNESCO.
Em 2003, em São José do Rio Preto (SP), foi feito um estudo em crianças no final do 2º. ciclo do ensino fundamental, utilizando-se um protocolo modificado de Boller e Graffman, que avalia as habilidades léxica e sintática, noção de grandeza, cálculos e raciocínio aritmético. O protocolo é útil para identificar as habilidades matemáticas, sendo fácil de ser aplicado tanto individualmente como em grande população. As conclusões foram as seguintes: os melhores resultados foram obtidos pelas crianças de 01 e 11 anos e pelas meninas; aumentaram proporcionalmente com o melhor nível educacional dos pais, independentemente de ser o pai ou a mãe; houve uma grande associação entre o melhor rendimento e o nível socioeconômico do bairro onde a escola está situada.
Diagnóstico
Em primeiro lugar deve-se conscientizar e qualificar os professores para perceberem que um determinado grupo de crianças tem dificuldade em aprender matemática, que não são “preguiçosos” ou os pais não se interessam, e sim que precisam de um diagnóstico, feito de preferência por uma equipe interdisciplinar.
Tal equipe deve contar com instrumentos adequados, lembrando que ainda não existe no nosso meio protocolo validade para este fim.
Devem ser afastadas situações médicas que podem ser acompanhadas de dificuldades em matemática, deficiência mental, problemas emocionais, entre outras.
Estudos de neuroimagem são promissores para o melhor entendimento do distúrbio do aprendizado de matemática; o grupo de Dehaene e Cohen tem dados importante contribuição, com estudos de ressonância magnética cerebral funcional em pacientes com síndrome de Turner com discalculia. É preciso ressaltar que tais exames são úteis em pesquisa, não sendo usados como método diagnóstico de rotina; o que é, como citado anteriormente, feito clinicamente e de preferência com equipe interdisciplinar.
Estratégia de reabilitação
A intervenção em crianças com discalculia será bem-sucedida quando as noções de números elementares de 0 a 9 (habilidade léxica), a produção de novos números (habilidade sintática), as noções de quantidade, ordem, tamanho, espaço, distância, hierarquia, os cálculos com as quatro operações e o raciocínio matemático forem trabalhados, primeiramente como experiências não-verbais significativas.
A criança só irá trabalhar com fatos aritméticos mentalmente quando superar as etapas citadas.
Para superar as dificuldades de percepção visoespacial, é preciso trabalhar com a percepção de figuras e de formas, observar detalhe, semelhanças, diferenças e relacionar com as experiências do dia-a-dia, tais como fotos, imagens, tamanho, largura e espessura, e então trabalhar com números, letras e figuras geométricas.
Conteúdos e metodologia
Percepção de figuras e formas: experiências graduadas e simples, observando detalhes, semelhanças e diferenças.
Espaço: localização de objetos: em cima, embaixo, no meio, entre, primeiro, último, etc.
Ordem e seqüência: primeiro, segundo, etc., dias da semana, ordem dos números, dos meses, das estações do ano.
Representação mental: indicar, com as mãos e os dedos, o tamanho e comprimento dos objetos; preencher espaços com figuras de tamanho específico, escolhidas entre outras de mesma forma, porém com tamanhos diferentes.
Conceitos de números: trabalhar correspondência um a um, construir fileiras idênticas de objetos, associar o símbolo e a compreensão auditiva à quantidade por meio de atividades rítmicas.
Operações aritméticas: trabalhar adequadamente para que a criança entenda que a adição se dá pelo acréscimo; a subtração, pela diminuição; a divisão se dá repartindo; e a multiplicação é uma sucessão de somas de parcelas iguais.
Para encerrar o capítulo, acredito que as palavras de Shalev e Gross-Tsur devem servir como paradigma:
“O papel do médico no manejo dos distúrbios do aprendizado de matemática se estende além da fase de diagnóstico. Com sua autoridade, é a pessoa mais indicada, dentro de uma interdisciplinaridade, para discutir com os pais a natureza e as conseqüências do déficit cognitivo que afetam a criança.”
Dr. José Alexandre Bastos 
Doutor em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), Chefe do Serviço de Neurologia Infantil da FAMERP, Responsável pelo Atendimento Neurológico do Projeto “Gato de Botas” de São José do Rio Preto (SP) e autor do livro “O Cérebro e a Matemática”

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Prefeitura de Belo Horizonte criou um serviço de denúncia para casos de bullying

A Prefeitura de Belo Horizonte criou um serviço de denúncia para casos de bullying na rede municipal de ensino. A lei que proíbe a prática desse tipo de intimidação nas escolas da capital mineira e cria esse disque-bullying foi sancionada nesta semana pelo prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB). O telefone de contato do  "Alô, Educação" é            (31) 3277-8646       e funciona das 8h às 18h, de segunda a sexta, segundo a secretaria municipal de Educação, responsável pelo atendimento.
A norma institui o programa “BH Trote Solidário e Cidadão”, que veda trotes considerados violentos a calouros e estabelece diretrizes multidisciplinares para o combate a situações intencionais de violência física ou virtual, psicológica e repetitiva contra alunos da rede pública.
A medida não cita medidas punitivas, mas prevê a adoção de “mecanismos alternativos” para reeducar os agressores, a inserção da comunidade na vida escolar e o fomento de práticas educativas, como campanhas, palestras e eventos que promovam ações solidárias de alunos a instituições filantrópicas.
O regimento escolar de cada unidade de ensino deverá conter as orientações, as responsabilidades da direção da escola em relação aos casos identificados e as medidas disciplinares. As escolas deverão incluir no projeto “político-pedagógico” da unidade de ensino medidas de conscientização e enfrentamento do “bullying’.
Outra premissa da nova lei é a capacitação de professores e equipe pedagógica para a implementação de normas que se caracterizem na prevenção e, em último caso, na solução dos casos registrados.
Em Belo Horizonte, 170 mil alunos estão matriculados nas escolas municipais e nos Umeis (Unidades Municipais de Educação Infantil), segundo dados da Secretaria Municipal de Educação.

Lei federal

Para o promotor de Justiça Lélio Calhau, autor de dois livros sobre o tema - “Bullying, o que você precisa saber” e “Diário de uma vítima de bullying”-, a iniciativa de Belo Horizonte é válida, mas disse acreditar que só haverá mudanças no cenário quando houver criação de lei federal que criminalize o ato.
“Eu tenho apoiado muito essas iniciativas municipais e estaduais de combate ao bullying. Elas são válidas, agregam valor e mecanismos para o combate a essa prática. Mas eu penso que é necessária a criação de uma lei federal para uniformizar o combate ao bullying no Brasil”, disse.
“A criação de uma tipificação específica reforçaria a importância de se reprimir essas práticas”, avaliou.

Rayder Bragon
Especial para o UOL Educação
Em Belo Horizonte