quarta-feira, 16 de novembro de 2011

TDAH

Na realidade o nome atualmente mais correto para esse problema éTranstorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e normalmente essas crianças costumam ser descritas mais ou menos assim: Desde pequeno já é inquieto. Em casa, corre daqui para lá o dia todo, sem que nada o detenha, nem sequer o perigo. Tira brinquedos de seu lugar, esparrama todos eles pelo chão e, quase sem usa-los, pega outros e outros, sem deter-se em nenhum. Interrompe permanentemente os adultos e as outras crianças, respondendo impulsivamente e de forma exagerada àqueles que o molestam. Seus companheiros de escola o evitam, mesmo assim ele sempre termina chamando-os para pedir-lhes ajuda nas lições que não consegue copiar a tempo.

Essa criança sempre perde os objetos, é desordenado, tendo que cobrá-lo o tempo todo, não só para que complete as tarefas, mas também porque, distraído, se esquece de que é hora de almoçar, de jantar ou de banhar-se.
Quando começa fazer alguma coisa, se esquece de terminar, para na metade. Quando vai a algum lugar para no caminho, se detém para falar com alguém, para entreter-se numa brincadeira, com algum animal ou passarinho que passa voando.
Tal criança pode ser portadora de Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade (TDAH). Trata-se de um dos transtornos mentais mais freqüentes nas crianças em idade escolar, atingindo 3 a 5% delas.
Apesar disto, o TDAH continua sendo um dos transtornos menos conhecidos por profissionais da área da educação e mesmo entre os profissionais de saúde. Há ainda muita desinformação sobre esse problema.
O desconhecimento desse quadro freqüentemente acaba levando à demora no diagnóstico e no tratamento dos portadores do TDAH, os quais acabam sofrendo por vários anos sem saber que a sua situação pode ser (facilmente) tratada.
Histórico
Como o conceito da hiperatividade normalmente se baseia, paralelamente, tanto no modelo médico, quanto no modelo dos distúrbios de aprendizagem, a história da evolução desse conceito também não é única.
Há referências que, já em 1895, um oftalmologista de Glasgow encontrou semelhanças entre adultos que tinham perdido a capacidade de leitura após acidentes vasculares cerebrais, tumores ou traumatismos de crânio, e algumas crianças inteligentes com dificuldades para leitura e aprendizagem. Esse oftalmologista, Hinshelwood, designou tais crianças com o nome de "cegueira verbal congênita", recomendando esforços didáticos cuidadosos e pacientes em relação à aprendizagem da leitura (tese de Doutorado de Vera Pessoa).
Mais recentemente, Still e Tredgold recebem o crédito das primeiras descrições modernas do que hoje é conhecido como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (Barkley, 1990). Eles realçaram características relevantes do transtorno do déficit da atenção com hiperatividade e formularam uma hipótese de etiologia neurológica. Na mesma era, outros médicos estavam ligando a patologia a lesões cerebrais.
Na década de 30, Strauss e colaboradores (Strauss e Lehtinen, 1947) descreveram hiperatividade, distratibilidade, labilidade emocional e perseveração num grupo de sobreviventes de encefalite letárgica. Os autores propuseram técnicas educacionais especiais para crianças com esses problemas, fornecendo a base para a maioria dos programas de educação especial ainda existentes.
A idéia para comportamentos alterados nessas crianças sugeria, ainda segundo Strauss, evidências de alguma lesão cerebral, mesmo quando não houvesse lesão conhecida (Strauss e Kephart, 1955). Nascia aí o conceito da Lesão Cerebral Mínima, que persistiu até a década de 1960, sendo seguido pelo conceito de Disfunção Cerebral Mínima. 
Em 1959, Denhoff propôs a síndrome deveria ser uma espécie de disfunção cerebral, uma vez que não era comprovada evidência de lesão cerebral na maioria das crianças. Ele considerava o comprometimento neuromotor o denominador comum da síndrome, descrevendo um distúrbio hipercinético do impulso caracterizado pela agitação, hiperatividade, diminuição progressiva da atenção, concentração escassa, distração, irritabilidade e explosividade deveriam ser considerados como componentes comportamentais (Knobel, 1959, Levy, 1997).
Finalmente, o foco sobre TDAH desviou-se para os sintomas, e não para a etiologia ou para o mecanismo. A síndrome da criança hiperativa foi incluída no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-III-R) como a reação hipercinética da infância e os sintomas centrais de falta de atenção, hiperatividade e impulsividade não foram consideradas três variáveis independentes e se fundiram numa síndrome única, que tinha como sintomas a falta de atenção e a hiperatividade-impulsividade.
O DSM-IV reflete a combinação dos sintomas de hiperatividade com impulsividade, mais a independência da falta de atenção (os 3 não precisam estar obrigatoriamente juntos). Conseqüentemente, evoluíram três síndromes maiores: 1. - falta de atenção e hiperatividade-impulsividade; 2. - apenas falta de atenção; e 3. - hiperatividade-impulsividade apenas. 
Os conhecimentos sobre o transtorno do déficit da atenção com hiperatividade ainda estão em evolução e, freqüentemente esta síndrome ainda é debatida (Denckla, 1976, 1996; Golden, 1991). Também são levantadas outras preocupações, como por exemplo sobre os limites dessa síndrome, se não estaria sendo medicado o comportamento normal da criança, sobre o aumento do diagnóstico e a inconsistência dos esquemas farmacológicos em pré-escolares (Carey, 2000).
No final da década de 90 os escandinavos desenvolveram uma visão mais ampla do transtorno e combinam o TDAH com outro quadro de Déficits de Atenção, do controle Motor e da Percepção (Deficits in Attention, Motor control and Perception), representado pela sigla DAMP. (Landgren, 1996).
Em 2000,uma conferência de consenso do National Institute of Health concluiu que:
  • Embora não haja exame independente para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, existem evidências que apóiam a validação do transtorno.
  • Estudos têm verificado a eficácia dos estimulantes e avaliações psicossociais e têm indicado que aqueles são mais eficazes que estes no tratamento dos sintomas centrais.
  • Há uma necessidade de estudos mais prolongados com fármacos e modalidades comportamentais, bem como sobre os resultados de suas combinações.
  • Dada a ampla variação no tratamento, não se alcançou consenso quanto ao fato de como os pacientes com este transtorno devem ser tratados.
  • A falta de cobertura por seguro-saúde e a falta de integração com serviços educacionais são barreiras substanciais para a oferta de atendimento.
  • Os conhecimentos sobre a causa ou causas do transtorno do déficit da atenção com a hiperatividade continuam amplamente especulativos.
  • Não há estratégias documentadas para a prevenção do transtorno (Declaração da Conferência de Desenvolvimento de Consenso do National Institutes of Health 2000).
O TDAH é agora um conceito diagnóstico universalmente aceito que engloba o antigo conceito de Disfunção Cerebral Mínima, que era um termo empregado dos anos 50 aos anos 80. Segundo Gillberg (2003), o TDAH é a mais prevalente entre todos os transtornos neuropsíquicos e de desenvolvimento neurológico da criança. Esse pesquisador refere uma taxa relativamente estável de 3-6% de todas as crianças da Suécia , Dinamarca, EUA, Austrália, Espanha, e Brasil, para mencionar somente alguns dos países em que os estudos epidemiológicos foram realizados.
A prevalência do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e da condição sobreposta do Déficit de Atenção, do Controle Motor e da Percepção (DAMP), entre crianças escolares é de aproximadamente 5%, sendo 1,5% de casos mais severos (Modigh, 1998). Geralmente os meninos são afetados mais do que meninas, embora se suspeite que as meninas sejam, provavelmente, subdiagnosticadas.
 DAMP e TDAH
O conceito da DAMP (Déficits da Atenção, do Controle Motor e da Percepção) esteve em uso na Escandinávia desde anos 1970. A DAMP é diagnosticada com base na alteração concomitante da atenção, hiperatividade e desenvolvimento da coordenação motora nas crianças que não têm uma severa inabilidade de aprendizagem. Enfim, o conceito visa delimitar uma combinação de diversas disfunções no campo da atenção, do controle motor, da atividade, do impulso, da aprendizagem, do discurso e das dificuldades da língua.
Assim sendo, quando se fala em DAMP, na realidade está se falando de uma combinação de déficits nas crianças, excluindo o retardo mental, podendo estar ou não sobreposto ao TDAH, com sintomatologia mais abrangente que o TDAH, sem necessariamente hiperatividade e descrito pelos escandinavos antes da descrição do TDAH pelo DSM.III-R.
De forma geral, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Déficits da Atenção, do Controle Motor e da Percepção (DAMP) são uma combinação de sintomas comuns na infância, sendo que cada uma dessas alterações acomete, aproximadamente, uma criança em cada 20,  na faixa etária dos 6 anos.
Segundo Gillberg (2003), definido nesta maneira, a DAMP constitui um subgrupo da categoria diagnóstica de TDAH (seria um TDAH com forte componente de problemas de coordenação motora), conceitualmente similar mas não idêntico ao conceito do transtorno hipercinético. Em nossa opinião, não errará quem tomar o DAMP e o TDAH como sinônimos, apesar do acrônimo conceito de DAMP ter conotação negativa em países de língua inglesa. Não obstante, a construção do conceito de DAMP foi anterior à idéia de TDAH e foi bastante útil para identificar um grupo de crianças com o atual diagnóstico de TDAH.
 ALGUMAS HIPÓTESES
Landgren e colaboradores fizeram um estudo foi realizado com 113 crianças de 6 anos, sendo 62 delas diagnosticadas com Déficit de Atenção, do Controle Motor e da Percepção (DAMP) e 51 controles sem DAMP/TDAH. Os fatores familiares, os fatores de risco durante a gravidez (inclusive fumar), os fatores de desenvolvimento (que incluem o desenvolvimento da linguagem), as condições clínicas e elementos psicossociais foram avaliados quanto a participação no desenvolvimento da DAMP/TDAH. Os resultados mostraram que as crianças vindas de classes socioeconômicas mais baixas são mais comuns no grupo com DAMP/TDAH.
A exposição a fatores de risco neurogênico intra-útero foi também mais comuns nas crianças com DAMP/TDAH, sendo o hábito de fumar durante a gravidez considerado um fator de risco importante. Em relação aos problemas clínicos, os problemas do sono e transtornos gastrintestinais e a otite foram significativamente mais comuns no grupo DAMP/TDAH.
Concluíram também que os fatores de risco, familiares e neurogênicos pré-natais, contribuem para o desenvolvimento da DAMP/TDAH. A prevenção desses riscos, na atenção primária à saúde, e a detecção precoce do problema são essenciais para a evolução dessas crianças.
Landgren e Gillberg (1998) destacaram ainda em suas pesquisas, três fortes possibilidades: (a) os fatores hereditários são elementos importantes na ocorrência de DAMP/TDAH; (b) os fatores de risco prejudiciais do cérebro, incluindo fumar na gravidez e no baixo peso do nascimento, contribuem fortemente ao desenvolvimento da DAMP/TDAH; e (c) os problemas de no desenvolvimento da linguagem em crianças pré-escolares predizem um diagnóstico da DAMP/TDAH na idade de 6 anos.
PERSPECTIVAS NO DESENVOLVIMENTO PARA PACIENTES COM DAMP/TDHA
 Os sintomas de DAMP/TDAH continuam a incapacitar em 20 anos de idade em 50 por cento dos casos, e o desajustamento social é comum. A metade dos meninos desenvolve o Transtorno de Desafio e Oposição, muito freqüentemente progredindo para Transtorno de Conduta e o Transtorno Anti-social da Personalidade (Modigh, 1998). Os estudos prospectivos de pacientes com DAMP/TDAH mostraram que essas crianças têm, quando adultas, um elevado nível de abuso do álcool e/ou da droga, particularmente no subgrupo que evolui para Transtorno de Conduta e o Transtorno Anti-social da Personalidade.
Da mesma forma, os estudos sobre abuso de álcool e/ou droga mostraram um nível elevado de antecedentes de DAMP/TDAH. Aproximadamente um em cinco adictos teve DAMP/TDAH (Modigh, 1998).
Segundo Hellgren e cols., (1994), os transtornos psiquiátricos mais comuns em pessoas portadoras de DAMP foram os afetivos. Os Transtornos da Personalidade também foram mais freqüentes no grupo DAMP segundo estudo de 66 crianças com Déficits da Atenção, do Controle Motor e da Percepção (DAMP) acompanhadas até a idade de 16 anos, em comparação com as 45 crianças sem DAMP.

Sintomas
Na realidade, determinar qual o nível de atividade normal de uma criança é um assunto polêmico. A maioria dos pais tem uma certa expectativa em relação ao comportamento de seus filhos e, normalmente, esta expectativa inclui um certo grau agitação, bagunça e desobediência, características que são aceitas como indicativos de saúde e vivacidade infantil.
Porém, algumas vezes podemos estar diante de um quadro de Hiperatividade Infantil, que foge da simples questão de comportamento. É um transtorno que vive a desafiar a teimosia dos avós, os quais continuam achando que "crianças são assim mesmo"(eles não vivem 24h por dia com essas crianças), ou que os pais delas também eram assim quando crianças, ou que esses pais de hoje em dia não têm paciência.
Excesso de energia? Não. Decididamente não se trata de crianças que têm energia demais, como dizem alguns psicólogos mal informados. Elas têm uma doença perfeitamente conhecida pela medicina: hiperatividade. A Hiperatividade, mais precisamente ao Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), não é um problema neuropsiquiátrico que dá apenas nos filhos dos outros. O TDAH não tratado pode ser responsável por enorme frustração dos pai. Uma das angústias experimentadas por eles é que os pacientes diagnosticados com TDAH são freqüentemente rotulados "problemáticos", "desmotivados", "avoados", "malcriados", "indisciplinados", "irresponsáveis" ou, até mesmo, "pouco inteligentes".
Devido à série de problemas psicológicos, sociais, educacionais e até mesmo criminais que pode ocorrer como conseqüência do não tratamento do TDAH, é muito importante que os profissionais da área de saúde mental e educação, além das famílias, estejam pelo menos informados sobre a existência do TDAH e os seus principais sintomas.
As crianças portadoras de TDAH ultrapassam a festiva barreira das travessuras engraçadinhas, deixam de ser adoráveis diabinhos e se transformam em um verdadeiro transtorno na vida dos pais, professores e todos que estiverem a sua volta. Elas parecem ignorar as regras de convívio social e, devido ao incômodo que causam, acabam sendo consideradas de má índole, caráter ou coisa parecida.
No entanto, é preciso deixar claro que as crianças hiperativas não são, de forma nenhuma, más. Além disso, elas não se convencem facilmente e não conseguem se concentrar na argumentação lógica dos pais já que essas crianças têm extrema dificuldade em sentar e dialogar.
Por outro lado, ainda é comum encontrar entre leigos, a noção de que a criança hiperativa seja apenas malcriada, ou mal educada pelos pais. Este tipo de acusação freqüentemente resulta em sensação de fracasso pelos pais. Por isso, é muito importante que os profissionais estejam preparados para suportar e desfazer este mito.
O site Hiperatividade.Com (fora do ar) perguntou "Qual o profissional que você procura quando suspeita que alguém tem TDAH?". As respostas foram as seguintes:
Especialidade .... % 
Neurologista....... 34.41
Psicólogo............ 33.33
Psiquiatra .......... 18.28
Pediatra ............ 4.30
Fonoaudiólogo ... 3.23
Professor........... 3.23
Seu médico ....... 3.23 

Como e Porque o TDAH
Devido às dificuldades culturais para esse diagnóstico, principalmente devido ao fato da cultura não acreditar que crianças possam ter algum problema emocional, por muito tempo se duvidou que existisse um transtorno com as características do TDAH. Quando a medicina detectou que, de fato, crianças com esse tipo de problema pudessem ter um diagnóstico clínico, este conjunto de sintomas ganhou o nome de Disfunção Cerebral Mínima.


Quadro Clínico do TDAH
O Transtorno de Déficit de Atenção é caracterizado primariamente por:


1. Dificuldade de atenção e concentração, característica que se pode estar presente desde os primeiros anos de vida do paciente.
2. A criança (ou adulto quando for o caso) tende a se mostrar "desligada", tem dificuldade de se organizar e, muitas vezes, comete erros em suas tarefas devido à desatenção. Estas características tendem a ser mais notadas por pessoas que convivem com o paciente.
3. Constantemente esses pacientes esquecem informações, compromissos, datas, tarefas, etc...
4. Costumam perder ou não se lembrar onde colocaram suas coisas.
5. Têm dificuldades para seguir regras, normas e instruções que lhe são dadas.
6. Tem aversão à tarefas que requerem muita concentração e atenção, como lições de casa e tarefas escolares.

Em cerca de metade dos casos pode ainda apresentar hiperatividade, como movimento incessante de mãos e pés, dificuldade de permanecer sentado ou dentro da sala de aula fala muito, se mexe muito e tem dificuldade em realizar qualquer tarefa de maneira quieta e recatada.
Em alguns casos, pode acontecer também a impulsividade caracterizada pela incapacidade de esperar a sua vez, interrompendo ou cortando outras pessoas durante uma conversa e também pelo impulso de falar as respostas antes que as perguntas sejam terminadas.

Critérios Diagnósticos para Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
A. Ou (1) ou (2)
1) seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:
Desatenção:
(a) freqüentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras
(b) com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas
(c) com freqüência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra
(d) com freqüência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções)
(e) com freqüência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades
(f) com freqüência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa)
(g) com freqüência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por ex., brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais)
(h) é facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa
(i) com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias 

(2) seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:
Hiperatividade:
(a) freqüentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira
(b) freqüentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado
(c) freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação)
(d) com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer
(e) está freqüentemente "a mil" ou muitas vezes age como se estivesse "a todo vapor"
(f) freqüentemente fala em demasia
Impulsividade:
(g) freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas
(h) com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez
(i) freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por ex., intromete-se em conversas ou brincadeiras) 

B. Alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desatenção que causaram prejuízo estavam presentes antes dos 7 anos de idade.
C. Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (por ex., na escola [ou trabalho] e em casa).
D. Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.
E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico e não são melhor explicados por outro transtorno mental (por ex., Transtorno do Humor, Transtorno de Ansiedade, Transtorno Dissociativo ou um Transtorno da Personalidade). 


O diagnóstico de TDAH pode ser difícil, pois os sintomas demonstrados pelos pacientes podem ocorrer não só devido ao TDAH, como também a uma série de problemas neurológicos, psiquiátricos, psicológicos e sociais. Entre estes distúrbios neuropsiquiátricos podemos mencionar a Síndrome de Tourette, Epilepsias, transtornos de humor ou ansiedade, transtornos de personalidade, retardo mental, ambiente estressante, problemas familiares, etc...
Normalmente o diagnóstico começa pela eliminação outras patologias ou problemas sócio/ambientais, possivelmente causadoras dos sintomas. Além disso, os sintomas devem, obrigatoriamente, trazer algum tipo de dificuldade na realização de tarefas ou devem causar algum tipo de impedimento para a realização de tarefas.
A idade e a forma do surgimento dos sintomas também são importantes, devendo ser investigados, já que no TDAH, a maioria dos sintomas está presente na vida da pessoa há muito tempo, normalmente desde a infância. Portanto, por se tratar de um transtorno de natureza crônica e atrelado à constituição da pessoa, os sintomas de dificuldade de atenção/concentração ou hiperatividade semelhantes ao TDAH mas que apareçam de repente, de uma hora para outra, tem uma grande possibilidade de NÃO serem TDAH.
Para que se considere um TDAH, os sintomas devem se manifestar em vários ambientes (escola, casa, viagens, etc..). Os sintomas que só aparecem em um ambiente, como por exemplo, só em casa, só na escola, só quando sai de casa... etc., devem ser investigados com mais cuidado, para se verificar se não são de origem psicológica.
A criança com TDAH deve aparentar uma inteligência normal. Trabalhos escolares e testes de inteligências tendem a produzir "falsos positivos" para retardo mental em crianças com TDAH, devido à dependência destas atividades na atenção da criança.
Em casos onde há dúvidas sobre o diagnóstico de TDAH, pode ser interessante o uso de alguma experiência com medicamentos, somado ao uso de observações comportamentais e testes de inteligência. Neste caso a criança é testada e observada anteriormente, medicada e depois de 6 a 8 semanas, ela é novamente observada e testada, verificando se houve ou não mudança nos sintomas. Na maior parte dos casos de TDAH, há um aumento significativo na pontuação do teste de inteligência e uma diminuição dos sintomas observados.




Ballone GJ - Distúrbio de Déficit de Atenção por Hiperatividade 


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Conheça quatro mitos sobre o funcionamento do cérebro humano

Por BBC, BBC Brasil, Atualizado: 11/11/2011 7:37

O cérebro humano é um dos organismos mais complexos do universo e apesar dos esforços dos cientistas, a massa cinzenta que habita nossas cabeças ainda guarda muitos mistérios.
Nos parágrafos a seguir, especialistas ouvidos pela BBC tentam, porém, romper com alguns mitos e inverdades a respeito do cérebro humano e do seu funcionamento.
'Usamos apenas 10% de nosso cérebro'
Foi na década de 1970, quando estava na escola, que ouvi dizer, pela primeira vez, que nós usamos apenas 10% dos nossos cérebros.'Que incrível', pensei. 'Talvez haja uma maneira de conseguir acessar aqueles 90% de capacidade cerebral não utilizada. E o que não poderia ser feito com toda a minha massa cinzenta em ação?'
A ideia é absurda. Hoje, avanços em técnicas de mapeamento da atividade cerebral podem provar isso.
'(Exames) funcionais de imagem demonstraram que há poucas partes do cérebro que não podem ser ativadas por algo', disse a professora Sophie Scott, do Institute of Cognitive Science do University College, London.
Mesmo fazendo algo simples, como fechando nossas mãos, usamos muito mais do que 10% do cérebro. Um exame funcional revela que vastas quantidades de células do cérebro entram em ação enquanto planejam e iniciam a contração dos músculos nos dedos e na palma.
'O cérebro tem um lado 'lógico' e um lado 'criativo''
Anatomicamente, o cérebro está dividido em duas metades - o hemisfério esquerdo e o direito. Existe uma certa divisão de trabalho entre elas.
'Existem grandes diferenças entre os lados esquerdo e direito do cérebro', diz Scott.
'Mas não é o que as pessoas querem dizer quando usam esses termos no discurso comum'.
Lendo livros de auto-ajuda e cursos de administração de empresas, você fica com uma noção de que os dois hemisférios são entidades separadas.
O esquerdo tende a ser mostrado como a morada da lógica e da racionalidade. O direito tende a ser descrito como a fonte da intuição e da criatividade. Portanto, se você é uma pessoa lógica, usa mais o lado esquerdo. Se você é do tipo sensível e artístico, usa mais o lado direito.
De acordo com o mito, todos nós seríamos mais bem sucedidos e realizados se aprendêssemos a explorar o potencial total de ambos os hemisférios.
Scott diz que há diferenças na forma como indivíduos lidam com problemas e refletem sobre o mundo, mas isso não tem nada a ver com as diferentes relações de poder entre os dois hemisférios de seu cérebro.
'Algumas pessoas têm ótima capacidade de imaginação visual. Algumas têm boa imaginação auditiva. Existem muitas variações na forma como recebemos informações e as processamos.
'Mas reduzir isso a cérebro esquerdo 'lógico' e cérebro direito 'criativo' não reflete o que vemos no funcionamento do cérebro. Além disso, isso sugere que você poderia estar usando um hemisfério mais do que o outro e não é assim que funciona'.
Os dois hemisférios se comunicam e trabalham juntos por meio de uma rede complexa de cabos fibrosos conhecida como o corpo caloso, ela explica. Eles são complementares e trabalham juntos.
'Lua cheia influi comportamento'
Segundo a crença popular, a lua cheia está associada à insanidade - daí viria a palavra lunático.Entretanto, quando psicólogos e estatísticos estudaram o assunto, não conseguiram a influência da Lua sobre o cérebro humano e o comportamento.
Ou seja, não existe evidência de que haja uma relação entre a ocorrência da lua cheia e acontecimentos como assaltos, prisões, suicídios, chamadas para números de emergência, internações psiquiátricas, envenenamentos e acidentes de automóvel.
Eric Chudler, responsável por vários estudos sobre o assunto, disse: 'A maioria das informações - e houve muitos estudos - indica que não existe uma associação entre a fase da Lua e quaisquer desses comportamentos anormais'.
Muitos dos que acreditam no mito da lua cheia são policiais ou profissionais de saúde, profissionais que frequentemente presenciam acontecimentos perturbadores.
Chudler sugere que quando esses eventos traumáticos ocorrem, pessoas nessas profissões estão mais inclinadas a notar lua cheia brilhando no céu do que as mais modestas luas crescentes ou meias luas.
Como resultado, eles apenas fazem associações entre fase da Lua e incidentes anômalos quando a Lua está em sua fase mais óbvia e simbolicamente significativa.
'Ouvir Mozart torna você mais inteligente'
O compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart é central a uma teoria que floresceu na década de 1990 e que levou muitos a acreditar que tocar peças do músico para crianças melhoraria o desenvolvimento de seus cérebros, tornando-as mais inteligentes.
Muitas vezes, mitos são criados com base em fatos reais. Este em particular teve origem em um estudo publicado pela revista científica Nature em 1993.A pesquisa descreveu um experimento no qual estudantes de uma universidade na Califórnia realizaram uma série de tarefas.
Os voluntários que ouviram uma peça de Mozart antes de fazer os testes se saíram um pouco melhor do que os que ouviram músicas para relaxamento ou não ouviram nada.
O efeito positivo da sonata de Mozart sobre o desempenho dos estudantes desapareceu após cerca de 15 minutos.
Dois anos mais tarde, a mídia havia transformado as observações do estudo em uma teoria segundo a qual tocar Mozart para crianças jovens melhorava sua inteligência.
Empresas começaram a vender CDs do gênio austríaco a famílias com crianças. Em 1998, nos Estados Unidos, o Estado da Geórgia distribuiu CDs de Mozart para mães com bebês recém-nascidos.
Alguns criaram teorias de que as estruturas musicais das composições de Mozart exerciam uma influência biológica sobre as conexões nervosas do cérebro.
Em estudos posteriores, a verdade acabou se mostrando bem mais prosaica:
Especialistas concluíram que qualquer música estimulante tocada antes de uma série de exercícios mentais torna você mais alerta e entusiasmado, então seu desempenho melhora.

domingo, 6 de novembro de 2011

Luto na Infância

por  Tânia Zagury

Luto, na linguagem psicanalítica é o termo genérico utilizado para classificar o período de elaboração, reestruturação até a aceitação emocional, intelectual e relacional de perdas vida das pessoas, sejam elas afetivas, psicológicas ou materiais. 

Para os pais de hoje - sempre cheios de preocupações e medos – o “luto” de um filho pode ser tremendamente angustiante. Embora ciente de que o receio que os pais sentem seja uma das significativas formas de amar, é preciso ter em mente que ninguém passa pela vida sem sofrer, sem ter perdas ou sem ficar doente. Nem os nossos filhos!

É importante que entendam as perdas que as crianças sofrem como elementos essenciais para o desenvolvimento emocional, assim como para o relacionamento futuro com outras pessoas.

Sofrer faz parte da vida. Ninguém tem tudo o que deseja sempre. Nem a pessoa mais rica do mundo pode conseguir tudo o que quer – embora muitos tenham essa impressão e por isso se dediquem com tanto empenho (e desgaste físico, mental e até moral) a alcançar esta meta.

Tenha muito ou pouco dinheiro, fama e poder, sejam ou não celebridades - no final das contas, todos somos iguais, feitos da mesma massa. E terminamos todos da mesma forma.

Na civilização ocidental a morte é vista como algo sempre muito dramático, triste e mesmo inaceitável. Mesmo os que acreditam em vida depois da morte, reencarnação ou outras formas de retorno, não a encaram com a naturalidade que assumem frente a outros fatos da vida. Queiramos ou não, a morte é a última etapa da existência física.

É claro que quanto mais cedo se sofrem perdas emocionalmente significativas, mais difícil pode se tornar a aceitação, devido, até mesmo, à dificuldade de compreender conceito tão abstrato. A criança pequena não tem ainda desenvolvida noção exata de tempo e espaço.
Por isso, se alguém diz a uma menina de três anos, que a mãe dela nunca mais vai voltar, que está dormindo para sempre, ou que foi para o Céu – formas corriqueiras de explicar a ausência sem retorno às crianças – ainda assim, deve saber que a criança registra essa informação de um modo todo próprio.

Devido a essa forma específica de interiorização de fatos e conceitos da infância pode-se a princípio até supor que as perdas não são verdadeiramente sentidas pela criança em idade pré-escolar. À medida que cresce, essa característica vai mudando e novas capacidades ligadas à temporalidade começam a se desenvolver.

O papel dos pais nesse processo é muito importante e não se restringe apenas a ações relativas a perdas essenciais como a morte de um parente próximo como um avó ou avó, um tio ou irmão. A ação da família, assim como a da escola, deve começar pelas perdas simples, que, aliás, são mais freqüentes no dia a dia. Uma ação adequada de suporte deve começar exatamente quando surgem essas pequenas perdas na vida da criança. A começar pela idéia de que nada é para sempre: nem a própria vida - lição que precisa ser interiorizada paulatinamente a partir de pequenos acontecimentos da vida diária.

Como fazer isso na prática? O buquê de flores que enfeita sua sala vai murchar e morrer em alguns dias. Fazer a criança acompanhar naturalmente esse processo é um ótimo recurso. Sejamos inteligentes, porém! Nada de dizer: “vamos ver se a flor já morreu?” Simplesmente ensine a criança a observar, convidando-a a lhe acompanhar no processo de cuidados com a flor, como molhar, retirar galhos secos etc. Um botão que se abre antes dos demais, primeiro um pouquinho, mais tarde mais um pouquinho, até se tornar uma linda e perfumada rosa, que depois vai perdendo o viço, perdendo folhas e pétalas... Até nada mais restar. Esta é uma visão simples, mas eficaz do processo de nascimento, crescimento, reprodução, envelhecimento e morte.
Acompanhar outras formas de evolução de vida facilita a generalização anos mais tarde. Nesse processo, devemos com certeza incluir a reintegração à natureza. Aquelas pétalas que caíram da jarra na mesa da sala podem ser levadas para adubar o jardim, a terra de um vaso ou uma outra planta. Na escola, os professores podem aprofundar a observação da criança, por exemplo, pedindo que descubram qual a flor mais nova numa roseira, qual a mais velha, a que está começando a brotar, referendando a teoria do eterno retorno, que depois a criança associará, por si, ao processo de nascimento, vida e morte.

Crianças sofrem varadas formas de perdas - um animal de estimação, um brinquedos que quebra, fitas de vídeo que se rompem. Muitos pais, para evitar que a criança sofra, se morre o cachorrinho do filho, correm para comprar outro, bem parecido - da mesma cor, tamanho e raça. Por amor, não percebem que estão tirando a oportunidade de a criança compreender as “perdas” da vida, que ocorrerão quer queiramos ou não. São “lutos” que precisam ser elaborados. Substituir um passarinho que morreu por outro igualzinho impede a criança de entender o sentido da morte, da perda e do luto. É saudável entender que aquele que se foi (brinquedo ou ser vivo) não retornará. Pode ser que ela fique muito feliz na hora, mas é preciso que saiba que este é outro – não o mesmo – e como tal precisa por sua vez ser conquistado, compreendido e, com o tempo, também amado.
O mesmo ocorre com a criança que quebra um brinquedo que adora. O medo de que a criança sofra ou fique frustrada, muitas vezes, faz com que os pais imediatamente comprem outro. Aí entra mais um dado. Quando não se dá tempo para que a criança aprenda que cada ser é único, ensina-se subliminarmente que nada nem ninguém têm valor, que tudo pode ser substituído.

É preciso que as crianças aprendam que o sofrimento existe e faz parte da vida, assim como a felicidade, a amizade, a alegria, a tristeza, a saúde e a doença. Mas que ele é e pode ser superável, especialmente quando se compreende que o ser humano tem limites; e que o maior de todos eles talvez seja o fato de que, embora não o desejássemos, somos sim, todos os seres humanos, mortais. 

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(*) Filósofa, Mestre em Educação, Escritora autora de “Educar sem Culpa” e “Limites sem Trauma” entre outros.

Maternar Consciente

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Criatório Conservacionista Fazenda Zoo


Localização
Telefone
03196057000




Excelente para trabalhos de campo com crianças de 0 a 100 anos!!

II Seminário Mineiro sobre Autismo - Belo Horizonte


II Seminário Mineiro sobre Autismo - Belo Horizonte


Dia: 19/11/2011
Horário: 08h às 17h
Local: Centro Universitário Newton Paiva - Campus Carlos Luz - Auditório Nominato - Av. Presidente Carlos Luz, 220 - Caiçara - Belo Horizonte - MG
E-mail: contato@creativeideias.com.br
Telefone: (21) 2577 8691 | (21) 3246 2904 | (21) 8832 6047

Habilidades necessárias na leitura e na escrita

Para ler é necessário saber :

 -nome da letra (decodificação);
- o som que a letra faz;        
--ordená-las sequencialmente;
- dar sentido;
-juntar com outras (para construir compreensão de um texto);

Para escrever:

-nome da letra (codificação);
- o som que a letra faz;
-ordená-las sequencialmente formando uma palavra;
- dar sentido;
-juntar com outras (para construir um texto);
-é necessário reconhecimento corporal, localização do corpo no espaço, controle de força, direção e velocidade dos movimentos PARA DESENHAR LETRAS E NÚMEROS, BEM COMO DIRECIONÁ-LOS NO ESPAÇO DO PAPEL.

-Reconhecimento da configuração da escrita


 (como escrever: usando letras repetidas? Usando muitas letras? Usando poucas letras?)

- Análise da dimensão sonora – extensão da fala 


( coisa grande tem muitas letras e coisa pequena tem poucas letras?)


Noções meta-linguísticas elementares: diferenciar letras/palavras/números/frases

-  conhecimento das funções da escrita: só vou querer ler se tiver significado para mim.

EX.:PARA JOGARMOS UM JOGO, PRECISAMOS LER AS REGRAS PARA SABER COMO SE JOGA. FUNÇÃO DA LEITURA NESSE CASO: CONSEGUIR JOGAR. CLARO QUE O JOGO DEVE SER INSTIGANTE, QUE PROVOQUE A CURIOSIDADE, SENÃO ELE VAI PREFERIR NEM JOGAR.

Daniela Queiroga - Psicopedagoga

Cursos sobre Autismo

http://www.ama.org.br/site/pt/component/content/article/95-cursos-do-aba.html

sábado, 29 de outubro de 2011

Amanhã: Depressão Infantil



Amanhã: Depressão Infantil


Estarei participando do programa, esclarecendo alguns tópicos da doença.


Assistam na Rede Super (23 ou 21) ou pela INTERNET - ONLINE!!


Basta acessar redesuper.com.br/familia/

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Encontrada ligação entre o déficit de atenção e o autismo pela primeira vez

Mais uma novidade... vamos pensar...
Cientistas encontraram a mesma alteração em pedaços do DNA de autistas e de pacientes com falta de concentração. O achado pode melhorar o tratamento de crianças afetadas por esses problemas


Entenda por que a descoberta vai ajudar pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção ou Autismo

Um dos distúrbios mais estudados dos últimos tempos, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ocorre devido a variações genéticas que também podem provocar o autismo. Em um artigo publicado nesta quinta na revista Science Translational Medicine, pesquisadores comprovaram, pela primeira vez, algo que os médicos já percebiam nos consultórios: a ligação entre o TDAH e patologias psíquicas mais graves, entre elas, as do espectro autista. A equipe de cientistas canadenses encontrou exatamente a mesma alteração em pedaços do DNA de nove pacientes autistas e de cinco com o problema da falta de concentração. Embora a amostra ainda seja pequena, ela representa o primeiro passo para entender com mais clareza a incidência de doenças mentais e neurológicas.

O TDAH atinge de 3% a 5% das crianças, com maior prevalência entre os meninos. "São pequenos muito inquietos, agitados, que não conseguem se concentrar e, consequentemente, têm dificuldades para aprender", explica a psiquiatra Ana Hounie, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP). A doença tem alta taxa de comorbidades, ou seja, frequentemente, vem associada a outros males, como a ansiedade, os transtornos de comportamento e, até mesmo, a dependência química. O autismo é outra dessas patologias. Seus sintomas incluem a fixação por determinado assunto e a resistência a se envolver com novas atividades.

Essas doenças são provocadas por fatores genéticos, associados a causas ambientais. "O pai ou mãe de uma criança com déficit de atenção, provavelmente, tiveram o mesmo problema na infância, assim como gêmeos idênticos têm mais probabilidade de desenvolver o TDAH que os não idênticos", detalha Russell Schachar, do Hospital para Crianças Doentes de Toronto, no Canadá, um dos autores do estudo.

Mesmo com essas pistas, contudo, a ciência ainda não conhece todos os genes responsáveis pelos distúrbios. O pesquisador e colegas canadenses partiram, então, para uma busca mais detalhada das partes do código genético que causam a falta de concentração.

Para isso, adotaram técnicas sofisticadas de mapeamento do genoma, com máquinas capazes de oferecer uma resolução melhor de pedaços menores das amostras. "Estávamos interessados em encontrar cópias raras de genes que nunca foram vistas na população em geral e que existem apenas no DNA das pessoas com déficit de atenção", explicou Schachar ao Estado de Minas. Das 248 amostras, 89% delas tinham variações nos seguintes genes: ASTN2, ASTN2-introni, TRIM32, CHCHD3 e MACROD2, além da região 16p11.2 da cadeia. "Em quase 90% dos genomas estudados, havia essa variação de número de cópias raras e poucas apresentavam mutações propriamente ditas, que são comuns em outras desordens", comenta o especialista.

A alteração do número de cópias, contudo, existe em doenças psíquicas complexas, como a esquizofrenia e o transtorno bipolar – fato que intrigou a equipe canadense. Para tirar a prova dos nove, os pesquisadores coletaram amostras de genoma de 348 pessoas com autismo e realizaram a mesma análise minuciosa do material. Surpreendentemente, o código genético de nove dos participantes tinha exatamente a mesma característica que o coletado em cinco voluntários com o transtorno de déficit de atenção.

Segundo os especialistas, o material identificado no grupo com TDAH aumenta o risco de incidência de doenças psiquiátricas do mesmo porte do autismo. Isso ajudaria a explicar por que é comum ver uma criança com autismo e TDAH ao mesmo tempo e, não raro, um menino ou menina com déficit de atenção associado a outros sintomas do espectro autista. "Encontramos um marcador genético das duas doenças, mas não para a vasta maioria dos pacientes. Agora, precisamos olhar mais profundamente para novas amostras e procurar esse sinal em níveis ainda mais profundos do genoma", afirma o pesquisador.

Aplicações
A descoberta canadense ainda não tem grandes implicações clínicas. Embora a análise do DNA possa determinar o diagnóstico do déficit de atenção, por exemplo, lançar mão desse recurso seria desnecessário. "Há uma série de testes psíquicos e psicológicos que definem o TDAH e esse sistema funciona bem", esclarece Russell Schachar. O especialista acredita, entretanto, que as revelações do estudo podem contribuir para o tratamento do distúrbio já no curto prazo. "Se você confirmar que o paciente tem sinais genéticos comuns ao TDAH e ao autismo, é possível receitar uma medicamento mais eficiente", sugere.

César Moraes, coordenador do Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), acredita que a pesquisa publicada ontem dá um passo fundamental na busca por marcadores genéticos que caracterizem definitivamente as duas doenças. "Esse artigo é muito importante, pois consegue demonstrar que há fatores genéticos comuns ao diagnóstico de TDAH e aos transtornos do espectro autista", comenta. Schachar vai ainda mais longe: com esse achado, aumentaram os desafios para a medicina, que agora precisa encontrar fatores de risco presentes em mais de uma doença psíquica.

E os trabalhos já começaram. O especialista canadense e seus colegas estão coletando amostras do genoma de 5 mil pessoas com qualquer indício de desordem mental. A ideia é avaliar o material com grande acuidade para identificar qualquer traço compartilhado entre as patologias. Segundo Schachar, esse levantamento muda, inclusive, a forma de fazer ciência. "No passado, as pessoas excluíam amostras de pacientes que tinham sintomas tímidos das doenças, mas nós vamos recrutar casos com qualquer sinal de problemas neuropsiquiátricos e procurar por suas variações de cópias raras. Se acharmos, vamos investigar isso em suas famílias também", adianta. 

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www.em.com.br

‎"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas 

ao tocar uma alma humana, seja 

apenas outra alma humana."

 (Carl Jung)

"O cérebro vai à escola"

 "O cérebro vai à escola" iniciará nova turma do curso de atualização "O CÉREBRO VAI À ESCOLA: um diálogo entre a neurociência e a educação" no dia 29/10, sábado da próxima semana. 


Serão 06 sábados: 29/10, 5/11, 19/11, 26/1, 03/12 e 10/12, horário de 9 horas às 12:30 horas, no ICB, Campus Pampulha. Custo de R$180,00 (3 X R$ 60,00). 


As inscrições poderão ser feitas pelo site da FUNDEP www.fundep.ufmg.br a partir desta quinta-feira, 20/10/2011. http://www.cursoseeventos.ufmg.br/CAE/DetalharSubAreaConhecimento.aspx?SubArea=67&TipoCae=Curso 


Obrigada. Nosso abraço. Leonor Guerra pela Equipe do NeuroEduca

terça-feira, 25 de outubro de 2011

TV

Depressão Infantil - tema do programa "Família", da Rede Super, com minha participação.



 Domingo - 30/10 - 14h



Assistam nos canais 21 ou 23, ou ainda online!!!!!!




redesuper.com.br

Semana da Divulgação sobre a Dislexia, de 31 de Outubro a 06 de Novembro de 2011.


Participe e envolva-se nesta iniciativa para que cada vez mais as pessoas com Dislexia possam ser reconhecidas e recebam a ajuda necessária na escola, no trabalho e de suas famílias !







Estudos recentes ajudam a melhor entender a dislexia


A dislexia é o transtorno de aprendizagem com maior incidência nas salas de aula. Trata-se de um transtorno específico e persistente da leitura e da escrita, caracterizado por um inesperado e substancial baixo desempenho da capacidade de ler e escrever, apesar da adequada instrução formal recebida, da normalidade do nível intelectual e da ausência de déficits sensoriais. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 5% e 17% da população mundial é disléxica.
O grande impacto desse transtorno na população tem motivado diversos estudos sobre o assunto e algumas pesquisas recentes, como um estudo sobre a dificuldade dos disléxicos de associarem as pessoas às suas vozes, têm ajudado a compreender melhor a sua causa. Novas evidências têm demonstrado que o nível de QI (Quociente de Inteligência) não deve ser considerado para o diagnóstico da dislexia e também estão conduzindo a novas técnicas para o diagnóstico precoce através do uso de neuroimagem.
Como foi mencionado anteriormente, a definição generalizada da dislexia considera que os disléxicos possuem um nível intelectual dentro da normalidade, mas pesquisadores da Universidade de Stanford, nos EUA, comprovaram que pessoas com dificuldade de leitura possuem o mesmo padrão de ativação cerebral, independente do nível de QI. Essa descoberta oferece evidência biológica de que o QI não deve ser enfatizado no diagnóstico de habilidades de leitura, contradizendo a prática comum de utilizar o QI como fator auxiliar para definir e diagnosticar a dislexia.
Para entender melhor o que acontece nos cérebros de pessoas com baixa habilidade de leitura e sua relação com o nível de QI, os pesquisadores se voltaram para recursos de imagem, a ressonância magnética funcional. Para isso eles avaliaram um grupo de 131 crianças com idades entre 7 e 16 anos classificados em três grupos: fraca leitura com QI normal, fraca leitura com baixo QI, e leitura normal com QI normal. Os grupos foram submetidos a um teste envolvendo rimas enquanto passavam pela ressonância magnética.
Os resultados mostraram que os dois grupos de crianças com fraca leitura tiveram um desempenho parecido no teste de rimas, porém muito inferior ao do grupo de crianças com leitura normal. E as imagens indicaram que os padrões cerebrais dos grupos de fraca leitura eram também parecidos na maior parte do tempo, ao contrário do grupo com leitura normal.
Os pesquisadores ressaltam que essa descoberta soma a diversas outras evidências que indicam que uma criança com dificuldade na leitura, independentemente do seu nível de QI, deve ser estimulada a procurar intervenção específica para leitura. Esses novos resultados chegam num momento em que estudos comportamentais recentes mostram que as dificuldades no processamento do sistema sonoro da linguagem, que geralmente leva a dificuldades para conectar os sons da linguagem às letras, são similares em pessoas com baixa habilidade de leitura, independentemente do QI.
Isso fica mais claro em outro estudo recente, que descobriu que pessoas com dislexia têm dificuldade para distinguir pessoas pelas suas vozes. Isso se deve à dificuldade do disléxico de reconhecer as diferenças fonéticas, as propriedades físicas da fala que torna exclusiva a voz de uma pessoa, independentemente do idioma. A causa provável é que eles sofrem de comprometimento fonológico.
Para chegar a essa descoberta, os cientistas do MIT, nos EUA, treinaram pessoas com e sem dislexia para reconhecer as vozes de pessoas falando seus idiomas nativos, no caso o inglês, e também um idioma desconhecido deles, o mandarim. Em cada idioma, os participantes aprenderam a associar as vozes dos falantes a personagens diferentes e depois foram testados na habilidade de identificar corretamente as vozes.
Os cientistas descobriram que os disléxicos eram significativamente piores em consistentemente reconhecer as vozes no idioma inglês, porém eram tão ruins quanto os não disléxicos em reconhecer as vozes no idioma chinês.
O resultado reafirma a teoria de que o déficit da dislexia não está no ato da leitura em si, mas na verdade envolve dificuldades de como os sons da língua falada são ouvidos e processados no cérebro do disléxico. Porém, o que as teorias sobre dislexia ainda não foram capazes de explicar convincentemente, de acordo com os pesquisadores, é por que não há dificuldade aparente na habilidade das pessoas com dislexia de perceber e produzir a fala.
Muitas pesquisas demonstram que pessoas com dislexia têm mais dificuldade de compreender a fala quando existe ruído ao redor. Esses resultados sugerem que a dificuldade de se seguir uma voz específica pode ser parte da causa. Então, professores e demais educadores devem ser sensíveis a isso durante as suas aulas, uma vez que o barulho dos outros alunos pode tornar desproporcionalmente difícil para alunos disléxicos acompanharem o que está sendo ensinado.
Apesar de a dislexia ser uma condição hereditária, segundo o Instituto ABCD, o disléxico responde às intervenções terapêuticas e educacionais específicas, mesmo que lentamente. Somente com intervenções adequadas pode-se melhorar o desempenho em leitura e escrita, que também podem ser beneficiadas por diversos fatores facilitadores como a precocidade do diagnóstico, e o ambiente familiar e escolar.

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